Enquanto no leste ucraniano os canhões não param de troar e cadáveres de mercenários abandonados cobrem os campos de Bakhmut, as potências aceleram a corrida armamentista, e, atônitos, todos se perguntam: o que resultará da criminosa invasão russa à nação ucraniana? Legiões de voluntários das mais diversas etnias do mundo escravizado por Putin juram querer derrotá-lo na Ucrânia para depois liquidá-lo em suas respectivas repúblicas injustamente subjugadas.
Na Europa, a Bielorrússia e a própria Rússia assediam as fronteiras da OTAN com voos de jatos de guerra próximos ao atrito, fragatas e submarinos que testam as resistências ‘inimigas’ dos países bálticos, da Suécia e da Finlândia, países que abandonaram a neutralidade para entrar na coalizão liderada pelos Estados Unidos — o ‘Grande Satã americano”, como são chamados.
A Rússia leva foguetes hipersônicos ao Atlântico, seus bombardeiros atômicos ladeiam a América do Norte no Pacífico, e suas naves de guerra participam em manobras bélicas com a China contra aliados dos EUA, que respondem com outros exercícios junto com a maior frota da Terra.
Apesar do descontentamento dos russos, Putin quer avançar
Da Federação Russa chovem notícias de revoltas nos quartéis e de conflitos entre as 22 Repúblicas que a compõem, e até mesmo dentro delas, porque veem o chefe supremo enfraquecido. O mal sucedido exército moscovita protagoniza atritos violentos com as milícias pessoais preferidas de Putin, como o grupo paramilitar Wagner, recrutado nos cárceres russos, ou a dos cruéis chechenos muçulmanos de Ramzan Kadirov, que pede a liquidação da Ucrânia com a bomba atômica.
O descontentamento toma setores da população e superministros ditos ‘oligarcas’, que rodeiam o dono do Kremlin e não escondem seus desacordos. O jornal madrileno “El Mundo” computou 50 “suicidatos” (assassinatos, sobretudo de oligarcas dissidentes, dissimulados em suicídios, pela mão da polícia política), mas só certificou 21 casos. O ex-presidente Dmitry Medvedev transmitiu a ordem de Putin de eliminar a “escória de traidores” que se opõe à sua guerra para dominar a Ucrânia.
Nas ruas de Moscou e São Petersburgo, milhares protestam contra a guerra e as mães dos soldados, vivos ou mortos, desafiam a polícia, que responde com violência. Aprofunda-se a falta de alimentos, remédios, combustíveis e suprimentos bélicos. Na sua boçal e despótica invasão prestes a completar um ano, com a qual contava assenhorear-se da Ucrânia em apenas três dias, Putin, após perder algumas dezenas de milhares de soldados — mais de 100 mil teriam sido feridos, feitos prisioneiros ou morrido — , mandou recrutar mais 300 mil homens e recorre agora às débeis armas e munições do Irã e da Coreia do Norte.
Pior. Segundo a edição russa de “Forbes”, mais de 700 mil russos em idade de combater fugiram do país, e aqueles que, enganados, foram enviados à Ucrânia — sem treinamento ou armamento adequado, com os familiares fornecendo fardas, sapatos e meias — , expuseram-se a morrer como “bucha de canhão” numa guerra que não desejaram.
Enquanto escrevemos, a Rússia ameaça com insistência utilizar bombas nucleares, e suas TVs calculam quantos segundos seus mísseis disparados de Kaliningrado demorariam em arrasar Berlim, Londres ou Paris. O comando russo não esconde a esperança de invadir a Moldávia, cuja região de Transnístria já ocupa, enquanto a Hungria, sua aliada diplomática, contradiz a aliança da OTAN, da qual faz parte, e sua outra aliada, a Sérvia, traslada tanques para a fronteira do Kosovo, podendo levar os russos até o mar Adriático e mirar para a Itália.
A economia mundial manifesta consequências profundamente danosas e duradouras. Poderíamos ainda ampliar esta listagem de desgraças que se acumulam sobre a humanidade, pois a guerra da Ucrânia está tomando ares de um câncer do qual podem partir como metástases inúmeros outros conflitos. — O que virá então para nós, cidadãos pacíficos que não queremos a guerra, mas vemos acirrar as divisões em nossos países?
A louca ‘solução’ da guerra nuclear
Um teste, em 2020, de um míssil balístico intercontinental nas instalações de Plesetsk, no noroeste da Rússia.
Os resultados bélicos na Ucrânia sugerem um eventual fiasco militar humilhante do gigante russo. Se tal