| MATÉRIA DE CAPA | (continuação)
Liberdade de Nova York será submersa; e, como no filme “2012”, o mar passará por cima do Himalaia. Arquipélagos belos e pacíficos já estariam afundando, e num deles os governantes, com equipamentos de mergulhadores, assinaram no fundo do mar um apelo à ONU.
O pesadelo ambientalista fabricado prossegue, afirmando que não há mais terra habitável, pois já está superpovoada, e os homens já consomem em sete meses tudo o que a Terra lhes pode dar em um ano. Nem seria necessária a “sabedoria” da midiatizada menina Greta Thunberg, para sabermos que o Dia da Sobrecarga da Terra regrediu em 2019 para 29 de julho, a data mais recuada desde que esse “déficit ecológico” começou a ser medido. Depois desse dia a humanidade viverá dos recursos que deveriam ser de nossos descendentes, condenando-os à inanição.
Como a Terra não comporta mais homens — sempre segundo os alarmistas — , a solução é diminuir a população. Os ricos já controlam a natalidade, mas os pobres continuam gerando crianças. Juntamente com a ONU (e de costas para Jesus Cristo, dizemos nós), o Vaticano faz congressos para impedir a explosão populacional. O capitalismo, a propriedade privada, o agronegócio com seu gado e seus organismos geneticamente modificados (OGM) desmatam, aquecem, desertificam, esterilizam os mares com lixo plástico, envenenam a atmosfera com CO2, poluem os rios.
Espécies vegetais, animais e ictícolas estão em perigo de extinção; caem chuvas ácidas nas cidades; carros, indústrias, aviões, ar-condicionado e defensivos agrícolas tornam o ar irrespirável, violam ou matam a mãe-terra (pachamama). Imensos icebergs estão se soltando da Antártica, enquanto o Ártico desaparece. O apocalipse climático deixa pinguins mortos nas praias de Macaé ou de Cabo Frio, e até na Bacia de Campos e na Paraíba.4
Meteoritos como os que extinguiram os dinossauros se aproximam a velocidades alucinantes; grandes vulcões, como os de Yellowstone, Campi Flegrei ou da Antártica, podem explodir a qualquer momento; lançarão massas de poeira, que nos afundarão na noite, entupirão nossos pulmões e congelarão o planeta. E assim a assustadora lengalenga ambientalista prossegue interminável, e não se detém.
O leitor perspicaz terá percebido o acúmulo de contradições e exageros contidos em ladainhas de cataclismos como essas, fruto de crises histéricas ou fantasias de dementes. Essa onda de terrores se espalha como se alguém a soprasse, seguindo o conselho anticristão atribuído a Voltaire: “Menti, menti, alguma coisa ficará sempre”.
Esse alarmismo desvairado não convence, mas semeia dúvidas. E estas, como a História mostra, podem incitar revoluções, pois os grandes abalos sociopolíticos foram sempre precedidos por temores assustadores, em geral infundados ou ensaiados. A Revolução Francesa evidenciou cenas exemplares de pânicos pré-fabricados e habilmente difundidos, como o de uma invasão generalizada de ‘bandidos’; o temor da bancarrota do Estado; a falta de pão pelo boicote dos produtores de trigo. Nos momentos oportunos, armaram o teatro para medidas como a convocação dos Estados Gerais, mudanças na forma de governo, etc. E deram origem a toda espécie de desatinos.
Ao que tudo indica, assim se resume o resultado almejado por essa orquestração: se a civilização, as cidades e as indústrias modernas ameaçam a vida na Terra, cumpre desmantelá-las e optar pela vida na floresta em regime tribal. Ou seja, a dramatização de pânicos em grande estilo dá a entender que o comuno-tribalismo ecológico é a solução e o objetivo final.
Milhares de cientistas denunciam fábricas de pânicos
Na Eco92 (assembleia da ONU que deu partida, em 1992, à atual onda ecologista), 52 detentores de Prêmios Nobel e mais de 212 renomados cientistas de 29 países escreveram aos chefes de Estado: “Nós estamos preocupados ao assistir, no limiar do século XXI, à emersão de uma ideologia irracional que se opõe ao progresso científico e industrial e prejudica o desenvolvimento econômico e social”. Essa preocupação bem fundamentada abrangia até mesmo o mito que serviu de base ao Sínodo Pan-amazônico de 2019: “Nós afirmamos que o estado da natureza, por vezes idealizado por movimentos que tendem a se voltar para o passado, não existe e provavelmente nunca existiu desde a aparição do homem na biosfera”.5
Em 1997, 31.487 cientistas de quase todos os ramos do saber subscreveram o Global Warming Petition Project,6 cujo apelo à reunião da ONU em Kyoto afirmava: “Não há provas científicas convincentes de que a produção humana de dióxido de carbono, metano, ou outros gases de efeito estufa esteja causando ou venha a causar, num futuro previsível, um aquecimento catastrófico da atmosfera e o desequilíbrio do clima da Terra”.
O delírio do aquecimento catastrófico da atmosfera e o desequilíbrio do clima da Terra foram atiçados por agitadores de esquerda com o concurso do “profeta” Al Gore [foto] e seu filme "Uma verdade inconveniente".
Entre os signatários havia 9.021 detentores de PhD, 6.961 com mestrado, 2.240 médicos e 12.850 portadores de títulos universitários ou equivalentes. O manifesto, porém, não teve eco nos governos, no Vaticano e também na mídia. Pelo contrário, emudeceram ante esse apelo e se abriram ao delírio atiçado por agitadores de esquerda, cujo profeta era Al Gore com seu “Alcorão” Uma verdade inconveniente. Segundo Art Robinson, porta-voz do Project, “o filme de Gore contém muitas afirmações gravemente incorretas, que nenhum cientista honesto e informado pode endossar”. Al Gore não respondeu, e a ONU aprovou em Kyoto um Protocolo que hoje está morto, mas que durante décadas promoveu medidas tidas como absurdas por cientistas sérios.
Um grosso volume não bastaria para conter os protestos e refutações dos cientistas honestos. Por exemplo, 400 deles, por ocasião da III Conferência Internacional sobre Mudança Climática, realizada em 2009 em Nova York, fizeram o deputado da Califórnia Dana Rohrabacher exclamar: “Al Gore esteve nos enganando esse tempo todo! Isto é achincalhante!”.7 Os cientistas refutaram os mitos climáticos num tratado de 880 páginas. No mesmo ano, mais de 60 cientistas alemães advertiram a chanceler alemã Angela Merkel de que o CO2 antropogênico não exerce qualquer papel mensurável, e dissentiram publicamente dos temores de seu governo. Aderiram à carta mais de 200 outras personalidades alemãs ligadas à ciência.8
Em 2016, 113 laureados com o Prêmio Nobel, além de 5.933 cientistas e cidadãos concernidos, lançaram um apelo em favor dos “organismos geneticamente modificados”, no qual pediram aos governos que recusassem as campanhas verde/vermelhas contra a plantação e consumo de alimentos aprimorados pela biotecnologia: “Quantas pessoas pobres no mundo inteiro morrerão antes que isto [as campanhas dos movimentos sociais verde/vermelhos] seja considerado ‘crime contra a humanidade?’”.9
Outro grupo de cientistas, coordenados pelo Dr. Istvan Marko, professor na Universidade Católica de Louvain, publicou em 2013 o livro “Clima: 15 verdades que perturbam”. A grande mídia o censurou como “herético”,10 porque pôs o dedo na chaga apontando 15 pontos reveladores da incoerência na ofensiva anti-CO2. Eis as verdades:
1) o IPCC não é um organismo científico, mas político;