Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 30-31
| OS REIS MAGOS E A ESTRELA DE BELÉM | (continuação)

brilhante e visível para eles, por que não o seria para outros? Deus quis que Cristo fosse conhecido por todo o mundo. Ainda assim, ninguém seguiu a estrela com os Magos, tanto por não lhe entenderem o mistério, quanto por causa dos cuidados mundanos. Aprendemos assim quão necessária é a graça poderosa e eficaz para buscar a Cristo. A respeito disso nos admoesta São João: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair" (Jo. 6, 44). O eclipse do sol, que ocorreu durante a Paixão de Cristo, foi visto em Atenas por São Dionísio Areopagita, e ele se converteu posteriormente ao saber que o eclipse fora no mesmo dia e hora da crucifixão de Nosso Senhor.

O autor da Obra imperfeita sobre São Mateus, citado por São João Crisóstomo, afirma que, depois da Ressurreição de Cristo, o Apóstolo São Tomé foi ao país desses Magos, batizou-os e os associou à obra da pregação do Evangelho. Não poucos exegetas afirmam que esses Magos, enquanto pregavam a Cristo, foram mortos pelos idólatras e ganharam a coroa do martírio. Eles se ofereceram a si mesmos em holocausto a Cristo, como ouro, incenso e mirra. Em sua Crônica, L. Dexter diz que "na Arábia Feliz, na cidade de Sessânia, ocorreu o martírio dos três santos Reis Magos, Gaspar, Melchior e Baltasar". De Sessânia seus restos sagrados foram trazidos para Constantinopla, de lá para Milão, e de Milão para Colônia, onde são venerados por grande concurso de fiéis.

A estrela que era do Rei dos judeus

A estrela era do Rei dos judeus, isto é, de Cristo ou Messias recém-nascido. Parece que daí essa estrela estendeu seus raios com maior comprimento e brilho na direção de Judéia - da mesma maneira que os cometas alongam suas caudas em direção a tal ou tal país - para que os magos entendessem que deveriam ir em direção da Judéia, onde o Messias nasceria. Sabiamente diz São Gregório: "Todos os elementos testemunharam que seu Criador havia chegado. Os céus O reconheceram como Deus, e assim enviaram sua estrela. O mar O reconheceu, sentindo-O andar sobre suas ondas. Quando de sua morte, a Terra O reconheceu pelos terremotos. O sol O reconheceu ocultando seus raios. E também as rochas e as pedras ao se romperem. O inferno O reconheceu, ejetando os mortos que continha. Contudo, Aquele a quem os elementos inanimados sentiram ser o Senhor não foi reconhecido como Deus pelos corações dos judeus incrédulos" (Hom. 10).

Os Magos, ao verem a estrela, souberam que Cristo havia nascido

Balaão havia profetizado a respeito: "Nascerá uma estrela de Jacó" (Num. 24, 17). Mas os Magos eram sucessores de Balaão, e também sabiam por meio da Sibila que essa estrela era precursora de Cristo. Essa é a opinião de São Basílio, São Jerônimo, Orígenes, São Leão, Eusébio, Próspero, São Cipriano, Procópio e outros. Donde Suetônio (De vita Caesarum, Vespasianus) e Cícero (lib. 2, de Divinat., e Orosio, lib. 6, c. 6) dizerem que era então uma crença geral que um rei surgiria da Judéia e teria um domínio universal.

Provavelmente por um instinto e uma revelação divina, inspirados por um dom celestial, "eles ouviram uma língua do céu dizer-lhes que Cristo nascera na Judéia. E assim seguiram a estrela até Belém e o berço de Cristo" (Santo Agostinho, Serm. 2 de Epiph.). Com efeito, o brilho e a majestade da estrela de tal modo eram grandes, que os Magos entenderam que ela pressagiava algo divino, isto é, a vinda de Deus encarnado, como lhes inspirou o Espírito Santo.

O semblante divino de Cristo menino lançava um raio de luz celestial que iluminava os olhos, mas sobretudo a mente dos Magos, de modo que eles percebessem que aquele recém-nascido não era um mero homem, mas o Deus verdadeiro. Pois, como diz São Jerônimo comentando o nono capítulo de São Mateus: "O esplendor e a majestade da divindade oculta, que brilhava mesmo em seu rosto humano, foram capazes de atrair imediatamente aqueles que O contemplavam".

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