Efeito trágico nas crianças
Essa feiura deliberada encaixa-se de maneira perfeita no espírito ideológico atual, que busca erradicar as tradições cristãs e destruir símbolos. A beleza cristã contraria e desafia o wokismo, pois uma estátua da Virgem, um retábulo gótico ou um presépio tradicional despertam nas almas uma luz que o espírito do mundo deseja extinguir. A beleza é substituída pela neutralidade; o sagrado pela abstração; a encarnação pela geometria. Um presépio que deveria refletir “inclusão”, paradoxalmente se torna a maior exclusão: a humanidade é excluída; a alegria é excluída; a infância é excluída; Deus é excluído.
Um presépio maometanizado?
O Islã nega a divindade de Jesus Cristo, que equipara a uma forma de idolatria. Alá pode fazer qualquer coisa, exceto assumir a forma humana. Um abismo intransponível o separa de suas criaturas: ele é para sempre inalcançável, sem nome ou rosto. Quando Maomé conquistou Meca, seu primeiro ato foi destruir os ídolos venerados na Caaba. Esse edifício, agora vazio de todas as representações, tornou-se o local mais sagrado do Islã.
Desde suas origens, o Islã tem sido profundamente iconoclasta. Proíbe a representação de feições humanas, e ainda mais as dos profetas (inclusive Isa, Jesus, a quem considera um deles), temendo que qualquer figuração leve à idolatria. Em Hagia Sophia, outrora um dos santuários mais sagrados do cristianismo, os últimos mosaicos da Virgem com o Menino foram ocultados sob pesadas cortinas, a pedido do presidente Erdogan, ansioso por evitar qualquer “idolatria” em local que havia se tornado novamente um lugar de culto islâmico. No Ocidente, os salafistas chegam a incentivar a venda de bonecas sem rosto para crianças.
O presépio em Bruxelas é fundamentalmente anticristão. Por outro lado, é compatível com o Islã. Como não ver, nessas efígies sem rosto expostas na Grand-Place, um ato implícito de submissão às redes islamistas muito ativas na capital belga? Aproximadamente um terço dos habitantes de Bruxelas são agora muçulmanos, e o Islã poderá se tornar a religião majoritária na cidade em menos de uma década. Os movimentos mais radicais estão firmemente estabelecidos lá, particularmente em Molenbeek, a um passo da Grand-Place.
O aspecto mais trágico talvez seja o efeito desse “presépio” nas crianças, pois num presépio sem rosto o amor não é mais possível. Como uma criança poderia reconhecer Jesus, se sua imagem não tem olhos? Como poderia sentir ternura materna, se a imagem ‘de Maria’ não tem rosto? Como poderia amar a Sagrada Família, se ela é representada como uma série de manequins mudos?
Ao invés de despertar a inocência infantil, esse Natal a perturba. Não é mais a luz de Belém, é um crepúsculo abstrato. Não é mais a doçura da Natividade, é uma frieza que gela a alma. Uma criança que o contempla não recebe a mensagem de amor que a Sagrada Família deveria transmitir. Pelo contrário, recebe uma mensagem de indiferença, neutralidade e apagamento do elemento humano. Já não se trata de presépio, mas de um manifesto ideológico! Sob o pretexto de praticar a inclusão, ele exclui a infância, a alegria, a humanidade e o próprio Deus.
Profanação do mistério da Encarnação
Os católicos não pedem exibições luxuosas ou sofisticadas, simplesmente pedem que o presépio permaneça a humilde e sublime proclamação de que Deus assumiu rosto humano para salvar a humanidade. Um presépio sem rosto é negar o Natal, negar a humanidade, negar Deus.
Se alguém nos disser que estamos exagerando, lembremos que o demônio nunca precisou de escancarada profanação para agir, bastam-lhe muitas vezes a indiferença, o vazio, a ausência. O mal prospera nas formas sutis da blasfêmia.
Diante disso, cabe a nós dizer ‘não’ a essa profanação do mistério da Encarnação, a essa dissolução da Encarnação! Cabe a nós defender a beleza, a fé, o Natal — este Natal que pertence aos nossos filhos, às nossas famílias, às nossas tradições; e sobretudo Àquele que nos deu seu rosto: o Menino Jesus.
Papel do rosto na arte sacra
Na arte cristã, sobretudo medieval, o rosto ocupa lugar central e sagrado. É o lócus da revelação, o espelho da alma, o ponto de contato entre a humanidade e Deus.
Os ícones bizantinos, desde os primeiros séculos, não buscavam representar uma semelhança fotográfi-