Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 832 | página 34-35

| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

mais fria, e onze graus mais fria no ano 2000. Isso é o dobro do necessário para nos imergir numa era glacial.34

Se o mar não inunda, mudem os mapas!

Em sua edição de 2011, o reputado Times Comprehensive Atlas of the World divulgou que a Groenlândia perdera 15% (300.000 km2) da cobertura de gelo perene em relação a 1999. Eminentes cientistas acusaram o Atlas de falsificar o mapa para encaixar esse território no esquema do “aquecimento global”.35 Até cientistas propugnadores desse “aquecimento” participaram do protesto. Para eles, a diminuição real foi de 0,1% em 12 anos. Com procedimentos de medição mais precisos, outra equipe de cientistas constatou que a Groenlândia começou a aquecer 19 mil anos atrás,36 muito antes de aparecerem a civilização, as cidades, indústrias etc., contrariando o dogma ambientalista segundo o qual são estas que provocam o aquecimento derretedor das geleiras.

Para induzir à “verdade emocional” das “mudanças climáticas causadas pelo homem”, o alarmismo do Atlas levou-o a suprimir os países-arquipélago de Tuvalu e Maldivas, além de grandes partes de Bangladesh.37 As ilhas de Tuvalu, Kiribati e da Micronésia estão crescendo, e não afundando como o referido Atlas dizia. A propaganda alarmou as populações locais, mas um estudo utilizando fotos históricas e imagens de satélite dos últimos 60 anos constatou que 80% das ilhas permaneceram iguais, e algumas até aumentaram dramaticamente. Arthur Webb, da South Pacific Applied Geoscience Commission, explicou: “Os atóis são compostos de material vivo, então nós temos um crescimento contínuo”. Outras ilhas crescem pelo acúmulo de sedimentos marítimos. O furacão Bebe, de 1972, depositou 140 hectares de detritos em Tuvalu, aumentando sua área em 10%.38

Superabundância contraria o “fim do petróleo em 1980”

Em 1972, o Clube de Roma, que reúne homens altamente laureados, publicou o livro Limites ao Crescimento, no qual previa um esgotamento em breve prazo dos recursos da Terra; e exigia o congelamento do desenvolvimento econômico mundial, além de drástico controle da natalidade. Mais de 30 milhões de exemplares circularam em 30 idiomas, e sobre ela disse o presidente americano Jimmy Carter: “Lá pelo fim da próxima década, poderemos ter esgotado as reservas de petróleo conhecidas no mundo todo”. No entanto, estamos em 2020 e o petróleo não se esgotou; e as reservas conhecidas aumentaram, inclusive derrubando a cotação internacional.39 Ao crescimento das jazidas convencionais se somaram as do petróleo de xisto, do pré-sal e das areias betuminosas no Canadá. Após um ano de estudo, Leonardo Maugeri, alto executivo da maior petrolífera italiana, concluiu que “a capacidade de fornecimento de petróleo está crescendo mundialmente em níveis sem precedentes, e poderá superar o consumo”40.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura da UFRJ, incluiu o gás de xisto como exemplo do maná de combustíveis fósseis, cuja super-oferta preocupa o mundo. O ex-primeiro ministro socialista francês Michel Rocard comemorou, afirmando que a França é, para o “gás de xisto, o que o Qatar é para o petróleo”.41 O fanatismo ambientalista, porém, impôs que a França não só não aproveite esse potencial, mas proíba explorá-lo. Dados como esses evidenciam que o Clube de Roma perdeu a vergonha, pois prossegue repetindo o realejo das velhas teses catastrofistas. Nas suas pegadas, os partidos verdes e afins punem os combustíveis fósseis com impostos e restrições aos veículos particulares.

Esconder que a Terra ficou mais verde

A vegetação mundial não deixa de se expandir, mas certo tipo de ecologismo silencia algumas boas notícias concernentes ao homem e à natureza. O NASA Earth Observatory concluiu que nos últimos 20 anos o mundo ficou mais verde, pelo aumento da área plantada.42 No terceiro milênio a superfície da Terra recoberta de folhagem aumentou por volta de 5%, e isso equivale a outra Amazônia verde. Ela foi conquistada pelo homem com tecnologia, ao abandonar mitos socialistas impregnados de “cultivos ancestrais”.

Desde 2003 as plantas vêm captando anualmente 4 bilhões de toneladas de carbono a mais do que no ano anterior, inclusive o CO2.43 Outro estudo da NASA,44 de 2015, constatou que a Terra esfriou nas áreas de pesada industrialização, onde foram consumidos maiores volumes de combustíveis fósseis. Isso contraria o que os mitos ambientalistas decretam sobre a perda de cobertura florestal.

Estudo publicado em 201645 pelo CREAF, vinculado à Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), calculou que, graças ao aumento do CO2, a Terra ganhou 36 milhões de quilômetros quadrados de superfície verde, equivalente a três vezes a área da Europa ou duas vezes a dos EUA. A conclusão foi que nos últimos 33 anos a biomassa terrestre cresceu em 40% da superfície terrestre. Os cientistas atribuem esse crescimento às altas concentrações de CO2, um poderoso “fertilizante”. Sem o CO2, toda a vegetação do planeta morreria; e assim se extinguiriam também os alimentos para as espécies animais. O ambientalismo radical apresenta-se como zeloso defensor da vida animal, mas insiste em ignorar que é por meio da interação entre o CO2 e as plantas que surgem os nutrientes básicos à alimentação animal, portanto humana.

O Departamento de Pesquisas Geológicas da Universidade da Carolina do Norte verificou que a área coberta por rios no mundo é, no mínimo, 44% maior do que se supunha.

A manipulação demagógica serviu de gancho para a Campanha da Fraternidade 2016, que apresentava a água doce como um bem “cada vez mais raro, escasso e caro”. Mas o Departamento de Pesquisas Geológicas da Universidade da Carolina do Norte verificou que a área coberta por rios no mundo é, no mínimo, 44% maior do que se supunha.46 A tão propalada desertificação da Terra foi gravemente esvaziada. Uma equipe internacional de hidrólogos, liderada por Tom Gleeson da Universidade de Vitória, Canadá, fez a primeira estimativa das reservas totais de águas subterrâneas da Terra. O volume total dessas águas seria de 23 milhões de quilômetros cúbicos.47 Se fosse possível retirá-las, cobririam todos os continentes com uma altura de 180 metros, ou elevariam os níveis do mar em 52 metros. Fotografias de satélites do Norte da África apontaram que o deserto do Saara está em retração,48 invalidando a suposição de que os desertos estariam se dilatando. Um imenso aquífero foi descoberto também sob o Saara.

Ambientalismo alarmista prejudica o homem

Pressionada “pela biodiversidade”, a Austrália proibiu a caça dos tubarões brancos, ou tubarões assassinos, que em três anos mataram sete banhistas. O governo então autorizou que essa “espécie protegida” fosse abatida pelos pescadores quando avistada a menos de 20 quilômetros das praias.49 A militância “verde” se

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