Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 902 | página 20
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encanto inicial, para o jovem Peter Kreeft, foi a beleza arquitetônica da igreja. Mas ela se conjuga e se completa perfeitamente com a serenidade do canto gregoriano, a gravidade profunda do órgão, o latim milenar, os paramentos magníficos, o incenso que se evola pelos espaços, as obras de arte. A sacralidade e o pulchrum (belo) da Santa Igreja têm tudo isso, e muito mais. O mundo paganizado, vazio de sacralidade e beleza, afastou-se desse “mundo encantado” e acabou criando um vazio nas mentalidades. E agora, como peregrinos perdidos num deserto, muitos procuram ansiosamente a fonte de água viva.

São Tomás de Aquino escreveu extensamente sobre os transcendentais do ser: verum, bonum e pulchrum. Isto é, o verdadeiro, o bom e o belo. Cada um desses conceitos se reverte no outro, pois não há verdade que não traga consigo o belo e o bom, e assim sucessivamente. Os transcendentais se imbricam uns nos outros, apontando para sua fonte, que é o próprio Deus, Ser uno. Se a cultura católica é capaz de produzir algo tão belo como a Catedral de São Patrício, forçosamente será também possuidora da verdade e bondade.

O protestantismo, de si mesmo, não pode produzir algo “belo”, pois não possui a verdade. Se o protestante cria algo de belo nas artes, não terá sido por causa dos seus desvios na fé, mas por algum reflexo ou resíduo de catolicismo que, no recôndito de

sua alma, aponta para o maravilhoso. Daí também o motivo de não haver santos protestantes. A bondade (santidade) depende da verdade e do belo. Só existem santos católicos, portanto.

Sobre o “pulchrum” (o maravilhoso), Plinio Corrêa de Oliveira fez comentários cheios de entusiasmo. A partir da expressão “Lumen Christi” (Luz de Cristo), ele analisa a raiz desse pulchrum nas coisas católicas: “O Lumen Christi é um certo luzimento, uma certa luz que há em Nosso Senhor Jesus Cristo, e que é a luz de toda a sua Pessoa; e portanto, é a luz de sua natureza divina que transparece através de sua natureza humana; a qual tem também, além disso, outra luz por sua suma perfeição e retidão própria, enquanto natureza humana.”3

O Lumen Christi lança seu brilho sobre a Igreja e a civilização cristã, na medida em que refletem a Jesus Cristo: “Em seu ensino, em seu governo, em seu modo de ser, nas manifestações em que se exprime — litúrgicas, artísticas, culturais —, a Igreja tem uma forma de reluzimento que provém de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que por isso pode ser chamado Lumen Christi. Ela reina também na sociedade temporal — ou seja, na Cristandade — essa enorme família de nações.”4 Para termos um bom exemplo desse reluzimento na arquitetura não diretamente religiosa, basta mencionar a antiga Casa da Câmara (hoje Museu da

Catedral de São Patrício, em Nova York.
Igreja católica São Paulo, em Neuss, Alemanha.