Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 874 | página 12-13
| NACIONAL | (continuação)

aprimoramento dos talentos de cada um e torna o mundo mais belo. Imaginemos um mundo onde todas as flores, ou todos os pássaros, fossem iguais... Mil exemplos poderiam ser elencados. Todos ilustrariam que certa pregação da igualdade total, uma utopia marxista, no fundo revela indignação às desigualdades criadas por Deus.

Com a palavra o Papa Leão XIII: “Substituindo a providência paterna pela providência do Estado, os socialistas vão contra a justiça natural e quebram os laços da família. Mas, além da injustiça do seu sistema, veem-se bem todas as suas funestas consequências: a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como consequência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade da nudez, na indigência e na miséria.”3

Uma regra que só tem exceções...

Em todos os países de regime comunista ou socialista, os governos se impuseram por meio dos mesmos embustes — promessas demagogas de acabar com as “desigualdades sociais”. E o que sucedeu? A escalada horripilante da miséria, “a fome, a pobreza, a guerra, o desrespeito ao ser humano”...

As nações que foram subjugadas pelo comunismo alcançam, sim, a igualdade, mas à custa de reduzir à pobreza todos os seus habitantes. É a vil igualdade na miséria. Disso é Cuba um exemplo. Apenas neste ano, quase 80 cubanos da ilha-presídio morreram afogados no mar, ao tentarem fugir para os Estados Unidos em balsas improvisadas.

A Venezuela, que virou uma fábrica de pobreza, é outro exemplo patente. Uma quarta parte de sua população não tem sequer alimentação básica. Chávez e Maduro conseguiram um feito inaudito: transformar o país mais próspero da América Latina no mais pobre.

A população da Nicarágua também vai afundando na mesma indigência. E Lula se mostra “muy amigo” dos ditadores desses e de outros países.

Não há desigualdade nos países onde todos são pobres? Sim, há: os mandatários e a Nomenklatura são riquíssimos, gozam de todos os privilégios. Parafraseando o poeta francês Ernest Jaubert, poderíamos dizer: “A igualdade entre os mandatários comunistas é uma regra que só tem exceções”...

No topo do ranking de custos bancados pelo cartão presidencial

Na referida Assembleia, um dos principais órgãos da ONU, o líder petista repetiu indignado que “a desigualdade precisa inspirar indignação”. Então ele se indignaria, por exemplo, com os riquíssimos ditadores cubanos, venezuelanos e nicaraguenses?

Será que Lula está indignado consigo mesmo, uma vez que fica gastando milhões — pagos pelo contribuinte brasileiro — com viagens inúteis, que não acarretam bens ao País, mas que são realizadas para o presidente aparecer na mídia nacional e internacional. Só com cartões corporativos, apenas até agosto último, ele gastou R$ 7,87 milhões — 50% a mais do que Jair Bolsonaro no mesmo período em 2019 (R$ 5,2 milhões, com valores já atualizados pela inflação).

Causa perplexidade ver alguém — que tanto fala em tirar o Brasil do “mapa da fome” — fazer gastos faraônicos usando o cartão presidencial. É inacreditável, mas não é fake. Leiam o artigo de Thiago Resende, publicado pela insuspeita “Folha de S. Paulo” (19-9-23) com o título “Lula gasta mais com cartão corporativo do que Bolsonaro, Temer e Dilma”. Eis algumas linhas do repórter desse jornal em Brasília:

“O presidente Lula (PT) tem gastado mais com cartão corporativo neste terceiro mandato do que Jair Bolsonaro (PL), Michel Temer (MDB) e Dilma Rousseff (PT). O patamar elevado de compras e pagamentos coloca o petista com uma média de gastos recorde. Até agora, foram fechados os extratos de sete meses do cartão corporativo. As despesas, quando somadas, chegaram a um valor próximo de R$ 8 milhões. Esse ritmo leva Lula ao topo do ranking de custos bancados pelo cartão presidencial, acima de Bolsonaro, que já apresentava contas mais altas que os antecessores”.4

Democracia e liberdade de expressão ‘da boca pra fora’

Outro embuste dos governantes comunistas: falam ad nauseam em nome de democracia e da liberdade de expressão. Falação tão desprovida de verdade quanto a de um governo que se vangloriava ser de “paz e amor”. Entretanto, vemo-lo fazer discursos próprios a despertar ressentimentos e indignações, agindo a fim de se desforrar das humilhações sofridas devido aos próprios fracassos.

Fala em “liberdade de expressão”, mas a máquina de seu governo procura amordaçar, ou mesmo encarcerar, pessoas que se manifestam fazendo uso da “liberdade de expressão”.

Fala em democracia, mas apoia ditadores. Recente exemplo disso foi o “salvo-conduto” que Lula da Silva prometeu ao ditador Vladimir Putin, caso venha ao Brasil para participar da reunião do G20 no próximo ano. O petista disse que Putin pode vir tranquilamente, garantindo-lhe que aqui não será preso.

Mesmo sabendo da ordem do Tribunal Penal Internacional de captura do tirano russo devido a crimes de guerra contra a Ucrânia, e que o Brasil é signatário do Estatuto de Roma — tratado internacional que criou o TPI — , Lula infringiria, além desse tratado, a nossa própria Constituição, cujo parágrafo 4º do artigo 5º prescreve: “O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional”.

Como o “salvo-conduto” despertou muita repercussão negativa, pois nenhum presidente brasileiro pode passar por cima

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