Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 428 | página 12-13
| PC ALEMÃO |

Bases do PC alemão a suas cúpulas: mintam menos!

Benno Hofschulte,
nosso correspondente

FRANKFURT – O Partido Comunista Alemão (DKP), da Alemanha Ocidental, realizou, em fins de abril deste ano, em Hamburgo, seu 8º Congresso Nacional. Os grupos regionais, urbanos e de bairro, do Partido, enviaram, com antecedência, sugestões que o encontro deveria analisar e publicar.

M citações abaixo foram extraídas do livro de propostas vindas dos grupos de toda a Alemanha, e revelam as preocupações e dificuldades que as bases do Partido encontraram no seu trabalho capilar de atrair e convencer novos aderentes.

Em termos não muito velados, eis o que as bases do PC querem de suas cúpulas: deixem de mentir escancaradamente na propaganda que fazem do comunismo. Pois tais mentiras estão sendo contraproducentes. Vejamos:

O grupo de bairro de Munique-Moosach sugere: "Os propósitos de paz dos países socialistas tornar-se-iam muito mais claros se também fossem mostrados os problemas que se põem para o socialismo na manutenção do equilíbrio militar; e se o desenvolvimento dos países socialistas não fosse apresentado em tonalidade tão cor-de-rosa".

Do grupo de bairro de Colônia, Centro-Velho Sul: "Nós somos a favor de uma maior objetividade na apresentação dos méritos da União Soviética e não dos constantes aplausos e ovações, sejam quais forem as palavras nas quais estão envoltos".

Grupo de bairro Heidelberg-Sul: "Uma avaliação realista da situação dos países que vivem o socialismo real obriga, segundo nos parece – não só tendo em vista uma argumentação fidedigna no país em que vivemos – a não ignorar simplesmente os reveses evidentes, como por exemplo, os que pudemos observar nos últimos anos na Polônia".

O grupo de Dortmund-Dorstfeld a propósito da alegada "crescente podridão do imperialismo" capitalista, diz: "Se não nos for dada a definição de Lenine sobre esse processo, essa afirmação é fraseado oco para muita gente, que a rejeita como não tendo base na realidade social em que vivem. Por isso pleiteamos que se desista de usar o termo 'podridão'".

Sobre o mesmo termo, sugere o grupo de Singen: "Essa afirmação nos soa muito batida".

O grupo de Furstenfeldbruck assim se exprime sobre os problemas do meio ambiente: "Os problemas ecológicos nos países socialistas deveriam ser apresentados abertamente".

O grupo de Barmbeck-Sul: "Renovadamente afirmamos que, em vista do acirramento da luta ideológica, cresce evidentemente a importância do trabalho filosófico-ideológico. Não conseguiremos, no entanto, satisfazer essa exigência com formulações patéticas e empoladas, compostas sobretudo para atingir e convencer os outros, mas única e exclusivamente com argumentos claros e evidentes, e com fundamentações concludentes, expressas em linguagem clara e inteligível para a maioria de nossa população".

"Ao falarmos de nós mesmos, ou sobre os países socialistas, logo derrapamos para formulações patéticas e idealizadas, que facilmente podem ser interpretadas como um auto-incensamento".

Como se vê, as bases do PC alemão não têm ilusões sobre a propaganda feita por suas cúpulas. Se os PCs no Brasil não fossem um mero produto de laboratório, e tivessem bases, o que diriam estas a suas cúpulas?


Página 12-13 | NOVA ZELÂNDIA |

Nova Zelândia: visão de conjunto da "terra da longa nuvem branca"

Phiip A. Moran

O monte Cook, o mais elevado e conhecido da Nova Zelândia, reflete-se nas águas do lago do Parque Nacional do mesmo nome.
Rua central de Auckland.

A NOVA ZELÂNDIA, pequena nação formada principalmente por duas ilhas situadas no Pacífico Sul, muito próximas à Austrália, certamente não constitui objeto de atenção especial do público brasileiro. E isto se explica facilmente em face da enorme distância que separa nosso país do outro extremo do planeta, além das escassas relações existentes entre o Novo e o Novíssimo Mundo.
Nos dias que correm, entretanto, estando o globo praticamente dividido entre duas ideologias socioeconômicas conflitantes, ou seja, a que prevalece no mundo livre e a dominante na esfera comunista, a localização estratégica de um país tem papel sumamente importante, sobretudo se considerarmos a possibilidade, sempre presente, de um choque militar entre as duas áreas de influência. Encarada a realidade sob tal prisma, torna-se compreensível a crescente importância da Nova Zelândia. Representará grave perigo para a estabilidade do bloco ocidental, se a Rússia e seus satélites intensificarem sua influência no arquipélago neozelandês, que ocupa posição altamente estratégica no Pacífico Sul.
Assim sendo, pareceu conveniente a "Catolicismo" publicar um primeiro artigo acerca desse país, bem pouco conhecido do público brasileiro. A presente colaboração foi enviada por um amigo nosso lá residente, o qual apresenta sintética mas clarividente descrição da situação reinante naquele estratégico arquipélago da Oceania.
Um segundo artigo será estampado em próximo número de "Catolicismo", abordando a política de aliança da Nova Zelândia com a Austrália e Estados Unidos – conhecida por ANZUS -, bem como a questão do movimento pacifista no país, a qual vem afetando sobremaneira a mencionada aliança.

WELLINGTON – O primeiro europeu a visitar a Nova Zelândia foi o holandês Abel Janszoon Tazman, em 1642, o qual partira de sua pátria com dois navios em busca do famoso Continente Austral.

Ele bordejou do sul para o norte a costa ocidental das duas ilhas maiores e chegou a penetrar no estreito que divide a Nova Zelândia em duas ilhas, imaginando tratar-se de uma baía.

A verdadeira baía, contígua ao estreito, e os montes que nela se banham, têm hoje o seu nome. Contudo, o estreito recebeu sua denominação em homenagem a Cook, navegador inglês que ali esteve em 1769.

James Cook circunavegou ambas as ilhas, mapeou-as de forma muito precisa e conseguiu estabelecer os primeiros contatos com os nativos, os índios polinésios maoris.

O holandês Tazman chamou a região de "New Zeeland" – "nova terra do mar" – enquanto os nativos a denominavam "Aotearoa" – "terra da longa nuvem branca".

Rico em belezas naturais, a Nova Zelândia é um país em que as montanhas se elevam a altitudes superiores a 3.000 metros, precipitando-se depois abruptamente no mar. De tempos em tempos, vulcões entram em erupção, com força devastadora. Toda a costa das ilhas é coberta por belas areias douradas, que enobrecem admiravelmente o panorama.

A vegetação é diversificada, incluindo a selva úmida, com árvores centenárias altíssimas e camadas de musgo que cobrem o solo. Nas escarpas dos rochedos sobrevivem, apesar dos impiedosos ventos e do frio, pequenas e delicadas plantinhas silvestres. Encontram-se também zonas desérticas.

O cenário ainda é enriquecido pela presença do impressionante número de 75 milhões de ovelhas, que lhe confere um tônus bucólico e poético.

A colonização europeia só se tornou mais acentuada em meados do século passado, a partir do Tratado de Waitangi, mediante o qual o Reino Unido estendeu seu protetorado àqueles territórios e nomeou-lhes um governador.

Com a descoberta do ouro, em 1841, na ilha do Sul, houve uma inevitável corrida às minas por parte de aventureiros e especuladores de toda espécie, tomando grande impulso a imigração.

Por volta do ano de 1870, 62% da população do país habitava a ilha do Sul.

A ilha do Norte só se povoou mais tarde, quando a floresta primeva foi posta abaixo e os rebanhos a substituíram.

Hoje em dia a ilha do Norte, com sua pecuária e indústria manufatureira, é francamente mais desenvolvida do que a do Sul, abrigando mais de 70% da população. Grande número de maoris aglomera-se atualmente em torno de Auckland, cidade fundada em 1841.

Os desmandos dos brancos aventureiros, a discriminação racial tão da índole da colonização protestante, e ainda outros fatores, provocaram duas guerras maoris no século passado, cuja deflagração tornou-se possível devido à venda de armas de fogo aos canibais, efetuada por traficantes brancos inescrupulosos.

Panorama religioso

As práticas religiosas mais habituais são as de várias seitas protestantes, havendo também um número considerável de católicos. Os nativos maoris, ao que parece, não foram convenientemente evangelizados, mantendo, em geral, até nossos dias, muitas crenças e costumes de sua religião primitiva.

Mediante o censo realizado em 1981, constatou-se que o número somado de católicos e dos adeptos dos três maiores grupos protestantes – anglicanos, presbiterianos e metodistas – tinha caído de 2.133.827 para 1.943.331, desde 1976.

Os que mais regrediram foram os anglicanos. Os números comparativos são os seguintes: 1976 – Igreja da Inglaterra (anglicana), 29,2%; Presbiteriana, 18,1%; Católica, 15,3; Metodista, 5,5%; Batista, 1,6%. – 1981 – Igreja da Inglaterra, 25,7; Presbiteriana, 16,7; Católica, 14,3; Metodista, 4,7; Batista, 1,6.

Esse declínio foi atribuído, em parte, à chamada renovação carismática e ao surgimento de novas "crenças".

O mais notável crescimento observou-se nas Assembleias de Deus, que em 1956 possuíam somente 747 seguidores, alcançando, nos últimos cinco anos, um aumento de 124,6%. A continuar essa tendência, prevê-se que os adeptos desta seita serão aproximadamente 300 mil almas no final do século.

Outras confissões religiosas também cresceram, como por exemplo a igreja Ratana, as Testemunhas de Jeová, a igreja dos Santos dos últimos Dias. Destas, a Ratana e a dos Santos dos últimos Dias mantiveram a maior proporção de crescimento em 25 anos, e em suas fileiras encontra-se o maior número de maoris.

O número de não-crentes também aumentou, e os últimos números conhecidos são: agnósticos (24.000); pessoas sem religião (168.000) e ateus (22.000).

Desde o início da colonização europeia, houve certo número de judeus, seguidos pelos hinduístas.

O programa de renovação carismática recebe infelizmente total apoio da Hierarquia católica na Nova Zelândia. Tal programa vem sendo promovido em todas as dioceses do país, com grande alarde.

Entretanto, sua receptividade junto aos fiéis é fria, pois muitos veem o movimento carismático como um incentivo à protestantização da Fé católica. Há também os que identificam a renovação carismática com comunidades cristãs de base.

De qualquer forma, percebe-se o desejo de esquerdizar a Igreja, por parte de seus altos representantes, a fim de levar os católicos a assumir determinada posição perante os assuntos políticos candentes do país.

Nota-se também uma acentuada tendência ecumênica com o fito de misturar os católicos com adeptos de outros credos. Nesse sentido, já se estuda um serviço conjunto de culto entre católicos e anglicanos. E até se chegou a fazer a proposta da ordenação de mulheres e homens casados,

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