“Resistência”. Os demais componentes da mesa da Comissão eram absolutamente solidários com a atitude do Sr. Morales Bello. E quando o Sr. José Rodríguez Iturbe, deputado democrata-cristão, se levantou para pedir que fosse examinado antes de tudo se havia provas dos fatos alegados contra “Resistência”, e quais deles eram ilegais, esta proposta proba e de bom senso elementar foi acolhida agressivamente pela mesa, do que se originou até um incidente.
Justamente receosa dos resultados a que pudesse chegar uma Comissão de Inquérito desse naipe, “Resistência” se valeu de um recurso que o Processo Penal do país lhe faculta. Isto é, “Resistência” requereu ao Poder Judiciário que abrisse uma completa investigação sobre suas atividades. Assim, um poder apolítico e imparcial, por definição, iria julgar das provas — ainda não mencionadas por ninguém — e da pretensa ilegalidade das ações de “Resistência”. Mais límpida, mais honesta, mais pacífica a ação da entidade não poderia ser.
Pelo contrário, mais agressiva e mais arbitrária não poderia ser a atitude do socialismo reinante na Venezuela. É o momento de dizer uma palavra sobre este.
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As eleições de dezembro de 1983 deram a maioria à Ação Democrática (AD), partido filiado à Internacional Socialista. Esta última tem, aliás, em Caracas, uma sede ativa.
Em consequência do voto socialista majoritário, a representação parlamentar da AD — acrescida de pequenas bancadas de outras correntes socialistas e de representantes do PC — ficou com a maioria no Legislativo. Foi eleito também o candidato da AD à presidência da República, Sr. Jaime Lusinchi. E o seu ministério também pertence à AD. A esquerda socialista domina o país. Não espanta, pois, que, mesmo antes de instalada a investigação parlamentar, já os ministros do Interior e da Justiça tivessem feito declarações (aliás espantosamente inconsistentes do ponto de vista legal) contra “Resistência”.
Igualmente não espanta que, também anteriormente à investigação parlamentar, houvesse sido aberta, por iniciativa do Ministério Público, uma ação penal contra “Resistência” por acusações rocambolescas, como sequestro, lavagem cerebral, uso de drogas etc.
Esta ação, comportando longos interrogatórios de estilo nazicomunista, que constituíam clara tortura moral, evidentemente não deu em nada.
No dia 12 do corrente [novembro de 1984], a “Fiscalía”, ou seja, o Ministério Público, iniciou, pois, outra ação análoga.
Como acaba de ser dito, havia duas ações judiciais em curso, uma de iniciativa de “Resistência” e outra do Ministério Público, quando, na manhã de hoje, os jornais caraquenhos deram uma notícia espantosa. Com o efeito evidente de arrancar a matéria ao Poder Judiciário, a direção nacional da Ação Democrática majoritária e socialista, reunida no dia 12 do corrente, deliberou por unanimidade de votos pedir ao Sr. Presidente da República que decretasse a “proscrição” de “Resistência”. Medida que acarretaria o fechamento da sua sede, o sequestro de todos os bens que ali se encontrassem, e a dispersão da entidade.
É digno de nota que o pedido procedente dos arraiais políticos socialistas não consta que tenha sido apoiado por uma só entidade política com expressão na sociedade venezuelana. Com exceção de três sacerdotes aggiornati e de um grupo cerrado de 5 ou 6 casais com filhos maiores de idade inscritos em “Resistência”. Este grupo, uma minoria de dez por cento do total dos pais com filhos