Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 42-43
| A ESCOLHA DA FESTA DA IMACULADA... | (continuação)

O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

Alguns trechos da Bula Ineffabilis Deus, proclamada em 8 de dezembro de 1854 pelo bem-aventurado Pio IX Afresco, no Vaticano, representando Pio IX no momento da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. (Foto: Kenneth Drake).

... Pelo que, em oração e jejum, não cessamos de oferecer a Deus Pai, por seu Filho, Nossas preces particulares e as de todos os filhos da Igreja, para que se dignasse dirigir e fortalecer Nossa inteligência com a força do Espírito Santo. Imploramos, ainda, a ajuda de toda a milícia celeste e, com verdadeiros anelos do coração, invocamos o Paráclito. Portanto, por sua inspiração, para honra da Santa e Indivisa Trindade, para glória e adorno da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da Fé Católica e para a propagação da Religião Católica, com a autoridade de Jesus Cristo, Senhor Nosso, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e Nossa, declaramos, promulgamos e definimos que a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, foi preservada de toda mancha de pecado original, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e que esta doutrina está contida na Revelação Divina, devendo, por conseguinte, ser crida firme e inabalavelmente por todos os fiéis.

Em consequência, se alguém ousar - o que Deus não permita - pensar contrariamente ao que definimos, saiba e esteja ciente de que ipso facto incidiu em anátema, de que naufragou na fé e apostatou da unidade da Igreja; além disso, por sua própria causa incorre nas penalidades estabelecidas por lei, caso se atreva a manifestar, por palavras ou por escrito, ou por outros quaisquer meios externos, sua opinião íntima.

"Coluna da Imaculada" na Praça Mignanelli, em Roma.
| DISCERNINDO |

O PRÍNCIPE GUERREIRO ANTE A SUAVIDADE DO NATAL

Paulo Henrique Américo de Araújo

A Santa Igreja de Deus forjou durante os séculos admiráveis exemplos de santidade e heroísmo, suscitando nas almas harmonias de virtudes aparentemente contraditórias.

À primeira vista, nada parece mais conflitante do que, por exemplo, a vida de oração constante de um monge e sua dedicação às atividades apostólicas. Ou entre o incentivo que, de um lado, a Igreja sempre deu à castidade, à virgindade das freiras e dos sacerdotes; e de outro lado o favorecimento da fecundidade das famílias numerosas. Ou ainda ao ensinar, ao mesmo tempo, o amor à pobreza, o desapego dos bens materiais e as esplêndidas manifestações do belo nos trajes da nobreza, nos paramentos litúrgicos, nos palácios, nas catedrais, e mesmo na dignificação e elevação do povo.

Tais contrastes harmônicos, sejam a título individual, sejam nas múltiplas instituições surgidas da civilização cristã, têm sua origem na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele demonstrava, em todo o seu proceder, uma concórdia admirável de virtudes aparentemente contraditórias. Há uma oposição magnífica, e ao mesmo tempo harmônica, entre as expressões "Cordeiro de Deus" e "Leão da Tribo de Judá", aplicadas a Nosso Senhor.

Lembremos que o Divino Salvador se mostrava manso e humilde de coração, sempre pronto a perdoar e curar; mas em outras ocasiões manifestava uma imensa severidade contra os fariseus, e até com relação aos apóstolos, quando estes agiam

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