Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 16-17
| COMO ENTENDER O QUE ACONTECE NO CHILE? | (continuação)

dos vândalos é incendiar o próprio Congresso, onde os políticos, como tribunos da República, estão sempre prontos a ceder.

Foram inúteis as advertências das autoridades policiais que, com as filmagens em mãos, forneceram a evidência desse objetivo incendiário generalizado. Esses ataques tampouco têm relação com o crescente crescimento das bandeiras mapuche nas manifestações, como símbolo de rejeição ao Estado chileno, com os ataques aos monumentos dos heróis nacionais e com incêndios, saques e profanações praticados em várias igrejas católicas.

Consequências de um quadro incerto

Ainda é cedo para saber como terminará esse confronto entre um Chile que deseja continuar crescendo e outro setor do país que deseja reverter o caminho para o socialismo "bolivariano". No entanto, uma coisa é certa: os campos foram profundamente separados entre os que seguem o Chile honesto e trabalhador e aqueles que pretendem retornar às experiências fracassadas do socialismo.

Movidos por um ódio "sem Deus e sem lei", esses últimos queimaram bens públicos e privados. Talvez não tenham percebido que, ao mesmo tempo, estavam também destruindo o tecido social que fazia todos os chilenos se reconhecerem como membros de uma nação. Dessa forma, não apenas se isolaram do país real, mas demonstraram ainda que não há possibilidade de entendimento com eles.

Fazemos votos de que vença o Chile do trabalho e do progresso. Mas, ao mesmo tempo, queremos que se aproveite a lição. E a grande lição desses ataques deve corresponder ao entendimento de que não há progresso autêntico que não seja ancorado na moralidade firme revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos advertiu: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á" (Jo 15, 5-6).

Algumas igrejas foram sacrilegamente profanadas.
| MEMÓRIA |

TRÊS DÉCADAS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

Oscar Vidal

30 anos da derrubada do "muro da vergonha", símbolo do desmoronamento do regime comunista e de sua utopia igualitária

A miséria do império soviético, resultante da dissolução das tradições, das famílias e das propriedades particulares, tornou necessário escondê-la do mundo ocidental e impedir que suas vítimas fugissem do "paraíso" comunista. Para isso, em 1961 foi construído na Alemanha comunista o "muro de Berlim". Torres de vigilância, cercas de arame farpado e eletrificadas, terreno minado, foram instrumentos para a vigilância contínua dos bolcheviques armados de metralhadoras e auxiliados por cães ferozes. Apesar desses obstáculos, muitos milhares de alemães orientais tentaram a fuga, e nessa tentativa mais de mil foram covardemente mortos pelos guardas.
Em 9 de novembro de 1989 foi aberto um rombo na muralha infame, deixando milhões de alemães eufóricos com aquele desmoronamento. De longa data ele era muito desejado; mas a tal ponto inacreditável, que muitos alemães se beliscavam para comprovar que não estavam sonhando. O fato merecia muito ser comemorado, mas na minha memória não encontro a lembrança de comemorações por parte de certas autoridades eclesiásticas - as mesmas que, no entanto, esbravejam contra a construção de muros...
Celebremos esses trinta anos sem aquele muro, mas mantenhamo-nos alertas; pois em muitos países, inclusive no Brasil (sobretudo agora, com a soltura de certos presidiários...), movimentos de esquerda procuram imitar a Venezuela e provocar o caos nas instituições. Não foge às suas pretensões voltar ao poder, mesmo que seja à custa de levantar novos muros. Reproduzimos a seguir alguns comentários de Plinio Corrêa de Oliveira, emitidos naquele período de Alemanha murada pelo regime comunista (Catolicismo, nº 181/2, Janeiro/Fevereiro de 1966).

FUGINDO À TIRANIA DOS SEQUAZES DO DEMÔNIO

Plinio Corrêa de Oliveira

Enquanto o mundo ocidental se preparava para as festas do Natal, uma notícia trágica, publicada com pouco destaque pela imprensa diária, chamou a atenção de uns poucos leitores. Tratava-se de um telegrama conjunto das agências Reuters e AFP, datado de Colônia, informando que, segundo dados coletados pelo Serviço Federal de Guardas de Fronteira, cerca de quatro mil pessoas residentes na Alemanha comunista tentaram fugir para a Alemanha Ocidental, transpondo de um ou de outro modo a cortina de ferro, nos dez primeiros meses de 1965. Somente 1.233 delas foram bem-sucedidas.

O que quatro mil ousaram, é claro que um incontável número desejou. Muitos, retidos pelo receio de sanções contra seus familiares, nem tentaram fugir. Outros foram paralisados pelo explicável terror dos riscos que esse lance acarreta. Mas, apesar desses riscos, 400 alemães em cada mês preferiram empreender a fuga, postos fora de si pelos horrores do paraíso comunista.

* * *

Do que seja a atmosfera moral trágica em que essas

PÁGINA SEGUINTE