Batista Grignion, senhor de Bachelleraie e advogado do município de Montfort, e Joana Roberto, senhora de Chesnais.
Dois séculos antes, o grande apóstolo e profeta, São Vicente Ferrer (1350-1418), pregando na região, anunciou a vinda de um “poderoso missionário”, predileto de Deus.
Um tio de Luís conseguira um título de nobreza. Mas tal não sucedeu a seu pai 4, que possuía alguns outros títulos, mas pouca fortuna para educar sua numerosa prole de 18 filhos, dos quais o santo era o segundo.
Uma de suas irmãs, Joana Guyonne — sua preferida — morreu também em odor de santidade.
Por sua devoção a Nossa Senhora, ao ser crismado Luís acrescentou Maria ao seu nome.
Embora seu pai fosse um cristão convicto, que educou a família como patriarca, “no temor de Deus”, seu gênio era muito difícil, com explosões de ira incontroláveis, pelo que sua esposa, amável e bondosa, tinha que suportá-lo com paciência.
O filho herdou o temperamento do pai. Ele afirmará depois que “custava-lhe mais vencer sua veemência e a paixão da cólera, do que todas as demais [paixões] juntas”. Um dos sacerdotes que o acompanharam nos últimos anos de sua vida, Pe. Pedro Bastières, escreverá sobre o Pe. Montfort: “Realizou esforços incríveis para vencer sua natural veemência; e o conseguiu, adquirindo a encantadora virtude da doçura” 5 que tanto atraía as multidões.
“Não se compreende Montfort sem a perspectiva sobrenatural mariana”
Um dos biógrafos de Luís Maria afirma que ele “é um santo de legenda, que ultrapassa a mediana humanidade”.6 Desde muito cedo como ardente devoto da Santíssima Virgem, “retirava-se para um canto da casa para dedicar-se à oração e rezar o rosário diante de uma pequena imagem de Nossa Senhora”.7
Afirma outro de seus biógrafos: “Não se compreende Montfort criança, nem se compreenderá Montfort no seu labor apostólico, sem a perspectiva sobrenatural mariana, na qual ele sempre se manteve. Blain [um dos seus condiscípulos em Rennes e depois em Saint Sulpice, a quem devemos muitos traços da vida do santo], não esquece de salientar: ‘A Santíssima Virgem foi a primeira a escolhê-lo e a elegê-lo como um dos seus mais favoritos, e gravará na sua jovem alma a ternura tão singular que ele sempre lhe votara’”.8
Máxima comprovação da profundíssima devoção do Pe. Montfort a Nossa Senhora, assim como de sua consagração total a Ela, é sua obra Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem (escrito em 1712), que representou um marco na espiritualidade mariana. A respeito desse livro providencial, vide quadro às pp. 38-39 e matéria de capa publicada em Catolicismo, edição de abril de 2012.
De acordo com os seus primeiros mestres, “ele nunca lhes causou nenhuma dificuldade, cumpria, por si próprio, as suas obrigações, sem que fosse preciso forçá-lo por castigo ou ameaças, e já exercia o seu ofício de missionário relativamente aos seus colegas, lendo-lhes o catecismo ou livros de devoção”.9 Outro de seus contemporâneos, o Pe. Picot de Clorivière, acrescenta que seus mestres “logo se deram conta de que se tratava de uma dessas almas privilegiadas, em quem Deus se compraz em manifestar os tesouros de sua graça, e que não se ressente quase nada da natureza infectada pelo pecado”.10
Luís Maria demonstrou desde cedo possuir pendor para a pintura, a escultura e a arquitetura. Receberá algumas lições de desenho em Rennes, as quais lhe serão de grande proveito no restauro e na ornamentação de igrejas, bem como na confecção dos estandartes dos Mistérios do Santo Rosário, que utilizava em suas missões. Entre outras obras, esculpiu um piedoso crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora, que o acompanharão nas missões.
Aluno brilhante, à frente de seus condiscípulos
Quando Luís Maria completou 12 anos, em 1685, seus pais o enviaram ao colégio São Tomás Becket, dos jesuítas de Rennes, onde o estudo era gratuito. Ele permanecerá ali durante oito anos, no decurso dos quais revelou-se um aluno brilhante, colocando-se à frente de seus condiscípulos.
Luís Maria hospedou-se na casa de um seu tio eclesiástico, e todos os dias, no caminho para o colégio, visitava uma das imagens da Virgem, especialmente Nossa Senhora dos Milagres, na igreja do Salvador. “Esta devoção afetuosa à Imaculada granjeou-lhe o insigne privilégio não apenas de conservar a sua pureza intacta, mas também de desenvolvê-la ao abrigo da tentação”.11
Nessa época Luís Maria contraiu os hábitos de penitência que marcaram toda a sua vida, e que a nós, homens do século XXI, tão amolecidos e inclinados às comodidades e ao gozo da vida, causam espanto. Entretanto, “tais mortificações, inspiradas por um amor ardente, longe de ensombrar o caráter do jovem, conferiram-lhe uma paz, uma doçura e uma serenidade que nunca se alteravam, mesmo em meio às piores contradições e humilhações mais sensíveis”.12
Cresceu nele um desejo ardente de ajudar o próximo. Como diz um seu biógrafo, “seu bom coração, cheio de misericórdia e de compaixão para com o próximo, o levava, no colégio, a ocupar-se em amparar os escolares [mais] pobres que estudavam com ele. Não podendo socorrê-los com seus próprios recursos, solicitava esmolas para eles junto às pessoas caridosas”.13
Congregado Mariano
No colégio, Luís Maria tornou-se amigo de dois excelentes colegas: Jean-Baptiste Blain, do qual já falamos, e Claude-François
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