Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 28-29
| OS REIS MAGOS E A ESTRELA DE BELÉM | (continuação)

Grande, ciente dessa profecia, aplicou o oráculo a si mesmo para fortalecer seu reino. Queria ser aceito como Messias, e por isso construiu um templo magnífico para os judeus e o dedicou no aniversário do dia em que iniciou seu reinado (Cf. Josefo, livro 15, Ant. c. 14 e livro 20, c. 8).

Herodes Antipas foi quem mandou decapitar São João Batista e revestiu Nosso Senhor com a túnica branca e zombou d'Ele em sua paixão. Seu filho, Herodes Agripa, matou São Tiago, irmão de São João, e morreu ferido por um anjo. E o filho deste Agripa foi Herodes Agripa II, diante de quem pleiteou São Paulo quando prisioneiro (Atos 25, 23).

Magos vieram do Oriente a Jerusalém

A palavra magos era comum entre os persas, donde a tradução persa de São Mateus trazer aqui magusan - magos ou sábios, astrólogos ou filósofos. A palavra parece derivar do hebraico, oriunda do radical haga, meditar; daí magim, aqueles que meditam. Com efeito, a meditação é a chave da sabedoria, como diz Ptolomeu. Portanto, aqueles que meditam são ou se tornam sábios. De acordo com São Jerônimo, os caldeus chamavam seus filósofos de magos, seguindo os hebreus. Daí os árabes, sírios, persas, etíopes e outros orientais - cujas línguas são derivadas do hebraico, ou a ele semelhantes - chamarem seus sábios e astrólogos de magos, segundo asseveram Plinio e Tertuliano.

A expressão correspondente em grego (α̉πό α̉νατολών) significa das partes orientais, indicando que esses Magos vieram de várias regiões ou províncias do leste. A opinião comum dos fiéis é que eles eram reis, régulos ou príncipes. Esta crença é claramente defendida por São Cipriano, São Basílio, São Crisóstomo, São Jerônimo, Santo Hilário, Santo Isidoro, São Beda e Tertuliano, todos citados por Maldonado, Barônio e Barradio. No entanto, São Mateus não os chama de reis, e sim de magos, porque coube a eles reconhecer Cristo por meio da estrela. Daí também que eles sejam chamados de reis de Tarsis e Reis da Arábia e de Sabá (Salmo 71, 10).

Como afirma São Leão, os Magos pensavam que o rei dos judeus deveria ser procurado em Jerusalém, pois na cidade real estavam os sumos sacerdotes, escribas e doutores da lei, os quais, pelos oráculos proféticos, provavelmente sabiam onde e quando Cristo deveria nascer. E de fato eles informaram que o Messias nasceria em Belém. Os Magos, embora tivessem a orientação da estrela, prudentemente desejavam consultar também os intérpretes vivos da vontade de Deus. E foi assim que a estrela se retirou por um tempo, como que obrigando-os a procurar os escribas. Pois é vontade de Deus que os homens sejam ensinados a encontrar o caminho da salvação por meio dos homens e doutores que Ele próprio indica.

O número de Magos

Seriam três, de acordo com as três espécies de presentes que ofereciam: ouro, incenso e mirra (Santo Agostinho, Serm. 29 e 33, de tempore). A tradição piedosa dos fiéis favorece a mesma opinião, e a Igreja a introduz no ofício da Epifania. São Beda, no início de sua Collectanea, assim os nomeia e descreve: "O primeiro foi Melchior, ancião de cabelos grisalhos, barba longa e abundante, que ofereceu ouro ao Rei Senhor. O segundo foi Gaspar, jovem, imberbe e rubicundo, que honrou a Deus pelo incenso, uma oblação digna da divindade. E o terceiro Baltasar, de pele escura e barba cerrada, que pela mirra significou que o Filho do Homem deveria morrer para a salvação dos homens".

Os magos foram homenagear o rei dos judeus que acabara de nascer

É preciso ressaltar a fé e a grandeza da alma dos Magos, que em uma cidade real procuravam outro rei, em vez do monarca reinante, sem temer a ira e o poder de Herodes, porque confiavam em Deus.

É provável que alguns outros, além dos Magos, tenham visto a estrela. Pois, se ela era grande,

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