Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 828 | página 06-07
| O CLAMOR DO POVO CATÓLICO DA AMAZÔNIA... | (continuação)

Além disso, os Padres sinodais praticamente renunciaram a converter os nativos ainda pagãos, declarando que "o diálogo ecumênico, inter-religioso e intercultural deve ser assumido como um meio indispensável de evangelização" (DF nº 24) e que a Igreja deve praticar uma "conversão cultural", limitando o anúncio da Boa Nova a "estar presente, respeitar e reconhecer seus valores, viver e praticar a inculturação e a interculturalidade" (DF n° 41). Os Padres Sinodais são categóricos ao declarar este abandono da missão tradicional: "Rejeitamos uma evangelização de estilo colonialista. Anunciar a Boa Nova de Jesus implica em reconhecer os germes da Palavra já presentes nas culturas. A evangelização que hoje propomos para a Amazônia é o anúncio inculturado que gera processos interculturais" (DF n° 55).

Em vez de ouvir o "grito de angústia diante do perigo de a Amazônia se transformar em uma imensa 'favela verde'" (Petição IPCO, no 5), os Padres Sinodais se intrometem indevidamente em assuntos de natureza científica para os quais não têm qualquer mandato divino nem competência técnica (o que representa uma clara manifestação de "clericalismo"). Eles declararam falsamente que o desmatamento "está em quase 17% da floresta amazônica e ameaça a sobrevivência de todo o ecossistema" (DF nº 11); que "a região amazônica é essencial para a distribuição das chuvas nas regiões da América do Sul" (DF nº 6); e que "é urgentemente necessário desenvolver políticas energéticas que reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases relacionados às mudanças climáticas" (DF nº 77).

Além disso, o Documento Final descreve uma suposta "situação dramática de destruição que afeta a Amazônia", cuja selva estaria "em uma corrida desenfreada em direção à morte", levando ao "desaparecimento do território e de seus habitantes, especialmente os povos indígenas" (DF nº 2). Isto resultaria da "apropriação e privatização de recursos naturais" e do que chamam de "megaprojetos não sustentáveis", ou seja, "hidrelétricas, concessões florestais, monoculturas, estradas, hidrovias, ferrovias e projetos de mineração e petróleo" (DF nº 10), resultantes do atual "modelo econômico de desenvolvimento predatório e ecocida" (DF nº 46) e do "extrativismo predatório que responde à lógica da ganância, típica do paradigma tecnocrático dominante" (DF nº 67).

Para os Padres Sinodais é necessário, pelo contrário, uma "conversão ecológica individual e comunitária que resguarde uma ecologia integral" (DF nº 73), assumindo "uma vida simples e sóbria" (DF nº 17) e "mudando nossos hábitos alimentares (consumo excessivo de carne e peixe / mariscos) com estilos de vida mais sóbrios" (DF n ° 84).

Ao invés de "repudiar energicamente as ideologias neopagãs" que difundem "um conceito distorcido de respeito à natureza" (Petição IPCO, nº 2), o Documento Final do Sínodo afirma a necessidade de preservar "rios e florestas, que são espaços sagrados, fonte de vida e sabedoria" (DF nº 80) e que a vida das comunidades amazônicas "se reflete em crenças e ritos sobre a ação dos espíritos da divindade, chamados de inúmeras maneiras, com e no território, com a natureza e em relação a ela" (DF n° 14). Da mesma forma, o "bem viver" dos povos indígenas (sic!) seria caracterizado por uma existência "em harmonia consigo mesma, com a natureza, com os seres humanos e com o ser supremo, uma vez que existe uma intercomunicação entre todo o cosmos, onde não há nem excludentes nem excluídos. [...] Esta compreensão da vida é caracterizada pela conectividade e harmonia das relações entre água, território e natureza, vida e cultura comunitária, Deus e as diversas forças espirituais" (DF n° 19).

Ao invés de "repudiar a utopia comuno-tribalista" da Teologia da Libertação (Petição IPCO nº 3), os Padres Sinodais declaram que "a teologia indígena, a teologia de rosto amazônico e a piedade popular já são riquezas do mundo indígena, de sua cultura e espiritualidade" (DF n° 54) e que "eco-teologia, teologia da criação, teologias indígenas, espiritualidade ecológica" devem ser incluídas nos currículos acadêmicos de formação de um sacerdócio com rosto amazônico (DF n° 108). O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira lamenta que, ao invés de abrirem suas almas ao pedido final à Santíssima Virgem no sentido de preservarem a unidade e vocação católica das nações amazônicas, os Padres Sinodais tenham sido mais sensíveis aos eflúvios preternaturais que emanam da figura de Pachamama, presente na sala de aula sinodal e nas cerimônias idólatras de adoração realizadas em sua homenagem nos jardins do Vaticano e na igreja de Santa Maria em Traspontina. E ao se omitirem de lamentar de maneira clara e inequívoca este episódio sem precedentes, eles simplesmente ignoraram o profundo choque que causou nos fiéis do mundo todo.

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira espera que, na anunciada Exortação Apostólica pós-sinodal, o Papa Francisco rejeite os erros acima denunciados, bem como a verdadeira revolução eclesiológica preconizada pelo Documento Final do Sínodo ao propor a concessão de extensos ministérios eclesiais oficiais e rotativos a leigos de ambos os sexos, abrir às mulheres os ministérios de Leitorado e Acolitado, e autorizar a ordenação sacerdotal de líderes comunitários casados.

São Paulo, 30 de outubro de 2019 Instituto Plinio Corrêa de Oliveira Petição promovida pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, que mais de vinte mil moradores da Amazônia assinaram: "Pedido aos Padres Sinodais: Por uma Amazônia cristã e próspera (não uma imensa 'favela verde' dividida em guetos tribais)".
Esta edição de Catolicismo já se encontrava fechada, quando tomamos conhecimento de um muito oportuno artigo de Dom Athanasius Schneider, intitulado Porque o culto a Pachamama no Vaticano não era uma bagatela. Recomendamos vivamente sua leitura, que pode ser feita no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira: https://ipco.org.br/por-que-o-culto-a-pachamama-no-vaticano-nao-era-uma-bagatela/.
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