município de Bonfim, fronteira com a ex-Guiana inglesa, no extremo norte de nosso país-continente, para saber in loco o que se passava com os descendentes de desbravadores, ameaçados de expulsão de suas terras para dar lugar a mais um parque ecológico.
Catolicismo — Poderia relatar para os nossos leitores o resultado dessa expedição?
Paulo Henrique Chaves — De nossa viagem resultou um livro-reportagem, o qual foi, por sua vez, veiculado nas redes sociais, alcançando grande repercussão. A partir de então os meios políticos começaram a se mover, a fim de evitar outra catástrofe naquela circunscrição do Brasil. Tivemos notícias de que nossa reportagem chegou às mãos das autoridades de Roraima, que se empenharam em tomar providências imediatas para impedir a demarcação. Daí resultou a primeira vitória, que consistiu simplesmente na revogação do decreto de 2009.
Catolicismo — Em que consistiu mesmo essa vitória?
Paulo Henrique Chaves — Em recente viagem a Roraima, a Presidente da República anunciou a assinatura de decreto abdicando da construção da Unidade de Conservação do Lavrado, desobrigando assim o estado de criá-lo, como estava previsto no decreto 6.754/2009. Eis suas palavras textuais: “Assino hoje, aqui em Boa Vista, um novo decreto sobre destinação de terras da União abdicando da criação de unidades de conservação”.(*)
Outra vitória foi a liberação da licença do IBAMA, que permitirá a integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) através do linhão de Tucuruí. Roraima era o único estado da Federação que por mero capricho da FUNAI não se achava unificado ao sistema, constituindo um escândalo a ser divulgado pelos quatro cantos do Brasil.
Salientamos em nossa reportagem que tal interligação significava, mais do que energia abundante e barata, uma real necessidade para o desenvolvimento do estado. A partir de agora não faltará mais luz, como ocorria nos últimos tempos, quando tal estado enfrentou diversas quedas de energia devido a falhas no fornecimento da companhia estatal venezuelana Guri, que abastece Roraima.
Catolicismo — Não ocorrerão mais perseguições aos ruralistas?
Paulo Henrique Chaves — Não nos iludamos com esse passo atrás por parte do governo federal. Pareceu-nos muito mais um recuo tático e circunstancial em busca de apoio político, do que persuasão do erro anterior, quando praticamente 90% do território de Roraima foram “engessados”. Por outro lado, a cobiça internacional sobre a Amazônia não deu mostras de arrefecimento.
É incessante a febre de demarcações dos governos do PT. Para perseguir produtores, eles fazem surgir índios onde nunca os houve; transformam descendentes de negros em quilombolas onde jamais existiram quilombos; espalham favelas rurais como praga em nossos campos com a demagógica Reforma Agrária; erigem parques ecológicos em terras trabalhadas por pioneiros nelas radicados há mais de um século.
Catolicismo — Qual tem sido a repercussão do livro?
Paulo Henrique Chaves — Cito apenas comentário sintomático de um leitor que nos escreveu: “Um trabalho tão corajoso e oportuno como este dá o que pensar, e dificilmente teria saído na mídia nacional. Ele suscita mil considerações sobre o estado de nosso País, vítima da ideologia comunista do PT. O brasileiro, conhecido por sua cordura e caráter bondoso, torna-se irreconhecível sob a impiedosa férula petista. Mudemos de governo antes que o governo mude o nosso modo cristão de ser.”
Nossa tese é a de que os produtores rurais brasileiros não suportam mais tanto descaso em relação ao seu direito natural à propriedade privada, ao trabalho e ao sustento familiar, direito esse concedido por Deus e anterior à noção de estado. Quantas desapropriações injustas foram feitas pelos últimos governos, não apenas em Roraima, mas em todo o País, simplesmente para dar continuidade a planos prenhes de utopia socialista e conducentes forçosamente à miséria!
Catolicismo — Houve repercussão dessa reportagem na mídia em geral?
Paulo Henrique Chaves — A mídia nacional tem sido muito parcimoniosa no que se refere às denúncias de abusos praticados a pretexto de favorecer o tribalismo indígena. Na proporção em que a mídia é useira e vezeira em noticiar alarmismos eco-ambientalistas, ela o deixa de ser quando se trata de denúncias sobre a ação criminosa de ONGs e organizações oficiais que manipulam os índios para investir contra propriedades particulares. Só no Mato Grosso do Sul já são quase 100 fazendas invadidas por indígenas, movidos na maior parte das vezes pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) — órgão vinculado à CNBB.
Catolicismo – E nos meios políticos, o que vem acontecendo?
Paulo Henrique Chaves — A revista Catolicismo foi pioneira ao estampar em recente edição [novembro/2015] entrevista com a deputada estadual Mara Caseiro, na qual ela anunciava a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para investigar o CIMI.
No mesmo sentido, em meio à despreocupação geral e ao enigmático silêncio dos meios de comunicação, a Câmara dos Deputados instalou, em novembro de 2015, presidida pelo deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), uma CPI para investigar a atuação da FUNAI e do INCRA em demarcações de terras.
Foi a ele que a deputada Mara Caseiro — presidente da CPI sul mato-grossense — entregou recentemente graves e importantes documentos comprovando as denúncias de que o CIMI teria financiado e incitado invasões de propriedades particulares por indígenas no estado de Mato Grosso do Sul. O deputado Alceu Moreira avaliou que há várias formas de influências na demarcação de terras indígenas: do CIMI, de um setor da Igreja e da FUNAI. E completou: “Esse crime é de laboratório e feito a muitas mãos”.
Catolicismo — Como o senhor qualifica essas iniciativas parlamentares? Elas pressagiam a resolução, depois de várias décadas, do problema da invasão criminosa de terras no País?
Paulo Henrique Chaves — São duas CPIs, uma estadual e outra federal, que poderão resultar na descoberta e penalização dos agentes ocultos dessa imensa revolução tribalista que ameaça o estado de direito do Brasil. A CPT e o CIMI pregam abertamente o conceito de “territorialidade”, segundo o qual vastas regiões da Amazônia e do País deveriam ser transformadas em territórios autônomos para índios, quilombolas e “sem-terra”. Se isso infelizmente acontecer, a nação brasileira deixará de existir como unidade política e social.
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