a. Participação dos leigos na nomeação dos bispos e democratização generalizada das estruturas eclesiásticas;
b. Ab-rogação do celibato sacerdotal obrigatório;
c. Admissão de pessoas homossexuais às ordens sacras;
d. Abrir o ministério sacramental às mulheres;
e. Reavaliar a homossexualidade e aceitar uniões de pessoas do mesmo sexo;
f. Condenar a moral sexual tradicional da Igreja.
Pode-se resumir essa agenda do Synodaler Weg num duplo objetivo: desconstruir a moral católica e a hierarquia eclesiástica.
“Incluir” homossexuais
O que significa “incluir” homossexuais na Igreja?
No sentido proposto pelo Synodaler Weg e por muitos promotores do Sínodo Universal, “incluir” os homossexuais significa aceitá-los na Igreja sem qualquer restrição ou pedido de conversão moral. Em outras palavras, significa aceitar não apenas o pecador, mas também o pecado.
Talvez ninguém tenha apresentado essa tese com mais clareza do que o Cardeal Robert McElroy, Arcebispo de San Diego, nos Estados Unidos. Em artigo publicado na revista jesuíta America, ele afirmou que o Sínodo deveria “incluir aqueles que se divorciaram e se casaram novamente sem uma declaração de nulidade da igreja, membros da comunidade LGBT e aqueles que são casados no civil, mas não se casaram na igreja”.34
Tal inclusão requer admitir à Santa Comunhão pessoas que vivem objetivamente em pecado público: “Propus que os católicos divorciados e casados novamente ou LGBT, que estão buscando ardentemente a graça de Deus em suas vidas, não deveriam ser categoricamente impedidos de receber a Eucaristia”.
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Seria preciso mudar a doutrina moral da Igreja para “incluir” homossexuais?
Sim. Um documento do Weg afirma: “Como parte dessa reavaliação da homossexualidade, as passagens 2357-2359 e 2396 (homossexualidade e castidade) do Catecismo [da Igreja Católica] devem ser revisadas. (...) Os “atos homossexuais” devem ser removidos da lista de “pecados graves contra a castidade”. Assim, a sexualidade não é um pecado que nos separa de Deus nem deve ser julgada como intrinsecamente má”.36
O Relator Geral do Sínodo, Cardeal Jean-Claude Hollerich, de Luxemburgo, parece ter a mesma opinião.
Afirmou que a doutrina da Igreja sobre as relações homossexuais é “falsa”, e, portanto, deve ser alterada, porque “o fundamento sociológico-científico deste ensinamento não é mais correto”.37
Buscarão uma brecha para legitimar canonicamente as uniões entre pessoas do mesmo sexo?
Sim. “Incluir” os homossexuais na Igreja significa incluí-los em todos os sacramentos, entre eles o casamento. Não podendo aprovar o “casamento” entre duas pessoas do mesmo sexo — o que seria contrário ao dogma católico e à disciplina da Igreja — algumas conferências episcopais optam por dar-lhes uma “bênção” (Segnung). Por exemplo, em 2022 os bispos flamengos aprovaram um “Rito de bênção” para casais homossexuais, posteriormente aprovado pelo Synodaler Weg.
A ideia não é nova. Em 2015, durante o Sínodo sobre a família, o Comitê Central dos Católicos Alemães propôs “um maior desenvolvimento de formas litúrgicas, em particular a bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo, de novas uniões de pessoas divorciadas e de decisões importantes na vida familiar”.38
Uma estrada acidentada
Os promotores do Weg estão sendo punidos?
Não. É decepcionante notar, por exemplo, a ausência de qualquer reprovação das autoridades do Vaticano em relação ao artigo escandaloso do Cardeal Robert McElroy na revista jesuíta America. De outro lado, a posição decisiva do Cardeal Hollerich como relator geral do Sínodo foi confirmada mesmo depois das suas declarações escandalosas sobre a necessidade de modificar o magistério da Igreja sobre a homossexualidade. Ele também foi incluído no “C9”, o seleto grupo de cardeais que aconselham diretamente o Papa Francisco.
O vaticanista francês Jean-Marie Guénois comenta:
“O Vaticano está observando [o Weg], mas parece ter perdido o controle dessa iniciativa. O Papa Francisco advertiu a Igreja alemã para não sair do rumo; mas, curiosamente, nomeou para o cargo-chave de ‘relator’ do próximo sínodo romano sobre ‘sinodalidade’ um prelado que apoia... as diretrizes do sínodo alemão.
(...) O Papa não se põe como um árbitro. Está do lado da reforma, como confidenciou em setembro passado aos jesuítas eslovacos, com os quais se encontrou em Bratislava”.39