Contudo, essa unidade não se realiza primordialmente pelo fato de “celebrar juntos” nem de “celebrar da mesma maneira”, mas pelo fato de celebrar o mesmo Santo Sacrifício da Missa. Como dissemos acima, o princípio da unidade da Igreja é Nosso Senhor Jesus Cristo, realmente presente, oferecido e recebido, sempre o mesmo em todas as Missas válidas celebradas desde a Santa Ceia, na véspera da Paixão.
Essa verdade é expressa de modo claro pela “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunhão”, assinada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé:“O Episcopado é um só, assim como uma só é a Eucaristia: o único Sacrifício do único Cristo morto e ressuscitado. A liturgia exprime de diversos modos esta realidade, manifestando, por exemplo, que cada celebração da Eucaristia é feita em união não só com o próprio Bispo, mas também com o Papa, com a ordem episcopal, com todo o clero e com todo o povo. Toda celebração válida da Eucaristia exprime esta comunhão universal com Pedro e com toda a Igreja” (nº14) [o destaque em negrito é nosso].
Esse é de fato o ensinamento de São Paulo: “O cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão
do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão” (1 Cor 10, 16-17).
O essencial e o acessório na comunhão eclesial
Por todo o visto anteriormente, no rito latino a concelebração nunca foi uma obrigação para os sacerdotes, mas apenas uma possibilidade legítima. Não concelebrar com o bispo não significa recusar a comunhão com ele, mas apenas celebrar o mesmo mistério de modo diferente.
É, portanto, necessário resistir à grande a tentação de transformar a comunhão eclesial em um simples sentimento de comunhão, construído humanamente pela soma de “momentos intensos de partilha” e “experiências comuns”. Essas realidades não são más em si mesmas, mas são realmente insuficientes se não estiverem enraizadas no essencial, ou seja, a comunhão espiritual na graça e na caridade, cuja expressão visível é a fidelidade a esses três vínculos exteriores fundamentais: professar a mesma fé, reconhecer a mesma hierarquia e participar dos mesmos sacramentos.