Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 874 | página 10-11
| NACIONAL |

Lula promete muito e não cumpre nada

Por Paulo Roberto Campos

Ao iniciar a redação deste artigo, havia colocado outro título: “Lula mente sem ficar vermelho”. Como dá no mesmo, e ele já é ‘vermelho’, deixei o título em epígrafe.

Assim como todo socialista, o PT é um partido de promessas não realizadas.

No último dia 31 de agosto, em Teresina, no lançamento do programa “Brasil sem fome” [foto acima], Lula da Silva soltou mais uma “pérola” ao dizer: “Alguns podem comer dez vezes por dia, e outros ficam dez dias sem comer”. Tanto a primeira quanto a segunda afirmação são falsas, ninguém come dez vezes por dia, nem fica dez dias sem comer.

Desde 21 de janeiro de 2003, primeiro dia de seu governo, Lula fala a mesmíssima coisa — em tirar o Brasil do “mapa da fome” através de uma “distribuição justa de renda” — , de onde a necessidade de retirar do rico para distribuir ao pobre.

Por que então o Brasil, segundo a demagogia, está no “mapa da fome”? Simplesmente porque Lula não cumpriu o que prometeu, pois 20 anos se passaram desde que ele se tornou presidente. Se tivesse cumprido, até os extremamente pobres estariam comendo cinco vezes por dia — ou, pelo menos, tomando o café da manhã, almoçando e jantando. Logicamente, se não estão, a culpa só pode ser de um partido socialista que se diz “dos trabalhadores”, que governou o Brasil por 20 anos e não tirou o País do alegado “mapa da fome”. Quem acreditará, neste novo mandato, nas novas (as mesmas) promessas do governo lulopetista?

“Os pobres são as maiores vítimas dos embusteiros”

É impossível o pobre ficar rico com qualquer programa governamental para retirar o dinheiro dos ricos. O sistema socialista — disse-me ironicamente um colega jornalista — é ótimo para transformar os ricos em pobres, os pobres em miseráveis e os governantes em milionários…

Melhor ainda disse o Papa Pio XI: “Os pobres são as maiores vítimas dos embusteiros, que exploram sua miserável condição, para lhes despertar inveja contra os ricos e excitá-los a tomar para si, pela força, aquilo que lhes parece injustamente recusado pela fortuna.”1

Límpida declaração que pobres e ricos devem reter, os primeiros para não serem mais iludidos e os segundos para não ficarem pobres.

Não a igualdade utópica, mas a igualdade na miséria

Em seu recente discurso na abertura da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, no dia 19 de setembro, Lula da Silva vociferou com características bem apropriadas à extrema-esquerda: “A desigualdade precisa inspirar indignação. Indignação com a fome, a pobreza, a guerra, o desrespeito ao ser humano. Somente movidos pela força da indignação poderemos agir com vontade e determinação para vencer a desigualdade.”2

Com uma concepção muito ultrapassada, o presidente petista parece acreditar que a igualdade é um bem absoluto e ignorar que a desigualdade não é um mal em si. Seria injusto tratar o pobre sem caridade, mas também é injusto tratar diferentes igualmente.

Numa empresa, por exemplo, os funcionários mais dedicados ao trabalho merecem promoções e salários melhores. Se o patrão pagasse a todos igualmente, estaria incentivando a vagabundagem. Esforçar-se e dedicar-se mais para quê, se no final do mês quem trabalhou muito e quem não trabalhou ganhasse o mesmo, os funcionários “encostariam o corpo” e a empresa quebraria.

Isso se poderia dizer também quanto aos alunos de um colégio. Quem estuda mais, merece nota mais alta, evidentemente. É uma desigualdade que incentiva o

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