sugestão esta que partiu do Conselho Pastoral da Diocese de Auckland.
Como se vê, é o progressismo que vai penetrando na Nova Zelândia como por toda parte, fazendo suas devastações.
Grupos raciais e étnicos
Há várias lendas sobre a origem da primeira população da Nova Zelândia, sendo a mais popular delas a que narra ter sido um polinésio chamado Kupe o primeiro homem a chegar às ilhas.
Foi ele – de acordo com a tradição local – quem deu o nome "Aotearoa" à terra recém-descoberta. Encontrando-a desabitada, Kupe retornou a Hawaiki, localizada, segundo vários indícios, na Polinésia Ocidental – a legendária terra natal dos maori -, a partir da qual começaram as ondas migratórias à nova terra.
Os maoris inicialmente povoaram a ilha do Norte; cultivavam como supremos valores o "mana" (prestígio), o "tapu" (santidade) e o "utu" (vingança).
O canibalismo era praticado por eles, especialmente após as batalhas, na celebração da vitória.
Da atual população das ilhas, 3 milhões de habitantes, 90% é de ascendência europeia: ingleses, escoceses, iugoslavos, holandeses e australianos. Os maoris representam apenas 8% da população total.
Sob os conhecidos pretextos de autodeterminação e de preservação da cultura, além de outros, tem-se intentado articular um movimento de agitação interna, visando criar conflitos entre maoris e brancos. Esse movimento é bafejado – como em vários outros países do mundo – por forças interessadas em desagregar os restos de civilização cristã que ainda subsistem no mundo caótico de nossos dias.
Uma líder do movimento pró-independência maori é Donna Awatere que, no livro "Soberania Maori", afirma estar seu povo engajado numa guerra épica, a qual assume grandes proporções na medida em que o passado é revelado.
Afirma ela: "A guerra começou há 140 anos. O estilo de batalha e seu lugar mudaram. Entramos em nova fase".
Repetindo o que outro líder racial – este da Nova Caledônia – disse acerca da presença dos brancos em seu país, Donna Awatere afirma: "O branco é hóspede em meu país".
Portanto, há forças interessadas em criar animosidade por parte da minoria maori contra os brancos.
Lamentavelmente, também na Nova Zelândia certos elementos dos meios católicos estão comprometidos com esse movimento racial de cunho rebelde.
Assim, em artigo estampado na publicação católica "Family Living" (março/85), um tal Dr. Bob Moore afirma: "Sou obrigado a admitir que, como branco, pertenço a um sistema que concentra o poder e a autoridade em mãos brancas. Observo nossa Igreja Católica neozelandesa e vejo que grande parte do poder repousa em mãos de homens brancos, ainda que um em cada cinco católicos de Auckland seja maori. Quanto desejo temos nós de permitir aos católicos maoris conduzir sua própria canoa e celebrar sua própria identidade católica maori".
Panorama político
O edifício do Governo neozelandês, em Wellington, é uma das maiores estruturas de madeira do mundo. Edificado em 1876, suas linhas obedecem ao estilo da arquitetura tradicional dos prédios oficiais britânicos, em voga no século passado.
Edifícios do Parlamento, na capital neozelandesa, que apresentam forte contraste: o de estilo clássico opõe-se ao de estilo moderno, o qual é denominado "Beehive" (Colmeia).
Por pertencer à Commonwealth, a Nova Zelândia reconhece como Chefe de Estado a Rainha Elizabeth II da Inglaterra, cabendo à coroa inglesa a nomeação do governador-geral da ilha.
Seu sistema de governo é parlamentarista. As últimas eleições foram realizadas em julho de 1984, subindo ao poder o Partido Trabalhista (Labour Party), o qual conquistou 56 assentos no Parlamento, enquanto o Partido Nacional (National Party) obteve 37, e o Partido de Crédito Social (Social Credit Party) apenas 2.
A posição preponderante no Partido Trabalhista é a liberal e pragmática. Há, porém, em seu seio, alas mais extremadas, destacando-se entre elas o chamado Partido de Unidade Socialista.
Embora conhecido com esse nome, não possui representatividade parlamentar, nem é legalmente constituído, sendo apenas um grupo radical dentro do atual governo trabalhista. Minoritário, este agrupamento esquerdista tem, entretanto, grande influência na política seguida pelo "Labour", e seu claro objetivo é promover a dominação da Nova Zelândia pelo comunismo.
A maior força política da oposição é o Partido Nacional, que apesar de apresentar-se com tintas conservadoras, deixou o país em péssimas condições econômicas por ocasião de seu período de governo, no mandato anterior.
O Partido de Crédito Social afirma ser uma alternativa entre o socialismo e o capitalismo dito selvagem, e conta com grande apoio da imprensa.
Há ainda outro partido, sem representatividade parlamentar, o Partido da Nova Zelândia que, no dizer de seu líder, propõe-se a ser o partido da classe trabalhadora.
A imprensa neozelandesa
Na principal cidade da ilha do Norte – Auckland – há dois grandes órgãos de imprensa: o diário matutino "New Zealand HeraId", considerado de posição conservadora, e o "Auckland Star", vespertino liberal que apóia o governo trabalhista.
Wellington, capital da Nova Zelândia, possui igualmente dois jornais de expressão, o "The Dominion" e o "New Zealand Times", sendo este último considerado o mais conservador.
Quanto à imprensa religiosa, cabe ressaltar duas publicações católicas de circulação nacional. Uma é o "The Tablet", de orientação tradicional e conservadora, que deixou de receber apoio oficial da Hierarquia. Outro – o "Zealandia" – é considerado extremamente progressista, recebendo, infelizmente, total apoio do Episcopado.
O edifício do Governo neozelandês, em Wellington, é uma das maiores estruturas de madeira do mundo. Edificado em 1876, suas linhas obedecem ao estilo da arquitetura tradicional dos prédios oficiais britânicos, em voga no século passado.
Edifícios do Parlamento, na capital neozelandesa, que apresentam forte contraste: o de estilo clássico opõe-se ao de estilo moderno, o qual é denominado "Beehive" (Colmeia).
| DÉTENTE |
Os Estados Unidos armam a China comunista
SEGUNDO o "Washington Post" de 31 de outubro último, o Congresso norte-americano liberou a venda de 98 milhões de dólares de equipamento militar para a China comunista.
Encorajadas pela nova "détente" promovida por Reagan, várias companhias privadas já haviam vendido à China equipamento civil utilizável para fins militares, como helicópteros Sikorsky; mas agora foi feita a primeira transferência de equipamento e tecnologia militar de governo a governo.
Essa primeira venda refere-se especificamente a equipamento para modernizar as fábricas chinesas de munição de artilharia. Mas ela abre campo para futuras operações com equipamentos sofisticados, como mísseis e radares de defesa antiaérea.
Esta inclusão da China comunista no programa de "Vendas Militares ao Exterior" do governo norte-americano marca uma profunda mudança na política dos Estados Unidos com relação à ditadura chinesa, precisamente no momento em que o governo de Pequim está engajado numa política de maior aproximação e amizade com Moscou.
Por incrível que possa parecer, a razão que Reagan excogitou para defender sua venda de armas à China comunista é que tal política "fortalece a segurança dos Estados Unidos"...
Agruras do consumidor soviético
EM NOSSA EDIÇÃO de novembro do ano passado (n° 419), apresentamos matéria inédita no Brasil, extraída diretamente do "Pravda", órgão oficial do Partido Comunista soviético, e do "Izvestia", diário do governo do Cremlin. Esse noticiário já então atestava quão crítica é a situação na qual vai imergindo a Rússia.
De fato, os dois principais órgãos da imprensa daquele país enumeram tantas reclamações, queixas tão variadas de indivíduos e até de organismos governamentais, que se pode concluir: a produtividade e a eficiência do sistema econômico soviético tendem a uma situação caótica.
Confirmando aquele estado de desorganização econômica da Rússia, pareceu-nos oportuno reproduzir neste número um noticiário publicado pelo "Pravda", em sua edição de 22 de fevereiro último.
Vejamos o que os infelizes consumidores soviéticos têm que suportar da parte dos balconistas do comércio estatal; e também a categoria "sui generis" de produtos a eles imposta por um sistema econômico que esquerdistas brasileiros teimam, apesar de tudo, em ver implantado em nossa Pátria.
Segue tradução da notícia.
A mercadoria ama o desvelo
A INSENSATEZ e o formalismo na organização do comércio e a carência cada vez mais sensível de artigos bons, resistentes e bonitos tornam o balconista indiferente, desatencioso e desrespeitoso em relação ao comprador. O tédio, a indiferença de alguns vendedores, a arrogância, a grosseria e a crueldade de outros, são as consequências diretas dos defeitos da administração do comércio. Julgue você mesmo.
As tarefas para a seção de Tsum (armazém em Duchamb, capital do Tadjikistan), são estabelecidas de acordo com a estação do ano. Se não se está na estação do ano na qual você é encarregado, sente-se e boceje. Se chegou a sua estação do ano de trabalho no comércio, esforce-se.
T. Mukimob, diretor do armazém, simplesmente explica: "Não se pode transportar as mercadorias de uma seção para outra, assim como não se pode transportar os vendedores (de uma seção para outra)".
E na realidade isto (tais transferências de mercadorias e vendedores) não é simples de fazer. Caso se façam, serão infringidas não só as especializações, mas também uma série de instruções, não contribuindo de nenhum modo para a ajuda mútua entre os trabalhadores, nem para o largo desenvolvimento das profissões do mesmo ramo, e nem para o trato atencioso das pessoas entre si, nesta esfera.
Não é segredo que alguns armazéns da República acima referida e em particular da capital, não confiando no comprador, limitam com empenho o acesso (do público) às mercadorias por meio de toda sorte de barreiras, feitas de correntes, cordas ou cordões que permitem a passagem somente de 5 a 10 pessoas.
Se você vai escolher um vestido para a sua filha, o guarda invariavelmente lhe barra o caminho, e é preciso provar que (a filha) veio junto por causa da compra...
Atualmente também outros líderes do comércio estão convencidos da necessidade destes dispositivos de limitação e contenção, entretanto, ofensivos às pessoas. E, de acordo com a opinião deles, é indiferente que haja deficit, interceptação (de pessoas), ou que as mercadorias permaneçam muito tempo na estante.
– Para quem elas servem? – pergunta o diretor V. Kremniavka, do Tsum (armazém). E mostra os artigos feitos em Leningrado e Kanibadan. Depois de 20 dias, não se vendeu nenhum vestido. O preço já baixou várias vezes, e mesmo assim não se vende.
Na realidade, quem quer vestir-se com essas roupas horríveis? A direção e os técnicos da fábrica queixam-se da falta de guarnições, fivelas e botões de boa qualidade e de emblemas reluzentes. Porém será possível que isto justifique a mercadoria defeituosa que enche as nossas prateleiras? Até 20% dos artigos de costura do Ministério da Indústria local da República do Tadjikistan são defeituosos. Dez entre trinta indústrias do Ministério da Indústria Leve (que foram) examinadas toleram continuamente infrações das leis do comércio e das condições técnicas.
Artigos defeituosos também foram apresentados em uma conhecida exposição de Duchamb. Há o caso das tristemente famosas calças com uma perna de cada cor, feitas na oficina da indústria avançada pertencente ao Ministério da Indústria Leve daquela República, empresa denominada "50 anos de URSS".
É o único caso? Junto com S. Tursunmatov (diretor da seção do comércio da indústria de mercadorias da República de Tadjikistan) fomos visitar a indústria. Orgulhosamente nos mostraram as coisas bonitas. Após termos admirado os modelos, fomos ver a linha de produção.
Ali arrefeceu-se o entusiasmo. Ao acaso, tiramos um terno do cabide e vimos nele um defeito grave.
O. Latifi, correspondente do "Pravda"