Uma comunhão que se reduz à convivência humana, ao “estar juntos”, sem passar por Deus, não é comunhão eclesial. Além disso, não há caridade sem fé, porque não existe amor verdadeiro sem conhecimento. Jesus Cristo é a Verdade, e só permanecendo na verdade podemos permanecer unidos a Ele — e, portanto, uns aos outros.
Por isso, podem-se multiplicar indefinidamente gestos exteriores de convivência, encontros, celebrações e atividades comuns: se não houver uma fé comum, não haverá comunhão verdadeira. É nesse ponto que se percebe claramente que a Igreja une os católicos de todas as épocas em torno da mesma fé transmitida fielmente.
Os três vínculos objetivos da comunhão eclesial
Depois de ter visto o caráter essencialmente espiritual da comunhão eclesial, vejamos agora mais em detalhe o seu aspecto exterior. Por vontade de Cristo, a Igreja é, de fato, uma sociedade visível e hierárquica. Por isso, a comunhão visível se apoia em três vínculos objetivos e inseparáveis:
A profissão da mesma fé; O reconhecimento da mesma hierarquia; A participação nos mesmos sacramentos. São Roberto Belarmino resumiu isso de forma clássica: “A Igreja é a comunidade dos fiéis unidos pela profissão da verdadeira fé, pela comunhão dos mesmos sacramentos e sob o governo dos pastores legítimos, especialmente do Romano Pontífice”. Se faltar um desses vínculos, a comunhão fica gravemente ferida.
O primeiro sinal visível da comunhão eclesial é a profissão da mesma fé. O Credo, por exemplo, não é apenas uma oração pessoal: ele é uma declaração pública que nos une a Deus e, ao mesmo tempo, nos identifica e une uns aos outros como membros da mesma Igreja. Se faltar a comunhão na fé, todos os outros sinais se tornam artificiais e enganosos.
Aqui surge um paradoxo doloroso: muitas vezes, comunidades tradicionais que se esforçam sinceramente para transmitir integralmente a fé católica são acusadas de “falta de comunhão”, enquanto em muitos lugares verdades fundamentais da fé são silenciadas, minimizadas ou até negadas sem que isso provoque
reação alguma das autoridades. Ora, não pode haver verdadeira comunhão se a verdade é sacrificada.
Profissão da fé como primeiro sinal visível de comunhão
O segundo sinal da comunhão visível resulta do fato de que Cristo instituiu a Igreja como uma sociedade dotada de uma hierarquia, quando disse a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Essa estrutura não é uma invenção humana, mas uma instituição divina. A comunhão com o Papa e com os bispos pertence, portanto, à própria essência da Igreja.
Não se pode estabelecer uma hierarquia de importância entre a comunhão na fé e a comunhão hierárquica, nem muito menos escolher uma em detrimento da outra, alegando necessidade ou invocando a fé para deixar de respeitar a autoridade legítima da Igreja. Ainda que, em certos momentos da História, a conciliação entre a fidelidade à fé e a submissão à hierarquia tenha