Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 866 | página 04-05
| EDITORIAL |

Cheiro de pólvora

O “cheiro de pólvora” vem se fazendo sentir cada vez mais forte desde o início deste ano.

Dmitry Medvedev, ex-presidente e atual vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, declarou recentemente que seu país não pode perder a guerra para a Ucrânia, mas se, auxiliada pelos EUA e países europeus, tal acontecer, desencadear-se-á uma guerra nuclear.

Trata-se de outra chantagem da Rússia, envergonhada por estar perdendo uma guerra que Putin esperava vencer em três dias... Em outra ocasião, a ameaça foi de que os mísseis hipersônicos russos poderão “atingir alvos na Europa e nos Estados Unidos”.

O noticiário vem revelando que a Rússia não só está com dificuldade em obter equipamento moderno para a guerra, mas também que seus líderes militares estão divididos, suas tropas despreparadas, desanimadas e desmotivadas por invadirem sem razão a Ucrânia.

Mas Putin insiste em afirmar que a vitória russa é “inevitável”, e ninguém consegue deter seu sonho megalomaníaco de restaurar a ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Daí sua ambição expansionista na Ucrânia, para depois esmagar com a mesma bota stalinista outros países vizinhos, sobretudo os do leste europeu.

Para esse déspota, que há 23 anos vem tiranizando a Rússia, os fins justificam os meios. De modo que, para não sofrer a humilhação de uma derrota na Ucrânia, são realmente de se temer as ameaças de Medvedev quanto ao uso de armas nucleares.

No sentido de que Deus pode se servir da Rússia como flagelo para castigar a humanidade que O abandonou, há algumas revelações que corroboram as de Nossa Senhora de Fátima em 1917. Na presente matéria de capa, Luís Dufaur — nosso colaborador que estuda há anos diversas profecias e revelações que prognosticam castigos terríveis para o mundo pecador — trata particularmente daquelas que Deus revelou a uma religiosa italiana, a bem-aventurada Elena Emília Aiello (1895-1961), fundadora da Congregação das Irmãs Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora Aparecida livre do flagelo comunista seu tão querido e sofrido Brasil — açoitado pelo governo de um partido de extrema esquerda surgido nas sacristias progressistas vinculadas à “Teologia da Libertação” — e ampare especialmente o País, a fim de que ele cumpra integralmente sua grandiosa missão de realce no mundo “para sempre mais cristãos atrevimentos”, conforme célebres palavras de Camões no tocante a Portugal.

| PALAVRA DO SACERDOTE |

Padre David Francisquini

O Concílio de Éfeso, em 431, proclamou o dogma da maternidade divina de Maria Santíssima.

Pergunta — Com assombro, li recentemente, no site da Unisinos, a tradução de um artigo publicado em dezembro passado no suplemento mensal dedicado às mulheres do jornal vaticano “L’Osservatore Romano”. A autora é Cettina Militello, catedrática em várias universidades pontifícias, ex-presidente da Sociedade Italiana para a Pesquisa Teológica e membro da diretoria da Pontifícia Academia Mariológica Internacional. Trata-se de um comentário sobre o Concílio de Éfeso que, em 431, proclamou o dogma da maternidade divina de Maria Santíssima, comentário este que procura minimizar a expressão “Mãe de Deus” (theotokos) e, de passagem, defende o herege Nestório, cujas teses foram anatematizadas naquela assembleia conciliar. Segundo a teóloga italiana, Nestório foi vítima do “fanático e briguento” São Cirilo de Alexandria, que teria manipulado o desenvolvimento do Concílio... Em clave feminista, a autora afirma que, naquela ocasião, o pano de fundo da discussão teológica foi a presença, em Éfeso, do culto às divindades femininas Ártemis, Ísis e Cibele, sugerindo que a devoção a Maria teria começado na Igreja nessa cidade como uma forma de “transculturação” (!). Além dessas aberrações, ela afirma que teria havido posteriormente uma ampliação “para além da letra” do significado do primeiro dogma mariano, fazendo-o passar de theotokos (“genitora de Deus”) para meter theou (“mãe de Deus”). Finalmente, Cettina Militello insinua que isso teria favorecido “certos desvios enfáticos” na devoção mariana, sendo preciso voltar a uma visão mais equilibrada de Maria, “nossa companheira na ‘peregrinação da fé’”. Quero saber se é mesmo verdade que a expressão “mãe de Deus” vai além da letra do dogma proclamado em Éfeso e

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