Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 34-35
| OS REIS MAGOS E A ESTRELA DE BELÉM | (continuação)

esplendor". São João Crisóstomo diz a mesma coisa. Donde São Leão dizer no Sermão de Epiphania: "Uma nova estrela apareceu na região do Oriente aos três Reis Magos. Era mais brilhante e mais bela que todas as outras estrelas. Atraiu para si os olhos e a mente dos que a contemplavam, de modo que se percebeu imediatamente que essa visão estranha não era sem propósito".

Vimos sua estrela no Oriente

Suárez acrescenta que a estrela só brilhava durante o dia em locais próximos aos Reis Magos, mas estava mais alta durante a noite e era menos visível. Os Magos eram astrônomos, e foram chamados de modo muito adequado por uma estrela. Por isso mesmo sabiam que essa não era uma estrela comum, mas um prodígio que anunciava um acontecimento divino. Assim entenderam que havia nascido o Criador e Senhor das estrelas, a Quem todas as demais obedecem. Por isso a Igreja celebra com tanta solenidade a Festa da Epifania, na qual os Magos foram chamados a adorar Cristo, porque neles e por eles começou o chamado e a salvação dos gentios.

No Sermão de Epiphania, diz São Leão: "Diletíssimos irmãos, reconheçamos nos Magos, que adoraram Cristo, as primícias de nossa vocação e de nossa fé. E com a alma exultante celebremos o início da bem-aventurada esperança, pois começamos a entrar na posse de nossa herança eterna". E Santo Agostinho confirma: "Os Magos foram as primícias dos gentios, e nós somos o povo dos gentios. Isso nos foi anunciado pela língua dos apóstolos, mas aos Magos o foi pela estrela, como uma língua do céu. E os apóstolos, como outros céus, nos narraram a glória de Deus" (Serm. 2 de Epiph.).


Cornélio a Lapide

Exegeta belga, nasceu em Bocholt, no Limburgo flamengo, no dia 18 de dezembro de 1567; morreu em Roma, a 12 de março de 1637. Estudou humanidades e filosofia nos colégios jesuítas de Maastricht e Colônia. Cursou teologia durante um semestre na Universidade de Douai, e depois, por quatro anos, em Louvain. Entrou para a Companhia de Jesus em 11 de junho de 1592. Após dois anos de noviciado, e mais um de teologia, foi ordenado sacerdote em 24 de dezembro de 1595. Ensinou filosofia durante seis meses, e em 1596 foi nomeado professor de Sagrada Escritura em Louvain; no ano seguinte, professor de hebraico. Vinte anos depois, na mesma qualidade de professor, seus superiores o enviaram a Roma, onde granjeou grande fama no exercício do magistério. Nos últimos anos de sua vida, devotou-se exclusivamente a terminar e corrigir seus famosos comentários.


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A ESCOLHA DA FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Luis Dufaur Um prodigioso triunfo das armas católicas levou a Igreja a escolher a data de 8 de dezembro para glorificar a Imaculada Conceição e seu dogma

No dia 8 de dezembro a Igreja comemora a Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Ela é padroeira do Brasil sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Enquanto tal ela é glorificada nesse dia, e também na sua festa principal, em 12 de outubro.

Por que o dia 8 de dezembro é a festa da Imaculada Conceição? Pouco sabemos sobre a razão da escolha desse dia, embora um fato sobrenatural esteja na origem de tudo: o milagre de Empel. A intervenção da Imaculada Conceição se deu nos dias 7 e 8 de dezembro de 1585, numa encarniçada batalha na pequena elevação da ilha de Bommel, conhecida como Empel. Na localidade holandesa com esse nome, a Virgem Imaculada interveio para dar a vitória aos regimentos católicos, em luta contra exércitos e frotas que impulsionavam o protestantismo.

A revolução protestante foi uma das mais ferozes da História, a ponto de envolver em guerras regiões das mais remotas do planeta, como o Brasil, o Japão e as Filipinas, numa época de comunicações dificílimas. Nesse quadro histórico a insurreição protestante havia deflagrado nos Países Baixos (Bélgica, Holanda, Luxemburgo e partes da França e Alemanha) a guerra dos Oitenta Anos, travada intensamente nas cidades de Flandres e em campos pantanosos, entre canais e trincheiras onde a infantaria desempenhava papel decisivo.

Os protestantes holandeses professavam os erros de Calvino e eram apoiados por seus cúmplices ingleses, franceses, alemães e suecos, adeptos de outros heresiarcas. Seus erros religiosos foram

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