acontecer, para onde rumará o mundo? A Rússia admitirá a derrota? É ingênuo supô-lo. Para dissipar qualquer dúvida, o guru esotérico Alexander Dugin — que é para o atual chefe da Rússia o que o endemoniado monge Rasputin foi para a última família imperial russa — respondeu a Manish Jha, diretor da TV indiana TV9, que com a Ucrânia não há alternativa: “Ou ganhamos nós, ou vamos destruir o mundo inteiro. Não toleraremos outra solução” 1.
Aí se põe o drama, discutido nas mais altas esferas políticas e midiáticas do Ocidente: antes de a Revolução gnóstica e igualitária sofrer uma histórica desmoralização, não pensaria Putin em outras tentativas de “guerra híbrida” sobre o mundo ex-cristão? Ele dispõe para isso de aliados no coração da Europa, os quais, mesmo dizendo-se “conservadores”, o bajulam como se fosse o “Carlos Magno do Oriente”. Ou então — horresco referens — apelaria para bombas nucleares, como já mencionou várias vezes, antes de claudicar num conflito que de início parecia uma vitória fácil.
Seria uma saída enlouquecida como as últimas ofensivas suicidas de Adolf Hitler no fim da II Guerra Mundial, tomada pelo desespero e pela paranoia. Caso ela se efetive, as destruições e os massacres seriam incomensuráveis e atingiriam milhões de seres humanos em todo o planeta.
Não faltam avisos de Deus
A irmã Lúcia, vidente de Fátima, mandou dizer ao Papa que a “Rússia [...] espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”. Mas também que no final o Coração Sapiencial e Imaculado de Maria triunfaria.
No panorama mundial — e até no Brasil — adensam-se as incógnitas, como numa região vulcânica em que eclodem por todos os lados erupções de lavas, fumaças e águas tóxicas, premonitórias de movimentos destruidores. Entretanto, como católicos, não podemos restringir nossos juízos aos eventos humanos considerados em sua materialidade. A Providência Divina, que tudo rege, tem seus sapienciais desígnios, nos quais devemos depositar nossa confiança, máxime em presença de horizontes tão preocupantes. Basta lembrar que a irmã Lúcia, vidente de Fátima, mandou dizer ao Papa que a “Rússia [...] espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja”2. Mas também que no final o Coração Sapiencial e Imaculado de Maria triunfaria.
A advertência de 1917 não foi ouvida, os homens não fizeram penitência, conforme foi pedido em Fátima, nem deixaram sua corrida louca rumo ao precipício das piores imoralidades. As perspectivas de uma conflagração universal — como a que pode derivar da invasão da Ucrânia — são tão grandes, que seria estranho achar que Deus, na sua insondável misericórdia, não tivesse feito outras advertências ao mundo, com divulgação menor, mas premência maior até do que fez em Fátima, talvez prevendo que Nossa Senhora não seria atendida.
E de fato o fez diversas vezes, como em Akita, no Japão. E também por revelações particulares pouco divulgadas, mas merecedoras de prudente e fiel atenção, como aquelas transmitidas pela bem-aventurada Elena Emília Aiello (1895-1961), fundadora da Congregação das Irmãs Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nascida em Montalto Uffugo, na Calábria, e falecida em Roma, desde a sua morte, milagres e conversões lhe foram atribuídos. O Altíssimo a beneficiou com os estigmas e numerosas revelações sobre o futuro que se avizinhava, pouco conhecidas no Brasil. Beatificada em 14 de setembro de 2011, seus restos repousam na capela da Casa Mãe de seu Instituto em Cosenza. Sua festa se comemora no dia 19 de junho.
Segundo o grande São Jerônimo3, Padre e Doutor da Igreja, Deus concede visões ou revelações que se verificam a curto prazo, a fim de provar que outras, previstas para um futuro mais longínquo, também se cumprirão. Foi o caso da correspondência trocada pela Beata Aiello com Edvige Mussolini (1888-1952), irmã do então ditador da Itália, Benito Mussolini, exortando-o a não se engajar na fatídica Guerra Mundial. O autocrata repeliu com orgulhoso desdém o aviso misericordioso de Nosso Senhor, o qual se cumpriu inteiramente: o duce, então chefe máximo da Itália, perdeu a guerra e teve espantosa morte.
A realização dessa profecia reforça os ultimatos divinos ao mundo sobre o que poderia acontecer depois da Segunda Guerra Mundial, e que hoje ganham atualidade à luz da guerra no mundo eslavo e seus possíveis desdobramentos.
Nosso Senhor acentua os avisos de Fátima
As mensagens à Beata Aiello se intensificaram nos anos 50 — portanto, durante décadas de um otimismo mundano que penetrou até as esferas eclesiásticas e influenciou as impostações do Concílio Vaticano II