| ENTREVISTA |
TÁTICAS E AMEAÇAS BOLIVARIANAS NO CHILE
Nosso entrevistado:
Prof. Carlos Augusto Casanova
Renomado professor venezuelano radicado no Chile compara os atuais acontecimentos no país andino com o descaminho da Venezuela chavista, e adverte que os mesmos são estimulados por movimentos revolucionários de esquerda
O Prof. Carlos Augusto Casanova Guerra, que acompanha atentamente os violentos protestos na nação andina, é Doutor em Filosofia, advogado, professor de Filosofia e Direito na Universidade Santo Tomás e na Universidade Católica de Santiago, autor de vários livros. Ele é venezuelano e reside no Chile desde 2005.
Muito impressionado com a violência desencadeada pelo movimento revolucionário no Chile, o Prof. Casanova afirma que nem na Venezuela, às vésperas de Chávez chegar ao poder, a violência chegou a esse extremo. Pela sua avaliação, se a revolução de esquerda triunfar no Chile, o ódio e a violência serão maiores do que na Venezuela.
Para tentar aplacar os violentos protestos, o governo chileno prometeu uma nova Constituição. Esta é uma grande preocupação de diversos setores da população, pois a pressão por uma nova Constituição de inspiração bolivariana é feita por movimentos revolucionários, que praticam nas ruas atos próprios a terroristas; e também de partidos políticos de esquerda, como ocorreu ao se estabelecer Hugo Chávez tiranicamente na hoje infeliz Venezuela.
Nosso colaborador em Santiago do Chile, Sr. Juan Antonio Montes Varas, diretor da associação “Credo Chile”, obteve para Catolicismo esta entrevista com o ilustre professor.
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Um dos objetivos desta entrevista, Professor, é pedir-lhe que nos conte como avalia o plebiscito constitucional no Chile, a realizar-se no próximo dia 26 de abril.
No Chile um pedido de Constituinte na base da violência e do fogo.
Vejo isso com grande preocupação, mas podemos explicar passo a passo as minhas razões. A primeira delas, é porque o Chile não precisa de nova Constituição. Como em qualquer sociedade, há problemas no Chile, mas tais problemas podem ser resolvidos simplesmente com reformas de leis; e muitos deles, mesmo com leis, não serão resolvidos.
Pensar que problemas de um país possam ser resolvidos com textos legais ou constitucionais é um resto de mentalidade mágica, é magia pensar que as palavras escritas em um Congresso ou em uma Convenção resolverão os problemas sociais. Não vejo necessidade de seguir o caminho da Constituinte que o Chile está trilhando. Os que promovem essa via são os mesmos que recorreram a graves violências nos últimos meses. A mídia ainda não mostrou devidamente a extensão dessa violência, que deixou o país desarmado. Se houve cumplicidade ou fraqueza do Executivo e de parte do Judiciário, não o sabemos.
Em minha opinião, querem destruir o Chile. Isso se manifestou na violência desencadeada nesses meses, e também nos símbolos que utilizaram: riram do Hino Nacional; lançaram uma versão do Hino totalmente indigna, e que não deve ser tolerada; varreram o chão com a bandeira do país e a queimaram publicamente; zombaram de todas as instituições; queimaram dezenas de igrejas católicas e protestantes; declararam-se satanistas.
Houve no ano passado um acordo para fazer essa reforma na Constituição, segundo o qual a Constituinte que for escolhida — se é que em 26 de abril decidiremos se a Constituinte deve ser alterada — estará sujeita à Constituição atual e seguirá as regras estabelecidas no próprio acordo.
Mas alguns representantes do movimento que promove a Assembleia Constituinte já estão afirmando que, uma vez constituída, eles não respeitarão regra alguma. Declararão a Assembleia soberana, dissolverão o Congresso e tentarão recriar o Chile através de uma Assembleia Constituinte, no mesmo estilo da Venezuela de 1999 e 2000. Isso é muito perigoso. Alguns dizem que tal perigo não existe, mas líderes das violências o afirmaram abertamente.
Entre eles o Sr. Messina, líder da NO + AFP, declarou o que o senhor acaba de afirmar. Gostaria que nos esclarecesse qual é a função de tal Constituição.
Também Hugo Gutiérrez disse isso. De maneira não tão clara como Messina, ele afirmou: “Eu não aceito o Tribunal Constitucional, uma vez que ele representa uma Constituição moribunda, e portanto sem autoridade. Eu coloquei a soberania popular acima da Constituição”. É o mesmo que foi dito na Venezuela, e foi assim que Chávez fez lá a revolução pela qual agora pagam caro.
A Constituição é o instrumento legal que representa a garantia contra os abusos de poder. Esse é o significado da Constituição. Se existe um potencial movimento tirânico, um movimento que não respeita