Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 902 | página 09
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Comunhão espiritual e sinais visíveis

Paulo Roberto Campos

Por isso, a Igreja é muito mais do que uma amizade humana, por mais bela que esta seja. Ela é uma amizade divina que se estende aos homens. Foi isso que Cristo afirmou na Última Ceia, quando rezou para que seus discípulos fossem um, não apenas entre si, mas “em Deus”. Nosso Senhor Jesus Cristo é, portanto, o coração, o centro e a pedra angular da unidade da Igreja.

Comunhão no tempo: ontem, hoje e sempre

Uma consequência direta disso é que a comunhão da Igreja ultrapassa o espaço e o tempo. Estar em comunhão com a Igreja não significa apenas estar unido aos católicos que vivem hoje, na mesma paróquia ou na mesma diocese. Significa também estar unido aos apóstolos, aos mártires, aos santos, aos Padres e Doutores da Igreja, e ao ensinamento constante transmitido ao longo dos séculos.

A Igreja não começou em nosso século. Ela cumpre sua missão salvífica numa continuidade viva. Por isso, estar em comunhão com o passado da Igreja não é algo opcional ou secundário; é essencial. A teologia chama essa dimensão de comunhão “diacrônica”, isto é, através do tempo, em contraste com a comunhão “sincrônica”, que é a comunhão com os fiéis do mesmo período histórico. Ambas são inseparáveis.

A comunhão da Igreja é acima de tudo espiritual, mas como tudo o que é cristão, ela se encarna e se manifesta por sinais visíveis. Aqui existem dois perigos opostos. O primeiro é reduzir a comunhão apenas a sinais exteriores, como gestos, celebrações conjuntas ou atividades comuns. O segundo é desprezar esses sinais, como se bastasse a fidelidade a uma fé puramente interior.

Os sinais visíveis existem para expressar uma realidade interior objetiva. Eles não criam essa realidade, mas a manifestam. Por isso, antes de discutir como a comunhão deve ser expressa exteriormente, é preciso compreender o que ela é em sua essência.

Comunhão na graça, na caridade e na fé

A comunhão eclesial é, antes de tudo, comunhão na graça. Pela graça santificante, tornamo-nos filhos de Deus, herdeiros do Céu e membros de uma mesma família sobrenatural. Essa comunhão na graça se prolonga numa comunhão de caridade, isto é, numa amizade sobrenatural com Deus e, por consequência, entre os membros do Corpo de Cristo.

Mas aqui é preciso ser muito claro: não existe verdadeira comunhão católica que seja apenas horizontal.

A comunhão na graça se prolonga numa comunhão de caridade, isto é, numa amizade sobrenatural com Deus e, por consequência, entre os membros do Corpo de Cristo.