Paulo Roberto Campos
Um acontecimento sem precedentes na América do Sul deixou pasmo o mundo inteiro: Na madrugada do dia 3 de janeiro, Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores foram capturados ‘em pijamas’, dentro de seu próprio território. Houve por toda parte manifestações comemorativas.
O ditador venezuelano temia uma invasão americana, e passava seu tempo mudando de lugar, de um esconderijo a outro. Militares americanos, sem enfrentar grandes dificuldades, retiraram o casal de seu aposento tido como ‘inexpugnável’, dentro do próprio Fuerte Tiuna — o maior complexo militar do país, no sul de Caracas, com túneis e bunkers, abrigando também o ministério da defesa, comandos militares e paiol de armas.
O casal foi levado facilmente para os Estados Unidos, a fim de ser julgado por crimes de narcoterrorismo, tráfico de cocaína e porte de armas de guerra. Graves delitos, evidentemente, mas seu principal crime foi “cubanizar” a Venezuela, transformando um dos países mais ricos em um dos mais pobres.
Supremacia americana
O governo americano havia oferecido várias saídas para Maduro, desde que renunciasse à presidência. Inicialmente o ditador impôs condições, mas inaceitáveis. Depois, não aceitou renunciar.
Donald Trump ordenou o ataque à Venezuela, com membros de elite da Força Delta do Exército americano. Segundo uma fonte do jornal The New York Times, serviços de inteligência da CIA, infiltrados no governo venezuelano, monitoravam a localização de Maduro e conheciam todos seus esconderijos, passos e hábitos.
A ação militar foi precisa. Em apenas duas horas, foram bombardeados lugares estratégicos, de onde eventualmente poderiam partir contra-ataques. Depois ocorreu, em apenas alguns minutos, a investida de captura,
não encontrando resistência significativa. A operação foi executada com derramamento mínimo de sangue, sem nenhuma baixa entre militares americanos.
Surpreendidos, os militares venezuelanos e cubanos foram neutralizados. De nada valeram para a proteção de Maduro os ‘fortes’ esquemas montados por técnicos chineses e russos, com sofisticados radares e baterias antiaéreas destinadas a interceptar qualquer ataque; nem a proteção por 32 agentes comunistas cubanos, cujos cadáveres foram remetidos para Cuba no dia 15 de janeiro.
O esquema de defesa foi inútil, fracassado e vergonhoso. Uma humilhação, sobretudo para a Rússia e China, cujos sistemas de defesa demonstraram ser “gigantes com pés de barro”, quase nada em comparação com o poderio militar americano.
Como informou O Estado de S. Paulo (12-01-26), “os avançados sistemas de defesa aérea da Venezuela, fabricados pela Rússia, nem sequer estavam conectados ao radar quando os helicópteros americanos chegaram para capturar o ditador Nicolás Maduro. Segundo autoridades americanas, isso deixou o espaço aéreo venezuelano surpreendentemente desprotegido muito antes de o Pentágono lançar sua ação militar de captura”.
Por esses “avançados sistemas de defesa”, a República Bolivariana da Venezuela — como o país foi rebatizado por Hugo Chávez, quando assumiu o governo em 1999 — pagou em petróleo, só para a Rússia, 4 bilhões de dólares.
Há muitas incoerências nas atitudes do presidente Trump em relação à Venezuela. Só compreenderemos de modo claro a realidade quando proximamente virmos