Durante a vida de Jesus foram transcorrendo os fatos, até o momento em que as pessoas começaram a se dar conta de que Ele era o Filho de Deus.
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alemã em grau inimaginável. Considerem até a subtileza, a intuição do brasileiro: Ele as possuía também a um ponto inimaginável.
Quem conversasse com Nosso Senhor perceberia que, apenas do ponto de vista humano, Ele tinha algo que deixaria a pessoa completamente deslumbrada, sem saber o que dizer à vista da superioridade. O que, depois, lendo o Evangelho, se explicaria melhor.
Fazendo essa meditação, e lendo depois o Evangelho, entender-se-ia com mais proveito o maravilhamento de todo o povo quando o Divino Redentor passava entre as pessoas. Aquele sulco que Ele deixava atrás de Si, por exemplo, naquela atitude da multidão, quando Ele foi entrando pelo deserto, acompanhando-O e sem levar comida. Todos seguiam-no maravilhados. Só em determinado momento as pessoas se lembraram que tinham que se alimentar.
São Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!".
Maravilhamento nos seguidoresdo Filho de Deus humanado
Era tal a profusão de dons com que Nosso Senhor atraía completamente aquela multidão de almas, que as pessoas ficavam sem saber o que dizer. Seguiam-no quase perdendo o fôlego de admiração, porque Ele agradava inteiramente a todos; e, de um modo tão pleno e perfeito, que excedia a expectativa de todos.
Entretanto, não devemos considerar que Ele agisse apenas de modo terreno. Como Jesus Cristo era Homem-Deus, havia vínculo entre a natureza humana e a natureza divina. Por cima da perfeição intelectual inimaginável ainda fluía o aspecto da união hipostática com a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Portanto, um escachoar de dons sobrenaturais correspondentes, perfeitamente deslumbrantes e inteiramente insondáveis.
Assim, as pessoas tinham a sensação misteriosa de algo que as excedia completamente. E iam percebendo a divindade. Durante a vida de Jesus foram transcorrendo os fatos, até o momento em que as pessoas começaram a se dar conta de que Ele era o Filho de Deus.
Pairava uma dúvida naqueles que tratavam com Jesus Cristo. Quem seria Ele? Compreendiam que um simples homem Ele não podia ser. Com essa dúvida, Ele pergunta aos discípulos: "E vós que dizeis que Eu sou?", como quem procura dirimir um zum-zum admirativo de conjecturas que se fazia, mas que ninguém era capaz de explicar bem.
Ele, que era a suma clareza, a suma beleza, concedia às pessoas até o atrativo do sumo mistério. Para o homem, é necessário nesta vida, para que haja atração, o mistério. Mistério que Ele possuía também num grau altíssimo. Então as pessoas se perguntavam: "Mas quem é Ele? Não é possível num homem tanta grandeza! Assim um homem não pode ser, Ele quebra todos os padrões!" Até o momento em que Ele indaga: "E vós que dizeis que Eu sou?"
São Pedro levantou-se e respondeu "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!". Percebemos que brotou pelos lábios de São Pedro um ato de fé.
Jesus então disse: "Bem-aventurado és, Simão Pedro, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue te revelou isso, mas meu Pai que está nos Céus". E acrescentou: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16, 17-18).
Expressão perfeitíssima de todas as virtudes possíveis
Considerem outro aspecto em Nosso Senhor Jesus Cristo: o lado moral. Cada um de nós tem uma "luz primordial" — uma virtude especial que marca de maneira tal que, quando nos santificamos, esse traço moral se explicita mais claramente e se exprime, quando alguém corresponde inteiramente à graça; então algo de sobrenatural se manifesta.
Dom Chautard aborda essa questão no livro A alma de todo o apostolado, quando se refere ao Cura d’Ars, São João Maria Batista Vianney. Alguém perguntou a um advogado parisiense, que tinha estado na cidade francesa de Ars: "O que o senhor viu em Ars"? Ele respondeu: "Eu vi Deus num homem". Ou seja, o Cura d’Ars era tão santo que olhando para ele se percebia Deus, mais ou menos como a santa hóstia pode estar num ostensório. O ostensório não é a hóstia, mas a hóstia pode ser vista dentro do ostensório. Assim também, em São João Maria Vianney poder-se-ia ver Deus.
Na manifestação da "luz primordial" de alguém se pode perceber Deus. Nosso Divino Salvador era a expressão mais do que perfeita de todas as luzes primordiais que houve, há e haverá até o fim do mundo. De maneira que todo santo, ou toda alma fiel, não é senão uma pequena cintilação da perfeição de Jesus Cristo.
Quando se vê uma alma que nos agrada, que está progredindo espiritualmente, pode-se pensar: "Ela é um reflexo de Nosso Senhor, e, por isso, eu a estou admirando". Mas sabendo que n’Ele tudo é perfeitíssimo, porque todas as formas possíveis de virtude Ele as possuía, e de um modo tal que nenhuma imagem pode dar ideia.
Na criação, reflexos do Divino Criador de todas as coisas
Para exprimir um pouco a insuficiência completa desses raciocínios e se ter uma ideia melhor da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, um exemplo
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LEGENDA:
- Nosso Senhor com São Pedro e Santo André durante a pesca milagrosa.