assistiram à Santa Missa. Missionários e rabinos, padres e turistas ficavam muito surpresos quando lhes era negada a permissão de ver o ilustre ‘prisioneiro’.
Assim, passou durante 15 anos num asilo-carcerário com algumas comodidades. Mas sua mera existência atrapalhava a convergência do Kremlin com o Ocidente e com uma Santa Sé que mudava com o Concílio Vaticano II. O Cardeal Koenig, Arcebispo de Viena, por encargo dos Papas João XXIII e Paulo VI, foi visitá-lo várias vezes, oferecendo-lhe um cargo na Cúria romana, que ele sempre recusou porque significava abandonar seus fiéis húngaros e sua luta contra o regime comunista.
Aproximação com o comunismo dificultada
“Coexistência” e “distensão” tornavam-se “palavras mágicas” nos ambientes eclesiásticos e na política
internacional, mas a aproximação da Santa Sé com o Kremlin não podia progredir com o Cardeal Mindszenty prisioneiro. Cumpria afastá-lo da Hungria. Os dois Papas acima mencionados encomendaram essa tarefa a um hábil negociador, Mons. Agostino Casaroli, que nas suas Memórias19 descreveu como a diplomacia vaticana executou a vontade de Moscou.
Mons. Casaroli viajou várias vezes a Budapeste para tentar seduzir o Cardeal, percebendo já no primeiro encontro a censura no seu olhar, que parecia “uma lâmina de aço, inflexível, pronta ao choque sem exclusão de golpes com uma realidade igualmente determinada a não se deixar dobrar”. A conclusão lógica só podia ser um irremovível Delenda Carthago! Não havia outro caminho senão a eliminação do regime comunista.20 O Cardeal chegou a “ameaçar com a ideia de se entregar às autoridades húngaras, para retornar ao cárcere”, fato que teria desfeito a falsa distensão.
A vítima encerrada na embaixada americana prejudicava um dos mais caros objetivos do Concílio Vaticano II. Nele, Paulo VI bloqueou duas petições — a primeira subscrita por 213 Padres Conciliares de 54 países e a segunda por 450 Padres conciliares — rogando ao Concílio que condenasse o marxismo, o socialismo e o comunismo, profligando os erros e a mentalidade que preparam o espírito dos católicos para aceitar aqueles sistemas falsos.21
Em 2018, o Cardeal Joseph Zen, resistente ao comunismo na China, narrou que o Papa Francisco lhe confidenciou que não queria “que criassem outro caso Mindszenty!”. O Cardeal comentou: “Pode-se imaginar um acordo entre São José e o Rei Herodes?”. E perguntado pela imprensa se “acreditava que o Vaticano estava vendendo a Igreja Católica na China”, respondeu: “Sim, absolutamente”. O Cardeal Mindszenty, se vivo, não teria usado palavras diferentes.22
Silêncio enigmático do Concílio Vaticano II
No pós-guerra, as ideias comunistas não conquistavam as multidões —sobretudo as operárias e largos setores
da juventude —, embora a mídia, as elites políticas, o jet-set cultural e vastos ambientes eclesiásticos as
Mons. Agostino Casaroli