escuta e exige uma mais ampla e profunda conversão das atitudes e das estruturas”.21
“Esta conversão traduz-se também numa contínua reforma da Igreja, das suas estruturas e do seu estilo”.22
Um dos principais objetivos do processo sinodal, segundo o Vademecum, é “renovar as nossas mentalidades e as nossas estruturas eclesiais” 23, o que “exigirá naturalmente uma renovação das estruturas a vários níveis da Igreja”.24
O Padre Gerald E. Murray, notável canonista e analista religioso americano, observa corretamente que a “inclusão” dessas “minorias marginalizadas” teria como consequência imediata “a rejeição de ensinamentos que contradizem as crenças e desejos daqueles que se encontram em segundos “casamentos” adúlteros, homens com duas, três ou mais esposas, homossexuais e bissexuais, pessoas que creem não pertencer ao seu sexo de nascimento, mulheres que querem ser ordenadas diaconisas e sacerdotes, leigos que querem ter a autoridade dada por Deus a bispos e sacerdotes”. E conclui: “Está claramente ocorrendo uma revolução na Igreja hoje, uma tentativa de nos convencer de que a aceitação da heresia e da imoralidade não é um pecado, mas sim uma resposta à voz do Espírito Santo, que se expressa por meio de pessoas que se sentem marginalizadas por uma Igreja que, até agora, tem sido infiel à sua missão”.25
Reforma da Igreja
Que adaptações as estruturas atuais da Igreja deveriam sofrer?
A dinâmica da corresponsabilidade deve permear “todos os níveis da vida da Igreja”.
As Conferências Episcopais, “na sua colegialidade e liberdade de decisão, isenta de qualquer tipo de pressão, deveriam incluir nos debates e encontros, em nome da sinodalidade, representantes do clero e do laicato das várias dioceses”26.
No âmbito diocesano, os conselhos pastorais seriam “chamados a ser sempre mais lugares institucionais de inclusão, diálogo, transparência, discernimento, avaliação e responsabilização de todos”.27
No âmbito paroquial, “a Igreja tem necessidade de dar uma forma e um modo de proceder sinodal também às próprias instituições e estruturas, particularmente de governo”.28
O documento apresenta uma sugestão da Papua Nova Guiné e das Ilhas Salomão: “Quando queremos fazer qualquer coisa na nossa paróquia, reunimo-nos, ouvimos as sugestões de todos na comunidade, decidimos em conjunto e em conjunto levamos para a frente as decisões tomadas”.29
A que se pareceria o governo da Igreja?
Para os promotores do Sínodo, qualquer medida governamental deve passar por duas etapas: consulta e elaboração no seio da comunidade, seguidas de validação pela respectiva autoridade.
A Comissão Teológica Internacional escreve: “Um sínodo, uma assembleia, um conselho não pode tomar decisões sem os legítimos Pastores. O processo sinodal deve realizar-
se no seio de uma comunidade hierarquicamente estruturada. Em uma diocese, por exemplo, é necessário distinguir entre o processo para elaborar uma decisão (decision-making)
por meio de um trabalho comum de discernimento, consulta e cooperação, e a tomada de decisão pastoral (decision-taking) que compete à autoridade do Bispo, garantidor da apostolicidade e catolicidade. A elaboração é uma tarefa sinodal, a decisão é uma responsabilidade ministerial”.30
Se a opinião dos fiéis e a do Papa divergirem, qual delas prevalecerá?
O Cardeal Francesco Coccopalmerio, presidente emérito do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, propõe uma solução sinodal: “O Papa poderia se comprometer a nunca realizar atos particularmente importantes de magistério ou atos particularmente importantes de governo em caráter individual, e consequentemente, comprometer-se a sempre recorrer ao colégio de bispos para realizar tais atos em caráter comunitário”.31
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O Caminho Sinodal alemão
O que é o Synodaler Weg?
Synodaler Weg significa Caminho Sinodal. É a maneira particular pela qual a Igreja Católica na Alemanha optou por aderir à sinodalidade, independentemente do Sínodo universal, antecipando-o e até mesmo superando as orientações de Roma. Esse neologismo não encontra nenhuma base no direito canônico ou na tradição da Igreja.
Qual é a importância do Synodaler Weg?
O Synodaler Weg é apresentado não apenas como um caminho específico para a Igreja na Alemanha, mas também como um modelo extremo, mas altamente influente, para o Sínodo Geral convocado em Roma. Muitos observadores notam que suas conclusões poderiam influenciar o desenvolvimento de todo o processo sinodal na Igreja universal, seguindo o precedente estabelecido pelo Concílio Vaticano II, no qual, segundo uma frase famosa: “o Reno desaguou no Tibre”.32
Mons. Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal Alemã e principal promotor do Weg, referindo-se ao documento ‘Alarga o espaço de tua tenda’ (preparatório do Sínodo), proclamou euforicamente que ele inclui muitas propostas apresentadas pelo Weg: “O processo sinodal [alemão] já mudou a Igreja”.33
Quais soluções são propostas pelo Synodaler Weg?
Os promotores do Weg propõem superar o “clericalismo”, que supostamente prevalece na Igreja, mudando sua estrutura administrativa e seus ensinamentos morais:
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