Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 832 | página 30-31

| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)

2) alimenta uma constante confusão entre ciência e política;

3) está no centro de uma coalizão de interesses particulares;

4) recusa todo debate científico racional;

5) denigre os argumentos contrários, obstaculiza a liberdade de expressão, trata as opiniões divergentes como a URSS fazia com seus dissidentes;

6) o CO2 não aumenta por causa dos combustíveis fósseis desde 1750;

7) a elevação da temperatura média global no último meio século não foi atípica em relação aos últimos 1300 anos;

8) o CO2 não contribui para o aumento da temperatura;

9) o “aquecimento global antropogênico” se baseia em hipóteses e aproximações;

10) o IPCC não considera os dados da natureza;

11) as teorias do IPCC não refletem o consenso científico;

12) a imprensa não expõe a temática com objetividade;

13) os aportes dos governos ao IPCC acentuam o viés;

14) o eco das teorias do IPCC resulta de uma difusão unilateral midiática e partidária;

15) as decisões econômicas e financeiras para a luta contra o aquecimento global prejudicam a produtividade e a concorrência.

Ao invés de ciência, uma nova religião

Em 2008, o Prof. José Carlos de Almeida Azevedo, ex-reitor da UnB, escrevia: “Os pseudo-ambientalistas arautos do apocalipse querem levar à miséria povos e nações [...]. A irracionalidade dos alarmistas é tanta que desconhecem os estudos científicos recentes sobre o clima, publicados nas mais importantes revistas de geociências, física e geofísica [...]. Os adeptos da versão irracional do ‘CO2 antropogênico’ [...] agem como os ‘Hitlerjugend’ [juventude hitlerista]” .11

No mesmo ano o Dr. Evaristo Eduardo de Miranda, chefe-geral de monitoramento por satélite da Embrapa, recusava que o Brasil fosse tido como grande vilão do planeta: “Acho tendência perigosa tratar o assunto de maneira apocalíptica [...]. É preciso lançar um pouco de racionalidade à questão, sobretudo quando se trata de hipótese inverificável. É curioso como cientistas, senhores da razão e ateus, adotam nessa hora uma linguagem totalmente religiosa. Eles falam de toda a teologia do fim dos tempos, das catástrofes, do homem vitimado e castigado com o dilúvio, como Noé”.12Quando ele escreveu, ainda não tinha sido publicada a encíclica Laudato sì, nem se realizara o Sínodo Pan-amazônico, ambos agindo para tornar assunto religioso essas bandeiras ‘apocalípticas’ do ateísmo e da irracionalidade.

A semelhança do ecologismo radical com uma falsa religião foi percebida em vários países. Em 2013, o Prof. Larry Bell, da Universidade de Houston, rotulou o catastrofismo ambientalista de “Igreja da ONU do planeta que aquece”.13O jornalista Justin Gillis apontou o lado místico dessa religião, dizendo que ela fala de um “aquecimento global” que “tem algo de mistério para os cientistas climáticos”. Engula-se o mistério. E a ciência? A ciência para quê, se existe a “fé verde”? Também Richard Lindzen, professor do MIT, acusou os aiatolás da “religião alarmista”, exigindo que a realidade se ajuste a seus preceitos teológicos, fazendo a sociedade pagar preços mirabolantes por dogmas incertos e improváveis.

O aquecimento global (ou seu sinônimo “mudança climática”) é um “mantra religioso”, um apelo a uma cruzada com a cruz invertida.O geólogo australiano Ian Plimer constatou: “Foi inventada uma nova religião: o ambientalismo, que ocupa o espaço aberto pela crise do catolicismo e do socialismo [...]. É uma religião fundamentalista que professa o temor da natureza [...]. A lógica, os dados que contradizem ou provocam dúvidas são silenciados. E os heréticos são destruídos com métodos inquisitoriais”.14

Inebriado pelo grande banquete da filosofia sensual e igualitária haurida da Revolução Francesa, o mundo foi ficando ateu, blasfemo. Mas na curva do milênio foi surpreendido pela revolução mística ecológico-tribal, e alguns resolveram olhar para trás. O absurdo é tão grande, que Michael Crichton, autor de novelas de ficção científica como Jurassic Park, redigiu o “Credo” e o “Confiteor” dessa “religião” em termos como estes: “Nós pecamos contra a energia e estamos condenados a perecer, a menos que procuremos a salvação, que agora se chama ‘sustentabilidade’. A sustentabilidade é a salvação na Igreja do Meio Ambiente, da mesma maneira que o alimento orgânico é sua comunhão sem Cristo, e a água livre de pesticidas é a água benta para o pessoal de fé reta”15. Só faltava ao IPCC escolher seu Pontífice Supremo e revelar o Quinto Evangelho. A partir daí a humanidade poderia ser convocada diante do tribunal da Inquisição “verde”. Aguardemos suas próximas “encíclicas”, como escrevíamos em 2013.16

Hoje nós as temos na Laudato sì e na Querida Amazonia, com as quais o Papa Francisco assume assim um segundo “pontificado”...

O Vaticano adota atualmente religião verde?

Para Frei Betto, na encíclica Laudato sì “o Papa faz eco à produção da Teologia da Libertação sobre a questão ambiental”. Na foto, o Papa Francisco participa de cerimônia na Basílica de São Pedro na presença do ídolo da “pachamama”.

Desde Galileu Galilei, no século XVI, o ambiente científico repelia como ingerência inquisitorial a opinião da Igreja sobre ciência. Mas agora os ambientalistas radicais estão “dando ‘graças a Deus’ por ter uma figura carismática e forte como o Papa Francisco”,17que se revelou na encíclica Laudato sì. E o ex-frade Leonardo Boff elogiou a encíclica, porque “nem a ONU produziu um texto desta natureza”, pregando uma “ecologia integral [...] que supõe uma visão evolucionista do universo”.18Para Frei Betto, nessa encíclica “o Papa faz eco à produção da Teologia da Libertação sobre a questão ambiental [...]. Ao citar Teilhard de Chardin, censurado pela Igreja enquanto viveu, o Papa [...] enfatiza que, em definitivo, a Igreja Católica abraça a teoria evolucionista e a visão holística do Universo”.19O líder do MST, João Pedro Stédile, indagou: “Os trabalhadores têm quem? Chávez morreu, Fidel está doente. O Francisco tem assumido esse papel de liderança, graças a Deus. Ele tem acertado todas”.20

Para o venezuelano Ignacio Denis del Rosario, do Instituto Latino-americano de Agroecologia Paulo Freire, a Laudato sì glosa as máximas pregadas pelo “comandante” Fidel Castro desde os anos 60 e da Eco-92, no Rio de Janeiro.21 Segundo o Vatican Insider,22 como o ambientalismo radical precisava de uma “revolução moral” e não conseguia convencer a opinião pública, apelou então para o Vaticano e foi acolhido por ele com benevolência.

A Santa Sé emprestou a basílica de São Pedro para o ultrajante show ecumênico-ecológico “Fiat Lux”.23 E o Papa Francisco ganhou um novo admirador na pessoa do líder ambientalista Al Gore, de sectária militância, que declarou que se tornaria católico caso o Pontífice continuasse contra o “aquecimento global”. E perguntou, em tom de maldosa brincadeira: “O Papa é católico?”.24

Comunismo reciclado, ecológico e tribalista

O Dr. Patrick Moore, cofundador da ONG Greenpeace, desligou-se dela porque foi “sequestrada” por

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