CATEDRAL DE COLÔNIA: VESTÍBULO DO CÉU
Fachada da catedral de Colônia e nave central do magnífico templo gótico.
COLÔNIA! É sobretudo devido a sua imponente catedral que o nome desta cidade alemã, às margens do Reno, deixa recordações no espírito dos que a visitam. Nada representa Colônia tão bem quanto esse famoso templo gótico.
Ele se ergue dominante, esplendoroso, magnificente!
Dizer isto, na verdade, exprime pouco do que se passa no mais fundo da alma de um peregrino que o contempla. Ele é um fruto genuíno da Santa Igreja Católica: maciço em sua base, como uma fortaleza, alça-se, com suas torres, tão alto, que parece querer voar e tocar o firmamento. Tudo nele é solidez a remeter para o céu!
Ao transpor seus magníficos portais, tem-se o desejo de repetir as palavras de Clóvis a São Remígio, ao entrar na igreja de Santa Maria, em Reims, para ser batizado.
Ali, tocado pela beleza e riqueza que ornavam o interior do templo, o rei dos francos perguntou: "Santíssimo Pai, é aqui o Reino de Deus que vós me haveis prometido? – Não, – respondeu-lhe o santo Bispo – é o começo do caminho que a ele conduz".
A beleza interior da catedral de Colônia, a sucessão harmoniosa das ogivas góticas, a delicadeza dos vitrais, o esbelto das colunas gigantescas, eleva a alma num movimento do espírito análogo ao do olhar possantemente atraído para o alto. Sua imensidão tão bem proporcionada encanta além de tudo o que se possa imaginar.
Atrás do altar-mor, com toda a honra e dignidade próprias a tão impressionantes relíquias, encontram-se os restos mortais dos gloriosos Reis Magos que, guiados pela estrela de Belém, tiveram o privilégio de visitar e adorar o Menino Deus tão logo Ele nasceu.
O visitante sente a alma jubilosa, reconfortada pela paz e recolhimento interior. Sente-se pequeno e humilde, mas amparado diante de tanta grandeza, reflexo da grandeza de Deus. Sente ao mesmo tempo sua infinita majestade e sua paternal proteção.
A Providência Divina acompanha os passos de cada filho nesse vale de lágrimas, tal como a luz daqueles altos vitrais desce até ele e suavemente o encanta com seu esplendor: o inacessível vem tocá-lo, atraindo-o a si.
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Transcorreram anos e séculos até ser concluída essa maravilha no século passado. Quantos acontecimentos se passaram diante dela e quantos ainda se passarão...
Tendo começado a ser construída no século XIII – fase final do apogeu da Idade Média –, sobreviveu à sua decadência, testemunhando crises, revoluções, guerras, glórias e derrotas da civilização cristã, durante esse longo período em que se afanaram os homens distanciando-se de Deus.
Todas essas impressões e reflexões veem à mente do peregrino, alheando-o, ainda que por instantes, das cogitações deste século turbulento.
E no final de todas elas, seu espírito é propenso a exclamar: ó grandiosa obra-prima gótica, ó vestíbulo do Céu!