A Lei Mosaica: considerações diversas
A propósito das leis concedidas aos hebreus, por meio de Moisés, disse o Senhor: “Guardai as minhas leis e os meus mandamentos, e ponde-os em prática, a fim de que a terra em que estais para entrar e para habitar não vos vomite também a vós. Não caminheis segundo os costumes das nações que Eu estou para expulsar da vossa vista; porque Eu as abominei” (Lev. 20, 22-23).
Bênçãos diversas –– “Servireis ao Senhor vosso Deus, para que Eu abençoe o teu pão e a tua água, e afaste de ti a enfermidade” (Ex. 23, 25). “Se guardardes os meus mandamentos, e os praticardes, Eu vos darei as chuvas nos seus tempos, e a terra dará o seu produto, e as árvores se carregarão de frutos; e comereis o vosso pão à saciedade. Afastarei de vós os animais nocivos” (Lev. 26, 3-6).
“Serei inimigo dos teus inimigos” –– “Eis que eu enviarei o meu anjo, que vá adiante de ti, e te guarde pelo caminho. Respeita-o, e ouve a sua voz e vê que não o desprezes, porque ele não te perdoará se pecares, e o meu nome está nele. Se ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que te digo, eu serei inimigo dos teus inimigos, e afligirei os que te afligem. E o meu anjo caminhará adiante de ti” (Ex. 23, 20-23). “Enviarei o meu terror diante de ti e farei com que todos os teus inimigos voltem as costas diante de ti” (Ex. 23, 27). “Se saíres à guerra contra os teus inimigos e vires os (seus) cavalos e carroças e o exército contrário mais numeroso que o que tu tens, não os temerás, porque o Senhor teu Deus é contigo. E quando se aproximar a batalha, o pontífice estará diante do exército e falará assim ao povo: ‘Não recueis nem lhes tenhais medo porque o Senhor vosso Deus está no meio de vós e combaterá para vós contra os vossos inimigos’” (Deut. 20, 1-4). “Perseguireis os vossos inimigos, e eles cairão diante de vós. Cinco dos vossos perseguirão um cento dos estranhos, e cem dos vossos perseguirão dez mil deles; os vossos inimigos cairão ao fio da espada diante de vós” (Lev. 26, 7-8).
Defesa da propriedade –– “Se alguém roubar um boi ou uma ovelha e os matar ou vender, restituirá cinco bois por um boi e quatro ovelhas por uma ovelha. Se (o ladrão) não tiver com que pague o furto, será vendido ele mesmo. Se alguém danificar um campo ou uma vinha, e deixar que o seu gado ande a pastar nos campos alheios, dará o melhor que tiver no seu campo ou na sua vinha, segundo a avaliação do dano’ (Ex. 22, 1-5). “Se vires extraviado o boi ou a ovelha do teu irmão, reconduzi-los-á a teu irmão, ainda que este irmão não seja teu parente nem tu o conheças. O mesmo farás a respeito do jumento, do vestido e de (outra) qualquer coisa de teu irmão que se perdesse” (Deut. 22, 1-3). “Maldito o que transpõe os marcos de seu próximo” (Deut. 27, 17).
Empregados e escravos –– “Se, obrigado pela pobreza, o teu irmão se vender a ti, não o oprimirás com a servidão de escravo, mas (em tua casa) será como um jornaleiro (ou empregado) e um colono” (Lev. 25,39). “Os escravos e escravas que tiverdes, sejam das nações que vos cercam. E dos estrangeiros que vivem entre vós ou que destes nasceram na vossa terra; e por direito de herança os deixareis aos vossos filhos” (Lev. 25, 44-46).
Honrar o velho –– “Levanta-te diante de uma cabeça encanecida, e honra a pessoa do velho” (Lev. 19,32).
Juízo justo –– “Não terás também compaixão do pobre em juízo” (Ex. 23,3).
Deus quer a santidade –– “Vós sereis para mim homens santos” (Ex. 22, 31). “Sede santos porque Eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lev. 19,2). “Santificai-vos e sede santos, porque Eu sou o Senhor vosso Deus. Guardai os meus preceitos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor que vos santifico” (Lev. 20, 7-8). (Os sacerdotes) “serão santos para o seu Deus e não profanarão o seu nome” (Lev. 21, 6).
Manipulação linguística prepara aprovação do aborto
Bráulio de Aragão
Imagine-se, caro leitor, vendo na seção policial de algum jornal a seguinte notícia: “Carente de recursos econômicos, inclusive para se alimentar, um grupo de cidadãos do sexo masculino penetrou numa agência bancária para pedir ao gerente uma doação compulsória. A intransigência de alguns guardas armados provocou a privação da vida de dois deles”.
Assim redigida, a notícia pode até provocar hilaridade, já que se tratam de expressões ridículas, cuja única finalidade é o escárnio de um episódio trágico: um assalto à mão armada, seguido de morte.
Entretanto, manipulação linguística semelhante vem sendo utilizada na grande imprensa pelos defensores da legalização do aborto em nosso país.
Os abortistas sabem que a alma nacional é naturalmente cristã, afetiva e bondosa. Jamais o coração do brasileiro consentiria numa matança indiscriminada de seres humanos inocentes. Por isso, o caráter imoral, discriminatório e cruel da prática abortiva é apresentado sob o véu atenuante de certas expressões e de sofismas habilmente manipulados. Vejamos alguns exemplos.
"Interrupção da gravidez" e "aborto terapêutico"
“Conselho de Medicina quer legalizar aborto terapêutico. Projeto permite interromper gestação do feto com problemas irreversíveis .(1)
Este é o título de uma notícia estampada num diário paulista. À primeira vista, nada de especial. Porém, com um pouco de reflexão, descobre-se a contradição flagrante dos termos empregados.
Quem fala de terapia, refere-se à cura. Mas aborto significa sempre a morte do feto. “Aborto terapêutico” (2) equivale, portanto, à “cura pela morte”.
Ocorre que os abortistas precisam esconder, sob as roupagens de expressões científicas, a realidade brutal da eliminação de uma criança ainda não nascida. É por isso que, ao invés de “matar o feto”, utilizam a expressão “interromper a gestação”, dando assim a impressão de se tratar de procedimento cirúrgico corriqueiro, mais ou menos como uma extração dentária. Os termos referem-se, ademais, apenas à condição transitória da mãe –– ao período de gestação ––, ignorando por completo o ser humano, autônomo e individuado, que ela traz no ventre.
De que modo os abortistas “interrompem” a vida de uma criança no seio materno? Depende do estágio da gravidez.
O que é “aborto terapêutico”
Na medicina atual, dá-se o nome de “aborto terapêutico” ao aborto direto e voluntário, praticado com a pretensa finalidade de impedir que a gravidez provoque agravamento numa doença de que a mãe é portadora. Por exemplo, a mãe sofre de uma doença cardíaca que seria agravada com a intercorrência de uma gravidez, a qual até poderia colocar em risco a vida da mulher. O aborto “terapêutico” então realizado teria a finalidade, não de curar a doença da mãe, mas apenas de impedir seu agravamento. O que se opõe ao conhecido princípio da moral de que “o fim não justifica os meios”; pois matar o nascituro é um meio mau e não pode ser utilizado para um fim bom.
Atualmente, ademais, esta alegação para a prática do aborto está superada pelos recursos científicos de que dispõe a medicina moderna, não havendo mais casos de doenças maternas que justifiquem cientificamente a realização de tais abortos “terapêuticos”.
Também, muitas vezes, dá-se o nome de “terapêutico” ao aborto que muitos chamam de “eugênico”, ou seja, aquele realizado para matar e extrair um concepto que nasceria com doença ou deformidade congênita como, por exemplo, o mongolismo. Ainda é mais aberrante chamar este tipo de aborto de “terapêutico”, pois em vez de se curar a doença do nascituro, o que se faz é matá-lo! E uma autêntica eutanásia ativa pré-natal.
Os métodos de extermínio
Até a 10ª semana de gestação, normalmente se emprega o método de sucção: um aparelho 29 vezes mais potente do que um aspirador de pó arranca violentamente o feto do claustro materno. Algumas dessas máquinas letais possuem lâminas especiais que reduzem a pedaços o nascituro antes de sugá-lo, completamente desfigurado.
Quando se trata de um período adiantado de gestação, além de 16 semanas, mata-se a criança por envenenamento salino. Aplicado esse método, de imediato começam as convulsões irregulares e violentas daquele pequeno ser, que já conta com todos os sistemas orgânicos e possui até impressões digitais. O efeito corrosivo do sal queima-lhe a pele delicada. Em vão tenta escapar, sacudindo-se de um lado para outro, em terríveis contorções.
O suplício dura em média de uma a duas horas. A mãe pode acompanhar a