INTERNACIONAL
Comunismo e anticomunismo
em uma hora decisiva da História
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Roberto de Mattei
Os momentos decisivos da História — aqueles em que civilizações entram em colapso e renascem — são sempre caracterizados por divisões e polarizações religiosas, culturais e sociais. No entanto, para aqueles que tomam como ponto de referência a obra De Civitate Dei (A Cidade de Deus), de Santo Agostinho, a raiz e a chave para a interpretação de cada problema reside na teologia da história, que nos permite ir além de uma leitura puramente contingente dos acontecimentos.
Nessa perspectiva, as crises não são simplesmente produto de fatores econômicos ou institucionais, e sim reflexo de uma tensão mais profunda entre diferentes visões da humanidade e do mundo.
Após o colapso da União Soviética em 1991, o Ocidente proclamou a morte do comunismo como se fosse um evento fisiológico e definitivo. Como consequência, o que sumiu e rapidamentee se dissipou foi o anticomunismo. Não sumiu o comunismo, que apenas afundou como um rio cárstico, que desaparece da vista para ressurgir mais tarde com maior vigor.
Foi nesse contexto que em 1990, por iniciativa de Fidel Castro e Luiz Inácio Lula da Silva, foi fundado no Brasil o Foro de São Paulo — uma organização subversiva concebida para analisar a “crise do socialismo” após a queda do Muro de Berlim e reorganizar a esquerda internacional em uma nova plataforma ideológica. Fidel Castro reconheceu no coronel Hugo Chávez, presidente