| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)
manifestou em Perth a favor dos predadores, portanto contra a norma de bom senso reclamada pela população. Na Europa, os lobos foram reinstalados nos Alpes; e por serem protegidos por lei, multiplicaram-se e dizimam as ovelhas. No sul do Brasil os javalis devastam as plantações, com a proteção do IBAMA. A magnitude das perdas forçou a moderar essa proteção.
Com vistas a conscientizar o público para a luta pela preservação dos animais, até em desafio às leis, o cineasta Noel Marshall concebeu em 1969 a película Roar.50 Os atores dormiam, comiam e passavam os dias da filmagem com 132 leões, tigres, chitas e panteras. Os leões começaram a atacar sem interrupção: 70 artistas e técnicos arriscaram suas vidas, e cerca de 100 funcionários saíram feridos. Marshall foi mordido várias vezes, e internado com gangrena. Uma perna de sua mulher Hedren foi fraturada por um elefante. Sua filha Griffith precisou de uma cirurgia de reconstrução facial e ficou desfigurada. Muitas feras destruíram câmeras, e por fim morreram. Marshall nunca mais voltou a filmar.
Frank M. Mitloehner, professor da Universidade da Califórnia-Davis, está espantado pela pressão da grande mídia para comer menos carne, a pretexto de salvar o clima. Se todos os norte-americanos eliminassem as proteínas animais de suas dietas, as emissões de gases estufa só diminuiriam 2,6%. Tampouco resiste à crítica a suposição de que somente com plantas haveria mais calorias por pessoa. Segundo a FAO, perto de 70% das terras agrícolas do mundo só podem ser usadas para pasto de ruminantes. Calcula-se que pelo ano 2050 a população mundial atingirá 9,8 bilhões. Alimentar essa multidão será um desafio, e não se poderá fazê-lo apenas com plantas. Mitloehner sustenta que os nutrientes da carne superam todas as opções vegetarianas.51
Agentes do alarmismo verde vêm falando de uma ilha de lixo de até 15 milhões de quilômetros quadrados, que flutuaria no Pacífico.52 Ela intoxicaria espécies de peixes, levando-as à beira da extinção; acidificaria os oceanos, que sem oxigênio virariam desertos líquidos. A “Grande Ilha de Lixo do Pacífico”, criada em 2008 pelas mentes fecundas da BBC e do jornal britânico “The Independent”, motivou o Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) da Espanha a arcar com “o maior projeto interdisciplinar”, no valor de seis milhões de euros, além das despesas de dois navios oceanográficos da Marinha espanhola. O planeta foi circum-navegado por eles entre 2010 e 2011, e o oceanógrafo Carlos Duarte, principal responsável, apresentou os resultados a 80 cientistas que o aguardavam em Barcelona: “Essa famosa ilha de plásticos não existe”.53
Os pânicos ambientalistas fazem o cérebro girar dentro do crânio — esta foi a conclusão de François d’Orcival, membro da Academia de Ciências Morais e Políticas da França. Nisso sobressaem a Prefeitura de Paris e os militantes “verdes”, que parecem determinados a parar o trânsito de Paris. Eles acabaram com os truques dos “rodízios”, dos “fechamentos temporários”, do “tráfego alternado ou diferenciado” etc. E agora a decisão é taxativa: trata-se de proibir. Os carros deverão levar um sinal de cor amarela, evocando a estrela de Davi imposta aos judeus durante a ocupação nazista; e ela determinará quem e em que horários poderá circular, em função da qualidade do ar.54
Rumo a uma ditadura ecológica universal
O vulcanólogo Haroun Tazieff, ministro para a Prevenção dos Grandes Riscos no governo socialista francês de Mitterrand, denunciou no jornal Le Monde que “o poder de grupos de pressão impede que os cientistas competentes e respeitosos da ética se exprimam publicamente. [...] Essa falta de boa-fé ruma para um governo mundial ambientalista todo-poderoso”
Houve tempo em que as grandes cidades maravilhavam a todos. Mas hoje a ecologia, sob o pretexto de ciência e de natureza, montou contra elas uma agressão que só lhes deixa como saída a vida na selva, ou no máximo em comunas tipo hippie. Essa ofensiva é potencialmente mais destrutiva e perigosa que uma guerra mundial. O vulcanólogo Haroun Tazieff, ministro para a Prevenção dos Grandes Riscos no governo socialista francês de Mitterrand, denunciou no jornal “Le Monde” que “o poder de grupos de pressão impede que se exprimam publicamente os cientistas competentes e respeitosos da ética. [...] Essa falta de boa fé ruma para um governo mundial ambientalista todo-poderoso”.55
Maurice Newman, presidente do Conselho Consultivo do primeiro-ministro australiano Tony Abbott, escreveu em “The Australian” que “a mudança climática é a isca” para obter o verdadeiro objetivo da ONU, que é “concentrar a autoridade política [...].95% dos modelos climáticos que pretendiam demonstrar uma relação entre emissões humanas de CO2 e a mudança climática estão errados”.56
Como se combateria o “aquecimento global” na ótica verde? François-Marie Bréon,57 diretor do laboratório de Ciências do Clima e do Meio Ambiente do CNRS francês, resumiu as “medidas radicais” essenciais: “Jamais poderemos voltar a temperaturas normais sem que a população humana seja reduzida à décima parte. Deveríamos ter menos aviões, menos casas aquecidas. É preciso desencorajar as pessoas que desejam andar de carro. Será necessário aumentar o preço do gás, da gasolina, triplicar o valor das passagens de avião, melhorar o isolamento dos prédios existentes. Mas todas essas medidas não serão boas para a economia, e seriam claramente impopulares. A luta contra a mudança climática é incompatível com o turismo internacional e com numerosos setores econômicos. Podemos dizer que a luta contra a mudança climática é contrária às liberdades individuais; e portanto, sem dúvida alguma, à democracia”.
O Brasil e a instauração da ditadura verde mundial
O ativismo ambientalista anda de mãos dadas com o indigenismo, e até expulsa os brasileiros que tentam ocupar produtivamente o País, como aconteceu na reserva Raposa/Serra do Sol.58 Enquanto isso avoluma-se no mundo comunista uma ameaça: 64% dos chineses planejam abandonar seu país, e Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente Jimmy Carter, lembrou que o então chefe da China, Deng Xiaoping, perguntou a Carter: “Você está preparado para aceitar 10 milhões?”. “The Wall Street Journal”59 conclui: O problema é que a enxurrada humana que hoje poderia vir seria de 100 milhões ou mais. Suficiente para criar países dentro de países. E o jornal acrescentou que o governo chinês planeja garantir a “lealdade” deles no exterior. O que poderia representar a entrada de uma massa dessas em algum Estado despovoado do Brasil? Nessa hora, os amigos ideológicos da China, que opõem obstáculos à instalação de brasileiros em território nacional, provavelmente não irão protestar...
Segundo um levantamento do Cadastro Ambiental Rural da Embrapa, quem mais preserva recursos naturais hoje no Brasil é o agricultor, conforme anotou a Associação Brasileira do Agronegócio: “Não há categoria profissional no Brasil que preserve mais o meio ambiente do que o produtor rural”.60O Dr. Evaristo de Miranda, coordenador na Embrapa, afirmou que a ecologia visa impedir os brasileiros de usar a Amazônia,61e para isso inventam lorotas.
Num balanço dos enviesados exageros ambientalistas, o Dr. Evaristo de Miranda62 mostrou que a política ambientalista promovida por órgãos de governo, mídia, ONGs e até púlpitos atrai perigos para a saúde dos brasileiros no campo e na cidade; ameaça os próprios animais nativos; põe em risco cultivos e residências