precisar”. Havia muitos anos que não chorava, mas naquele momento fê-lo abundantemente. A prisão foi inundada pelo povo que desejava tocá-lo, beijar sua batina e receber sua bênção. Viajou até Budapeste entre tanques soviéticos calcinados e duas alas de pessoas em festa. Os sinos reboavam, choviam flores e ele abençoou uma multidão ajoelhada diante do palácio arquiepiscopal.
Mas lá verificou que vigorava o “acordo” e que ‘padres pacifistas’ ocupavam as sedes episcopais, dividindo a Igreja, recebendo honrarias por ‘seus esforços para construir o socialismo’ e por viajar ao exterior para elogiar o acordo. Seu primeiro ato na liberdade foi expulsar esses padres colaboracionistas.
O exército comunista retomou Budapeste e assanhou-se em represálias. Nem a ONU, nem as potências do mundo livre socorreram a infeliz nação. O Primaz da Hungria refugiou-se no prédio diplomático mais próximo, que era o americano, sendo acolhido pelo embaixador Edward Thompson Wailes (foto ao lado), que o tratou como “símbolo de liberdade”. Um capelão militar americano lhe deu paramentos e livros para a celebração da Missa, e assim ele pôde celebrar o Santo Sacrifício enquanto um silêncio sepulcral descia sobre o país.
Recinto diplomático: uma prisão disfarçada
No recinto diplomático o Cardeal nunca poderia trocar uma palavra com ninguém. Quando o vice-presidente Nixon esteve na Hungria não foi visitá-lo, e durante a presidência Kennedy apenas duas irmãs deste