Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 32-33
| OS REIS MAGOS E A ESTRELA DE BELÉM | (continuação)

A estrela de Belém seria um novo astro? Um anjo?

Nada mais apropriado do que uma estrela para conduzir os três Reis Magos a Cristo, o Rei dos reis, pois uma estrela tem a aparência de uma coroa real, com seus raios resplandecentes. Portanto, uma estrela é um emblema de um rei e de um reino, donde Deus prometer a Abraão: "Olha para o céu; e conta, se podes, as estrelas". Depois acrescentou: "Assim será a tua descendência" (Gen. 15, 5). Aqui Deus designou os reis de Israel e Judá que deveriam brotar de Abraão, mas especialmente a Cristo Rei. Por isso Deus diz a Abraão explicitamente: "E de ti sairão Reis" (Gen. 17, 6). Assim diz São Fulgêncio: "Quem é esse Rei dos judeus? Pobre e rico, humilde e exaltado, carregado como um recém-nascido e adorado como um Deus; pequeno na manjedoura, imenso no céu, indigente entre panos, precioso entre as estrelas" (Serm. in Epiph. 5).

Pode-se perguntar de que tipo e quão grande foi essa estrela. Era da mesma natureza das demais? Ou era peculiar e diversa delas? O autor de De mirabil. S. Script. sustenta que essa estrela era o Espírito Santo, que desceu sobre Cristo como uma pomba, e por meio de uma estrela guiou os Magos (livro 3, c. 40). Orígenes, Teofilato, São Crisóstomo e Maldonado pensam que se tratava de um anjo; porque, de fato, um anjo era motor e, por assim dizer, condutor da estrela. Outros defendem que era um astro real semelhante ao que apareceu na Constelação de Cassiopeia no ano de 1572 d.C. Ainda outros pensam que era um cometa. Mas eu respondo que era uma estrela nova e desconhecida, inteiramente diferente de outras estrelas, formada pelos anjos para arrebatar a admiração dos Magos e levá-los à certeza do presságio de algo novo e divino.

Era superior às outras estrelas em nove privilégios e portentos:

1. Quanto à sua criação, esta estrela superou todas as demais, que foram produzidas no quarto dia da Criação (Gen. 1, 14), enquanto aquela foi produzida na própria noite da Natividade de Cristo. Era, portanto, uma nova estrela, nunca vista antes nem depois desse período. Assim comenta Santo Agostinho (liv. 2, Contra Faustum, c. 5).

2. Quanto à matéria, os anjos formaram-na a partir do ar condensado, infundindo-lhe seu esplendor.

3. Quanto ao local, as demais estrelas estão no firmamento, mas essa estava na atmosfera. E precedeu os três Reis Magos em sua viagem da Arábia à Judéia.

4. Quanto ao movimento, as estrelas se movem em círculos, mas essa de modo linear. Com efeito, ela procedeu em uma linha reta do Oriente para o Ocidente.

5. Quanto ao tempo, as estrelas brilham apenas à noite, e a luz do sol as obscurece durante o dia. Mas essa era claríssima, tanto de dia quando brilha o sol, quanto de noite.

6. Quanto à duração, as estrelas brilham continuamente, mas essa brilhou de modo temporário, apenas durante o período da viagem dos Magos, desaparecendo depois.

7. Quanto ao tamanho, as estrelas são maiores que a Terra e a Lua, mas essa foi menor. No entanto, parecia maior porque estava mais próxima da Terra. Assim como a Lua parece maior que as estrelas fixas, porque está mais próxima de nós, embora na realidade seja muito menor.

8. Quanto à mobilidade, essa estrela às vezes se escondia, como em Jerusalém, outras vezes se mostrava visível e era guia da viagem. Quando os Magos avançavam, ela avançava; quando descansavam, ela descansava. Por fim, pairou sobre a casa onde estava o Menino Jesus. Realizada sua missão, ela desapareceu. As outras estrelas não têm essa propriedade.

9. Quanto ao esplendor, ela superou todas as demais estrelas. Santo Inácio, que viveu pouco tempo depois de Cristo, assim escreveu em sua Epístola aos Efésios: "A estrela brilhou para superar em brilho tudo o que havia antes. Sua luz era indescritível e impressionou a todos que a viram". E Prudêncio, em seu hino para a Epifania: "Aquela estrela que ultrapassa o sol em beleza e

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