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A COMPLETA INFÂMIA EM CONTRASTE COM A SUMA PERFEIÇÃO
Plinio Corrêa de Oliveira
Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de setembro de 1979. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.
Neste célebre quadro, Giotto* pintou Judas no ato de oscular Nosso Senhor Jesus Cristo. Era o ósculo da traição, no momento em que Nosso Senhor, pouco antes de ser preso e levado para ser julgado e crucificado, acabava de dizer aquelas tremendas palavras: “Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!” (Lc 22, 48).
* Afresco pintado pelo célebre artista italiano da época medieval, Giotto di Bondone (1267-1337), na Capela degli Scrovegni, Pádua (Itália), entre 1302 e 1306.
Com toda a sua sublimidade, Nosso Senhor olha para Judas e o analisa até o fundo da alma. Nesse olhar Ele recusa categoricamente a ação infame de Judas; mas, apesar da recusa à infâmia, olha como quem ainda procura algum resto de boas qualidades em Judas. Procura comovê-lo, numa tentativa de ainda obter sua conversão. É um contraste prodigioso!
Judas é baixo, vil, ganancioso, materialista; com seus lábios grossos e indefinidos, que vão se abrindo para o beijo da infâmia, ele procura com o olhar turvo sorrir para mentir. Tem-se a impressão (desculpem-me o prosaísmo) de sentir até o seu mau hálito, na hora do beijo da traição. Eles se olham, e nisso se nota o supremo contraste entre a completa infâmia e a suma perfeição.
A alma do católico verdadeiramente sério vive desse contraste: a tendência contínua para ver o mais sublime, juntamente com a compreensão de que no fundo de qualquer coisa censurável está palpitando a infâmia, pronta para saltar e tomar conta do ambiente. Ver o mundo através de contrastes assim é agir com seriedade.