Pânico do contágio, perseguição à Igreja, República Universal
2020 – RETROSPECTIVA
Um vírus instrumentalizado para mudar a Igreja e o mundo
Atílio Faoro e Daniel Martins
A praça estava vazia. Completamente vazia. A luz azul dos holofotes transpunha a chuva fina e refletia na esplêndida fachada da Basílica de São Pedro, dando àquela tarde o tom a um tempo majestoso e lúgubre. O palco estava montado para um Pontífice claudicante subir sozinho os degraus. Era este o cenário mais importante da peça teatral encenada no grande ‘teatro 2020’.1[foto]
Muitos quilômetros ao norte da Praça de São Pedro, ouvia-se a mensagem contundente do Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde: “Convocamos todos os países a agir com rapidez, escala e determinação clara. Isso não é um treinamento. Não é o momento para desculpas”.2
Em outro país longe dali, em nome da luta contra o racismo, um movimento anarquista preparava o seu papel no show. Num estalar de dedos, greves, saques, manifestações e quebra-quebras espalharam-se como erisipela nos Estados Unidos, insistindo na mensagem: o mundo como o conhecemos precisa desaparecer.
Enquanto no teatro se desenrolava a peça, espectadores confinados em suas casas acompanhavam atentamente, pelo Zoom, Skype ou WhatsApp, golpes de cena ensaiados para provocar ameaças e sobressaltos: ora os seus bolsos se esvaziavam; ora a estabilidade voava pelos ares; ora a vida social se desintegrava; ora a maior parte do clero os abandonava; ora o pânico de um futuro sombrio os assaltava...
Era-lhes obrigatório ver a peça até o fim, sem perder detalhe algum, mas proibidos de sair do lugar.