Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 784 | página 18-19
| MEMÓRIA |

Fatos e documentos inéditos revelados em notas biográficas de Plinio Corrêa de Oliveira

Frederico Romanini de Abranches Viotti Livro revela virulência da luta de bastidores travada no Brasil entre o catolicismo tradicional e o nascente progressismo católico sob o pontificado de Pio XII. O Papa estava a par da polêmica e atuou contra o progressismo católico, em apoio às teses de Plinio Corrêa de Oliveira. * * *

Uma compilação de memórias de Plinio Corrêa de Oliveira com mais de 800 páginas traz pela primeira vez à tona detalhes inéditos sobre os primeiros embates entre o catolicismo tradicional e o progressismo dito católico no Brasil.

O livro, publicado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira sob o título Minha Vida Pública, revela a articulação, no ano de 1935, de uma congregação secreta de freiras, composta por moças da melhor sociedade de São Paulo formadas na mentalidade progressista por uma professora belga, Adèle de Loneux.

Essa congregação foi a ponta de lança do movimento progressista em São Paulo, tendo desenvolvido uma campanha surda contra as Congregações Marianas e o grupo do jornal “Legionário” (órgão oficioso da arquidiocese de São Paulo) dirigido por Plinio Corrêa de Oliveira.

Dr. Plinio afirma que seu livro Em Defesa da Ação Católica teve como objetivo combater os desvios e a mentalidade errada observados nessas jovens e em outros próceres progressistas, como Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde). Tais pessoas estão no nascedouro dos tristes desvios da Ação Católica no Brasil, movimento precursor das CEBs e da própria Teologia da Libertação.

Plinio Corrêa de Oliveira se refere também à estreita amizade que o ligava no início a Alceu Amoroso Lima, a qual só se rompeu quando este enveredou rumo ao progressismo e se tornou o líder brasileiro da esquerda católica.

Também é detalhado o ambiente criado contra Dr. Plinio, após a designação de D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta para Arcebispo de São Paulo.

Documentos inéditos publicados no livro revelam ainda que o Papa Pio XII acompanhava atentamente a polêmica no Brasil, e em várias ocasiões tomou medidas que representaram apoio indireto, ou mesmo direto, à posição assumida pelo grupo do “Legionário”.

Outros fatos como esses vêm detalhados em Minha Vida Pública, cuja linguagem amena e coloquial o torna de fácil leitura.


PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA não nos deixou uma autobiografia.

Entretanto, os traços fundamentais de sua admirável vida e obra podem ser delineados no imenso acervo de documentos que os compiladores destes relatos autobiográficos tiveram à sua disposição.

Alguns desses documentos revelam aspectos inéditos e às vezes surpreendentes do prélio travado por ele, tanto no âmbito da Igreja quanto da sociedade temporal.

A linguagem coloquial torna a obra de atraente leitura, pois o leitor é convidado a considerar os fatos segundo o olhar de Plinio Corrêa de Oliveira.

Este livro nem de longe pretende esgotar os quase noventa anos de vida e setenta anos de militância católica desse grande batalhador.

Com um senso da realidade que excluía qualquer ilusão, a sua atuação deve ser vista sob dois prismas diferentes.

O primeiro, a denúncia profética por ele feita da imensa conjuração progressista no interior da Igreja, que hoje atinge patamares insuspeitados.

O segundo, o combate acérrimo e eficaz, sempre nas vias da legalidade, ao processo revolucionário que, dos séculos XIV e XV aos nossos dias, visa à completa laicização e consequente descristianização da sociedade temporal.

Sua vida foi inteiramente conforme aos princípios por ele fixados em seu livro Revolução e Contra-Revolução. A luz que emana dessa obra nos ilumina constantemente ao longo desta compilação.

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