tratassem como destinadas à vitória. Mas elas tinham “pés de barro”, como se pode patentear na vergonhosa guerra de invasão da Ucrânia. O comunismo precisava de um fogo novo e o procurava na impostação do Vaticano II. “O êxito dos êxitos alcançado pelo comunismo pós-staliniano sorridente — escreveu o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira — foi o silêncio enigmático, desconcertante, espantoso e apocalipticamente trágico do Concílio Vaticano II a respeito do comunismo. [...] A obra desse Concílio não pode estar inscrita, enquanto efetivamente pastoral, nem na História, nem no Livro da Vida. É penoso dizê-lo. Mas a evidência dos fatos aponta, neste sentido, o Concílio Vaticano II como uma das maiores calamidades, se não a maior, da História da Igreja”.23
O Cardeal partiu para o “exílio permanente”
Em junho de 1971, agindo em nome do Papa Paulo VI, Mons. József Zagon lhe impôs deixar a Hungria, com o Vaticano garantindo que seu “título de arcebispo
e primaz não seria afetado”. Mas lhe exigia que “não fizesse nenhuma declaração que ‘pudesse perturbar as relações entre a Sé Apostólica e o governo húngaro’”. O Cardeal “seria obrigado a manter suas Memórias em segredo; deixando seus manuscritos à Santa Sé em seu testamento”.24 Concomitantemente, o presidente dos EUA, Richard Nixon, fê-lo saber que “seria um hóspede indesejado na embaixada”. Então, o Cardeal deixou a Hungria em 28 de setembro de 1971.
Em Roma, Paulo VI o recebeu com gestos de apreço e elogios. Porém, no dia de sua partida de Budapeste, o jornal L’Osservatore Romano festejava que “se tivesse eliminado um obstáculo que dificultava as boas relações entre Igreja e Estado”.25 Isso posto, o Cardeal não quis ficar no Vaticano, mas radicar-se em Viena. Paulo VI despediu-o, dizendo: “O senhor é e continua sendo Arcebispo de Esztergom e Primaz da Hungria. [...] se tiver dificuldades, recorra sempre a nós com confiança”.26 Porém, em 18 de dezembro de 1973, o mesmo pontífice declarou vacante a arquidiocese primacial húngara, recusando todo pedido de reconsideração. Numa recusa motivada, mas categórica, o Cardeal declarou que não