Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 796 | página 02-03

EXCERTOS

Dom Duarte

Plinio Corrêa de Oliveira


Neste mês celebra-se o sesquicentenário do nascimento de Dom Duarte Leopoldo e Silva,¹ em cuja memória seguem alguns trechos de um antológico artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no jornal "Legionário" em 8 de novembro de 1942.²

Quem de nós não se lembra daquela figura esguia e solene, sempre aprumada, de gestos sempre fidalgos, de acolhida sempre nobre e majestosa, que em toda a sua pessoa deixava transparecer ao mesmo tempo uma extraordinária consciência da dignidade de seu cargo, uma resolução inabalável de cumprir os espinhosos deveres jusque ad effusionem sanguinis, uma firmeza indomável, e uma piedade sólida e comovedora?

Quem de nós, aproximando-se de Dom Duarte, não sentiu aquele misto de respeito e de confiança seguríssima que sua pessoa inspirava, e que nos levava a agir, a falar e até a sentir em sua presença como se estivéssemos em uma igreja? Quem de nós não lhe sentiu a fortaleza paternal? A majestade de Dom Duarte era como a do sol ao meio dia: completa, indiscutível, invencível, esplêndida. Ao calor de seus raios, sentia-se a convicção de que os adversários da Santa Igreja estavam inevitavelmente circunscritos em sua ação maléfica e que por isto mesmo seriam inúteis todas as suas investidas.[...]

Não posso dizer que tenha tido a fortuna de entrar propriamente na intimidade de Dom Duarte. Seus íntimos eram, além de alguns membros de sua família, apenas aqueles que o dever de ofício introduzia em seu convívio particular. Mas tive inúmeras ocasiões de tratar com ele questões reservadíssimas, em que um homem se mostra todo inteiro. Conheci-o muitíssimo de perto. E pude verificar que, em se tratando de Dom Duarte, a palavra intimidade tinha um sentido especial. Os íntimos não eram aqueles junto aos quais ele se permitisse de abrandar um tanto as regras do decoro e da conveniência, a que tão meticulosa e mortificadamente se sujeitava. Os íntimos não eram aqueles em cuja presença se permitisse uma retenue menos estrita do que em público. Íntimos eram aqueles que, observando-o mesmo em seus momentos mais comuns, podiam ver que aquele homem de Deus era verdadeiramente e plenamente tudo quanto parecia ser, conservando-se idêntico a si mesmo, sempre majestoso, sempre grande, sempre piedoso, até nos menores e mais insignificantes atos de sua vida.•

NOTAS:

1. Dom Duarte Leopoldo e Silva nasceu em Taubaté (SP) em 4 de abril de 1867. Em junho de 1893, foi nomeado coadjutor na cidade de Jaú (SP); em 1894, vigário da nova paróquia de Santa Cecília, em São Paulo. Em 9 de novembro de 1903 foi eleito bispo de Curitiba, sagrado em Roma no dia 22 de maio de 1904. Em 18 de dezembro de 1906, em virtude de decreto de São Pio X, foi transferido para São Paulo e eleito Arcebispo metropolitano, cargo que exerceu de 1907 até seu falecimento em 1939.

2. É muito recomendável a leitura deste memorável artigo em sua íntegra, o que pode ser feito por meio do seguinte link:
https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20421108_DOMDUARTE.htm