Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 841 | página 28-29
| MATÉRIA DE CAPA |(continuação)

Respirava-se mal, com a incômoda máscara atrapalhando o fluxo de ar. Contradição, artificialidade, falta de clareza, tudo gerava dificuldades, apreensões e uma sensação de beco sem saída. Alguns perguntavam: Será tudo isso real? Um pesadelo? O vírus é real, mas voltaremos à normalidade? Outros indagavam: Quando se fecharão as cortinas? Quando terminará isso?

Nessa incerteza e nesse caos mental transcorreu o ano de 2020, e a peça ainda continua: a peça do teatro internacional mais longa que se conhece; a maior operação de engenharia social da História, conforme bem a denominou o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, em manifesto publicado na edição de maio passado em Catolicismo.

Desviando a atenção dos fracassos

Mas... e a moral da história? Qual o objetivo de toda essa encenação? Quem nos esclarecerá sem deixar margem a dúvidas?

Os presumíveis autores da peça dificilmente teriam encontrado um meio mais eficaz para desviar a atenção do público em relação a certos acontecimentos, para eles muito dolorosos. E também para tentar, por meio de uma cartada sem precedentes, mudar o rumo dos acontecimentos, e assim levar avante a sua agenda. Após um prolongado período de pânico, seja pelo vírus, pela desobediência civil ou pelo espectro de uma guerra, poderiam propor à opinião pública mundial as mudanças que de há muito almejam.

A esquerda internacional, com efeito, vem sofrendo uma série de derrotas históricas. Grande parte das suas tentativas, investidas e projetos viu-se prejudicada de maneira substancial, por isso ela se encontrava num impasse.

Na noite de 12 de dezembro de 2019, o Partido Conservador britânico ganhava as eleições com ampla maioria, permitindo ao Reino Unido completar o processo de sua saída da União Europeia — o famoso Brexit, cuja execução fora travada pela esquerda durante mais de três anos. Com isso os conservadores adquiriram “a mais ampla maioria em Westminster desde a vitória de Margaret Thatcher na eleição de 1987”.3

Nos Estados Unidos, o processo de impeachment contra o presidente Trump, iniciado desesperadamente pela esquerda, terminou com a absolvição do mandatário, no início de fevereiro de 2020.4

Na França, durante boa parte de 2019, o socialista Emmanuel Macron se encontrara em um impasse político, sobretudo pelas manifestações dos ‘coletes amarelos’. Com o surgimento da peste chinesa, foi literalmente ‘salvo pelo gongo’.5

Na Holanda, ganharam dinamismo os protestos massivos dos fazendeiros contra medidas governamentais que cerceavam a produção e a propriedade. Houve grande apoio de toda a população, deixando mais este governo socialista em maus lençóis.

Em Hong Kong, protestos multitudinários contra o governo comunista não paravam de crescer em número e eficácia. O lockdown exigido pelos administradores da pandemia salvou o Partido Comunista chinês de uma situação melindrosa.6

A pandemia favoreceu ainda os intentos de autodemolição da Igreja, que suscitavam crescentes reações em fins de 2019. Em maio de 2020, quando foi proclamado e convocado o Dia Mundial de Oração pela Pandemia, foi possível colocar Buda e Shiva no mesmo altar com Nosso Senhor Jesus Cristo. O símbolo era muito significativo, mas o famoso articulista Aldo Maria Valli avaliou que a ‘religião global’ estava fundada, faltavam-lhe apenas os fiéis; pois a massa dos católicos não acompanhou: “Feita a religião global, falta agora criar os fiéis”.7

Greta Thunberg: “Eu não quero que vocês tenham esperança, quero que sintam pânico!”.

Em outra área do espectro socialista, vem perdendo terreno o alarmismo climático presente no estilo Greta Thunberg. Não consegue convencer, apesar da enorme campanha midiática e do apoio do Vaticano. A proposta da mal-humorada menina sueca não impressionou, apesar da ênfase intencional: “Eu não quero que vocês tenham esperança, quero que sintam pânico!”.8 A revista Times classificou essa ativista como ‘personagem do ano 2019’, mas a homenagem não convenceu.

O pânico é desejado pelas esquerdas, como terreno fértil para as mudanças revolucionárias, mas o mundo não se deixou dominar por ele. Como instilar o medo, se o aquecimento global não esquenta as mentes? Como frear a maré montante da reação conservadora?

Mas eis que apareceu o vírus, seja ele natural ou fabricado. Portanto, aproveitemo-lo. Conveniente, muito conveniente...

O maior experimento psicológico da História

Elke van Hoof, professora de psicologia da saúde da Universidade de Vrije, na Bélgica, especialista em estresse e trauma, afirmou em entrevista à BBC: “Estamos diante do maior experimento psicológico da história”.

Não analisaremos a origem ou a responsabilidade pela proliferação do coronavírus. Especialistas sérios estudam o assunto, e certamente lançarão luzes sobre seu caminho e seus agentes. Porém, sobre a análise imparcial das manobras revolucionárias em torno da covid-19, Catolicismo esclareceu, pela pena do pesquisador José Antonio Ureta (edição de julho de 2020), que ela não se identifica com um “conspiracionismo” superficial e infantil.

A observação atenta dos acontecimentos permite concluir que os governos tomaram contra a pandemia medidas de prevenção recomendadas por organismos multilaterais, agindo como se fossem regidos pela mesma batuta. E tais medidas se explicam muito mais por uma remodelagem do mundo do que por um combate sensato contra a pandemia.

Nesse sentido, Elke van Hoof, professora de psicologia da saúde da Universidade de Vrije, na Bélgica, especialista em estresse e trauma, afirmou em entrevista à BBC: “Estamos diante do maior experimento psicológico da história”. O argumento da especialista é cristalino: não temos nenhum modelo que prove a necessidade ou a utilidade de um confinamento generalizado. Logo, o que está sendo feito é um experimento.9

Um enorme trabalho de encenação

Curiosamente, mesmo com todos os indícios — e por vezes provas — da inutilidade do lockdown ou dos efeitos colaterais perniciosos deste, governos continuam a impô-lo por toda parte.

Bruno Latour, antropólogo de esquerda ambientalista, confessou em entrevista ao jornal Le Figaro que a imposição do confinamento em escala global era algo tão abrangente, que até para ele constituía um enigma:

“Que quase todos os governos decidam com uma ‘viralidade’ fulgurante suspender por um tempo a economia, é mais enigmático, mais difícil de analisar do que a viralidade do próprio vírus. [...] O fato de que, a

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