Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 232 | página 04-05

ESCREVEM OS LEITORES

PROVÍNCIA DE MOÇAMBIQUE

Exmo. Revmo. Sr. D. José dos Santos Garcia, Bispo de Porto Amélia, em resposta à circular em que informávamos os assinantes a respeito do êxito da campanha levada a efeito pela TFP para divulgação do n.° 220-221 desta folha, dedicado à denúncia do IDO-C e dos "grupos proféticos": "Li com muito interesse a carta de 12 de Setembro de 1969, há pouco recebida.

Li atentamente o número 220-221, de Abril-Maio, de CATOLICISMO e apreciei-o devidamente.

Se me fosse permitido, faria a sugestão de fazerem uma separata em formato de pequeno livro. Teria as suas vantagens. É uma simples sugestão.

Agradeço a carta e o jornal, faço os melhores votos pelo bom fruto de todos os trabalhos de Vossa Excelência e seus colaboradores, apresento-lhe os meus melhores cumprimentos".

PARANÁ

Revda. Irmã Christina, Convento das Irmãs Filhas da Cruz, Bocaiúva do Sul: "... muito apreciamos o CATOLICISMO".

EE.UU.

Sr. K. E. Gillette, South Bend, Indiana: "I wish to thank you for the very informative article in CATOLICISMO by Bishop D. Antonio de Castro Mayer. [...] If you can spare them, please send me 6 copies of the "Summary" in english in CATOLICISMO [n.° 220-221 de abril-maio de 1969], of the Bishop's article: "Modernist heresy soars triumphant".

CORÉIA

Sr. José Maria Hernández, Secretário-Geral da World Anti-Communist League (WACL), Freedom Center, Seul: "Con sumo aprecio acuso recibo de su carta y ejemplares de la revista CATOLICISMO. He leído con mucho interés los articulos sobre la lucha de la TFP con las fuerzas del Demonio que ahora hacen todo lo posible para derrocar a la Iglesia Catolica, Apostólica, Romana. Me siento muy triste sobre los esfuerzos que hacen estos teólogos y seglares modernistas que, según su criterio, creen que ellos solos pueden suplantar la doctrina fundamental de la fe".

EE.UU.

Da. Marietta Fontoura, Los Angeles: "Aprecio sem limites o jornal CATOLICISMO! Agradeço aos homens que nele trabalham e imploro a Deus a conservação de sua fé e coragem!! Creio no homem brasileiro, e a grande prova desta crença, está na demonstração varonil e sobretudo apostólica dada pela Sociedade de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP. A mim, se me faz sentir que são eles os apóstolos de hoje e de amanhã. Louvo a Deus, por permitir a existência de homens como os da TFP; por se fazer valer à humanidade e à Cristandade dentro do emaranhado... diabólico[...]".

BAHIA

Sr. Antonio Moreira de Pinho, Caldeirão Grande, Gonçalo: "Respeitosamente, aqui eu me dirijo a Vossa Reverência, ao fim de dizer-vos, que receba aí em Campos, Trinta novos cruzeiros que remeti pelo intermédio do Banco do Brasil. Sendo 10,00, dez novos cruzeiros; fazendo o pagamento da minha assinatura, anual de CATOLICISMO, e os outros 20 é uma pequena dádiva que eu mando para a Sociedade Brasileira de Tradição, Família e Propriedade, que enfrenta a guerra em favor de nosso Deus: Contra os profetas do ateísmo. Peço que me desculpe por ser tão pequena a quantia; (porque sou pobre de dinheiro) mas eu, com ajuda de Deus, eu pretendo a tornar a mandar: Eu aqui me considero por um irmão da TFP. Eu imploro a nosso Senhor Jesus Cristo; que ajude, com seu divino auxílio; que a TFP torne-se uma grande Campanha mundial, contra o ateísmo do IDO-C. Fim".

• O donativo será encaminhado à TFP.

SÃO PAULO

Sr. Carlos Alberto Fernandes, São Paulo: "Gosto [de CATOLICISMO], pela maneira científica e correta com que aborda os problemas referentes às reformas da Igreja. Não só por isso, mas também por ser um guardião fiel da Igreja contra a invasão do mundo materialista que quer se infiltrar no nosso Cristianismo".

R. DE JANEIRO

Revmo. Pe. [ilegível], S. S. S., Biblioteca do Seminário Sacramentino, Rio de Janeiro, em resposta à circular em que perguntávamos se desejavam continuar recebendo graciosamente esta folha: "Dispensamos por não estar-mos de acordo com o vosso comportamento na Igreja do Vaticano II que é a de Xristo Jesus".

• A grafia "estar-mos" é do original.

MINAS GERAIS

Revmo. Pe. João Pedro Sarto, S. S. S., Monte Santo de Minas: "Desde o primeiro número de CATOLICISMO é que sigo com grande interesse, beneficiando-me desta publicação: sempre apreciei a serenidade e profundeza de suas asserções; a coerência e a honestidade de seu procedimento. É só ver a excitação e até agitação de outras imprensas que se dizem católicas e que chegam a contínuas contradições, como canas agitadas pelos ventos mais inconstantes... é só seguir, por um tempo, mesmo breve, pronunciamentos de tantas outras pessoas "públicas", para apreciar a constância e firmeza de espírito, vibrante e contagiante, do mensário CATOLICISMO".

STA. CATARINA

Sr. Luiz [ilegível], Blumenau: "Vai interessar, decerto, os leitores dessa revista conceituada conhecer o texto que saiu em "A Tribuna" aqui da cidade de Blumenau, na "Última Coluna" do cronista Ce Eme, no dia 2 [de março]. Grampeio a esta carta o recorte".

. O texto da crônica é este:

"ÚLTIMA COLUNA. / Ce Eme. / Os guapos rapazes do núcleo local da TFP, de quando em vez estão na ordem do dia. Ou na berlinda; como quiserem.

Ora um engraçadinho que não concorda com a propaganda e venda que realizam de seu jornal; ora implicam com o estandarte do leão rompante; ora com a cor vermelha e, às vezes, com aquela capa que os moços, espanholamente, trazem aos ombros.

Vez por outra um ou outro dos nossos jornais insere em páginas internas matéria da TFP. Matéria paga, sem dúvida. E paga com o dinheiro suado dos alinhados jovens, que trabalham em diversas das nossas empresas.

Deles ninguém é capaz de apontar um deslize. Nunca foram vistos a refocilar na lama dos bordéis ou na piscina de uma das nossas mais luxuosas boates. Suas vidas são dignas e servem de exemplo aos play-boys cabeludos deslavados.

Dizem que são agressivos.

Que são intransigentes.

Que representam o passado que colide com o Catecismo Holandês.

E, pasmem os cristãos: os moços, que frequentam a Igreja e os sacramentos, que são decentes, que primam por uma vida limpa, são apontados como desordeiros até de muitos púlpitos das nossas cidades.

Se eles são outros tantos São Francisco, que nunca se calou, num eterno "clama, ne cesses"...

Por isto, aqui está a ÚLTIMA COLUNA quixotescamente, terçando lanças em prol dos moços da TFP".

O BISPO DA ORQUESTRA DE JAZZ

SÃO PAULO

Sr. Nilo de Toledo, Campinas: "No n.o 220-221, de abril-maio [de 1969], desse jornal há uma fotografia do Bispo espanhol Mons. Horlando Arce Moya dirigindo uma orquestra de jazz em boite, o que segundo aí se diz, ele costuma fazer.

Contudo um Padre meu amigo me informou que esteve na Europa com esse tal H. A. Moya, o qual depois de se meter em diversos episódios pouco edificantes, veio para a América do Sul e se fez "consagrar" "bispo", porém da igreja brasileira. Acrescentou esse Padre meu amigo que não sabe por onde anda, agora, o pseudo padre, mas o conhece bem.

Tomei há poucos dias uma assinatura do seu jornal cuja orientação muito aprecio, porém acho que não se deve publicar notícias nem informações que não estejam confirmadas. Do contrário o jornal perde o crédito e se desmerece da opinião pública.

Não escrevo esta com o intuito de desaprovar a orientação de CATOLICISMO senão visando o bom nome e o prestígio da publicação. Gostaria de saber de que fonte esse jornal colheu a informação em questão".

■ SE O PREZADO missivista quiser reler a legenda que publicamos sob a foto em apreço, encontrará a indicação da fonte de onde colhemos a informação ali estampada: "I. C. I. informa que este Bispo espanhol, Mons. Horlando Arce Moya, costuma dirigir uma orquestra de jazz em boites". "I. C. I." é a sigla da conhecida revista progressista francesa "Informations Catholiques Internationales". Em seu número 327, de 1° de janeiro de 1969, p. 17, traz ela uma foto análoga à nossa, esclarecendo que se trata de "um Bispo bem dans la note: Mons. Horlando Arce Moya, de San Roque, perto de Madrid".

A foto que publicamos apareceu originariamente na revista italiana "Stampa", da qual reproduzimos o clichê. Também a revista argentina "Siete Dias", e o semanário paulistano "Shopping News" a apresentaram, com as mesmas indicações sobre o personagem nela focalizado.

Aproveitando uma viagem que dois colaboradores nossos realizaram à Espanha em fins do ano passado, procuramos obter maiores esclarecimentos a respeito desse Bispo. Estiveram eles no dia 1° de novembro com o Pároco da Matriz onde atuava Mons. Arce Moya: a de San Roque, situada na Calle Abolengo, n.° 10, no bairro madrilenho de Carabanchel.

Informou o Revmo. Pároco que Mons. Horlando Arce Moya é de nacionalidade chilena e estudou, se não lhe falha a memória, no Seminário de Nuestra Señora de la Concepción. Ordenado Sacerdote em sua terra, veio mais tarde para o Brasil, e aqui foi sagrado bispo por Carlos Duarte Costa, Bispo-apóstata de Maura que fundou a chamada igreja católica brasileira. Posteriormente, Mons. Arce Moya abandonou aquela seita e teve sua sagração reconhecida pela Santa Sé, tornando-se, dessa forma, Bispo da Santa Igreja, embora seu nome não figure no Anuário Pontifício e não lhe tenha sido atribuída nenhuma Diocese, mesmo titular. — Cabe lembrarmos a propósito o caso análogo do falecido D. Salomão Ferraz, cuja sagração episcopal — conferida pelo mesmo Carlos Duarte Costa — veio a ser confirmada pela Santa Sé, recebendo ele as insígnias episcopais em cerimônia presidida pelo então Arcebispo de São Paulo, o Emmo. Sr. Cardeal Motta. Seu nome não foi inscrito no Anuário Pontifício senão bem mais tarde, em 1966 (p. 581), quando lhe foi atribuída uma Sede titular (Eleuterna), o que não chegou a ocorrer no caso de Mons. Horlando Arce Moya. D. Salomão veio mesmo a participar do II Concílio Vaticano.

Segundo o Pároco de San Roque, Mons. Arce Moya teria ido para a Espanha a conselho de Emmo. Cardeal da Cúria, e viveu cerca de três anos naquela Paróquia. No dia 30 de agosto de 1968 saiu de férias, deixando na casa paroquial diversos objetos de uso pessoal (rádio, livros, cruz peitoral, etc.). A partir dessa data o nosso informante perdeu todo contato com o Prelado chileno, sabendo apenas por terceiros que ele esteve em Roma, indo depois para a Alemanha e em seguida para a Irlanda, de onde teria voltado para a Alemanha. Precisou o Revmo. Padre que Mons. Arce Moya é realmente um homem inquieto.

Acrescentou ainda S. Revma. ter recebido cartas muito incisivas de determinada Congregação Romana, pedindo notícias de Mons. Horlando Arce Moya; respondeu que ignorava seu paradeiro.

Quanto à fotografia publicada em "Stampa" (e que reproduzimos), esclareceu o referido Sacerdote que ela não foi tomada em uma "boite", mas na Televisão Espanhola. Afirmou não acreditar que Mons. Arce Moya tocasse em "boites", pois ele tocava muito mal...

Em 6 de novembro nossos colaboradores dirigiram-se ao Arcebispado de Madrid, onde foram recebidos pelo Chanceler, D. Andrés de Lucas. Disse S. Revma. que não tinha maiores informações a respeito do eclesiástico chileno; sabia apenas que ele passara quatro ou cinco anos na Espanha, na Paróquia de San Roque.

Aduziu D. Andrés de Lucas que a Cúria de Madrid recebera carta de um Exmo. Arcebispo brasileiro, cujo nome declinou, o qual pedia informações sobre o personagem em questão, esclarecendo que um jornal do Brasil publicara uma foto sua ao lado de conhecida atriz; um recorte do jornal acompanhava a carta.

Finalmente, verificaram nossos colaboradores que o nome de Mons. Horlando Arce Moya ainda figurava no guia da Arquidiocese de Madrid-Alcalá, mas não como membro do Clero local; ele não exercia nenhuma função oficial na Espanha, mas apenas auxiliava na Paróquia de San Roque.

Como nosso leitor pode ver, CATOLICISMO não só não publicou notícia não confirmada, mas, além de ter o testemunho de três revistas de expressão internacional, procurou obter diretamente as informações que agora sua carta oferece a oportunidade de transmitir ao público.


Série de artifícios contra o "Vade-mécum do católico fiel"

Pe. João Maria Barcelonne

Vigário do Puríssimo Coração de Maria

Enviou-nos um amigo o volume XXIX da "Revista Eclesiástica Brasileira" (dezembro de 1969), com uma indicação à página 939. Nesta página e seguintes, a REB reproduz um artigo do Pe. GIOVANNI CAPRILE, S. J., publicado na "Civiltà Cattolica", que contém críticas ao "VADE-MÉCUM DO CATÓLICO FIEL", cuja tradução portuguesa é de minha responsabilidade. E, ao apresentar o artigo do Jesuíta italiano, tenta a REB, numa pequena nota introdutória, desacreditar a referida tradução, editada pela Diocese de Campos.

Compreendemos, assim, a amabilidade do amigo, e agradecemos sua atenção. Sem ele, não teríamos tomado conhecimento do texto da REB, e deixaríamos sem reparos as considerações do Pe. Caprile, com prejuízo daqueles que nos honraram com sua confiança, e em geral, dos leitores do "Vade-mécum", cuja ortodoxia, talvez, pusessem em dúvida. Dizemos "talvez", porque são tantas as inexatidões que ressaltam ao se confrontar o texto verdadeiro da obra e o que dele cita o artigo do Pe. Caprile, que uma simples verificação seria suficiente para dissipar qualquer suspeita, surgida no primeiro momento.

Não conhecemos a edição italiana do "Vade-mécum", a propósito da qual o referido Sacerdote escreveu seu artigo. Assim, não podemos assegurar que a versão portuguesa da REB reproduza fielmente o pensamento do tradutor italiano. O que, sim, podemos afirmar é que as citações principais do "Vade-mécum do Católico Fiel", apresentadas no texto da REB, não correspondem ao original francês, vertido exatamente na edição brasileira.

Segundo a REB, as críticas do Pe. Giovanni Caprile se voltariam contra os Sacerdotes franceses que escreveram o opúsculo vindo a lume com aplausos do eminente Mons. Marcel Lefèbvre, Arcebispo titular de Synnada. Se a revista reproduz bem a intenção do articulista, registremos a falta de cautela deste, porquanto empenhar-se-ia em desacreditar uma publicação sem verificar a fidelidade da tradução que examina. Para evitar todo risco de difamação, convinha que o Revmo. Jesuíta procurasse certificar-se de qual o genuíno pensamento dos autores do "Vade-mécum". A REB teria uma facilidade ainda maior: bastaria ler a edição brasileira.

Sobre a atitude da REB, nada dizemos. Não é a primeira vez que ela desorienta seus leitores, servindo-se de versão infiel (cf. artigo de Frei Valfredo Tepe, O. F. M., atualmente Bispo Auxiliar de Salvador, em vol. XX, pp. 366 e seguintes, no qual serve-se de uma tradução castelhana inexata para fundamentar sua opinião com a autoridade do Pe. Gemelli).

Passando ao exame do artigo do Pe. Caprile, como o reproduz a citada revista brasileira, verificamos que S. Revma. faz três acusações principais contra o "Vade-mécum do católico Fiel", procurando demonstrar a legitimidade dessas acusações com alguns exemplos.

"O livro destrói toda docilidade aos Pastores legítimos"

A primeira "crítica forte" ao opúsculo assim se exprime: "sob a aparência do respeito e do devotamento à hierarquia e ao Papa, instila nos fiéis a suspeita, a desconfiança, a reserva mental para com toda autoridade eclesiástica, sacerdotes, bispos e até o Papa, mal e mal eles se afastem um pouquinho da rígida linha de comportamento e pensamento que aquele determinado grupo identifica, simplesmente, com a ortodoxia católica. Exortando ao protesto, ao isolamento, à discórdia, ao julgamento pessoal e aos humores individuais, acaba-se por derrubar justamente um dos pontos firmes que eles pretendem defender: o "sentire cum Ecclesia" e a docilidade com os pastores legitimamente constituídos" (REB — p. 940).

O erro do Jesuíta italiano consiste, aqui, em partir do pressuposto, de sabor relativista, segundo o qual a ortodoxia católica é uma coisa habitualmente indefinida e difusa; nítida talvez em alguns pontos gerais, a respeito dos quais haja, em nossos dias, perfeita coincidência de opiniões dentro da Hierarquia e do Clero. Em contraposição, os autores do "Vade-mécum" vão buscar em fontes bem mais teológicas o seu conceito de ortodoxia: "permaneçamos calmos e confiantes, aderindo com amor a todos os ensinamentos do Magistério, o qual nos confirma na Fé da imortal Tradição. [...] Nossa Verdade é a de nossa Mãe. A Igreja não é nem tal teólogo, nem tal Padre, nem mesmo uma Diocese ou uma reunião de Bispos; a Igreja é a Igreja de Roma, "Mãe e Mestra de todas as Igrejas"; é toda a cristandade em comunhão com a Fé de Pedro" (p. 25).

O mesmo se diga do "sentire cum Ecclesia". Pode-se afirmar, por exemplo, que participa deste "sentire cum Ecclesia" o Sacerdote ou mesmo o Bispo que ensina aos fiéis, ou permite que lhes seja ensinado, que a salvação é "a realização progressiva do homem na construção do mundo" (cf. "Vade-mécum", p. 15)?

Por outro lado, nenhum teólogo católico pode desconhecer ou negar que a autoridade dos Pastores legitimamente constituídos lhes vem da união com a Sé de Pedro e da fidelidade ao Magistério infalível da Igreja. Ora, é baseando-se na "Fé de Pedro" e no Magistério da Igreja que os autores do "Vade-mécum" dão aos fiéis os conselhos que, em consciência, julgam necessários nos dias difíceis que atravessamos. Caberia ao Pe. Caprile entrar no mérito da questão e provar que os autores se enganaram — e portanto enganaram os fiéis — apresentando como pontos de ortodoxia católica o que, na realidade, não o é. Sem isto, sua crítica não tem nenhum valor, pois não passa de uma afirmação gratuita.

O PE. CAPRILE EXEMPLIFICA

Em abono dessa sua primeira crítica, aduz o articulista da "Civiltà Cattolica" alguns exemplos.

• l.° EXEMPLO. - Escreve o Pe. Caprile: "Diz o proêmio que a publicação [o "Vade-mécum"] "intenciona socorrer os milhares de fiéis que, dia após dia, e recebendo na maioria dos casos respostas insatisfatórias, quando não mentirosas, interrogam angustiados o clero e as autoridades sobre os direitos e sobretudo sobre os deveres que lhes tocam, nesta hora de gravíssima provação, para a Igreja Católica" (p. 4). O que concluir? Se os fiéis necessitam deste socorro, deveriam as diretrizes, orientações, prescrições que deveras não faltam por parte dos bispos, do clero e da Santa Sé, ser catalogadas no número dessas respostas insatisfatórias ou mesmo mentirosas! A maioria dos pastores e do clero estaria, portanto, toda ela unida nesta diabólica trama visando a perda das almas!" (p. 940).

Acontece que as palavras citadas, simplesmente, NÃO FIGURAM no original francês do "Vade-mécum", nem, evidentemente, em nossa tradução portuguesa.

• 2.° EXEMPLO. - Prossegue o Pe. Giovanni Caprile: "No capítulo "Alimento espiritual" é sugerido, quanto aos livros litúrgicos, preferir "sempre as edições anteriores a 1960", pois "depois foi o caos das edições erradas, arbitrárias, contraditórias". E como justamente essas edições trazem a devida autorização das Conferências Episcopais, de organismos pontifícios ou de cada bispo, eis-nos outra vez diante da suspeita de que tais organismos ou pessoas se tenham deixado cair facilmente em erros, arbitrariedades e contradições com a fé" (p. 940).

O mesmo se deve dizer deste exemplo: não figuram tais palavras nem na edição francesa, nem na edição brasileira do "Vade-mécum do Católico Fiel".

Aliás, não sabemos como o Pe. Caprile responderia à acusação de má fé, ao redigir este parágrafo. Ele sabe muito bem que obras aprovadas, mesmo pelo Mestre dos Palácios Apostólicos, tiveram seus títulos inscritos no Índice dos Livros Proibidos. De onde, em sua lógica, deveria S. Revma. concluir que as autoridades que aprovaram tais livros, inclusive o Mestre dos Palácios Apostólicos, ter-se-iam todas "deixado cair facilmente em erros, arbitrariedades e contradições com a fé". Por que não o faz? Porque sabe muito bem a responsabilidade relativa das autoridades que aprovam um livro. Por que não aplica ele o mesmo critério ao condenar o "Vade-mécum" italiano? É hábito dos progressistas procurar desacreditar aqueles que se mantém fiéis à tradição, chamando-os de "integristas", sem nunca dizer precisamente o que entendem por essa palavra. Como o Pe. Caprile segue este método em sua crítica (cf. REB — p. 939), somos levados a desconfiar de que ele seja progressista, e já não nos admiramos de que lhe tenha causado tanta irritação o "Vade-mécum".

• 3.° EXEMPLO. - Trata-se das críticas do livro ao chamado "fundo obrigatório", o qual é um conjunto de teses que, por determinação da Assembleia Plenária do Episcopado da França, devem figurar em todas as redações do novo Catecismo francês. O Jesuíta italiano estende, por conta própria, estas críticas ao tristemente famoso Catecismo holandês.

Antes de tudo, observemos que o Pe. Caprile acusa o "Vade-mécum" de julgar as intenções dos autores dos citados catecismos. É mais uma manobra para desacreditar o opúsculo, o que, certamente, não vem abonar a boa fé do Jesuíta, pela deslealdade que a observação envolve. De fato, o "Vade-mécum do Católico Fiel" critica o "fundo obrigatório", não entrando no julgamento das intenções de seus autores.

Em segundo lugar, alega razões muito sérias para justificar a atitude que toma. Depois de exemplificar com alguns dos mais graves defeitos do Catecismo francês (é sua a esdrúxula conceituação de "salvação" que citamos acima, e há outras do mesmo estilo), o "Vade-mécum" afirma: "Nenhuma autoridade humana, ainda que eclesiástica, pode impor um catecismo que não esteja de acordo com a Fé" (p. 15). O Pe. Giovanni Caprile, S. J., ao que parece, pensa de outra maneira.

É muito fácil falar em docilidade em relação aos Pastores legitimamente constituídos, é igualmente fácil opor o Episcopado Francês, o Holandês, e mesmo — através de um sofisma — a própria Santa Sé, aos zelosos Sacerdotes que elaboraram o "Vade-mécum". Mas, se o Pe. Caprile desejasse refutar seriamente a estes, deveria ter provado que os erros do Catecismo francês não são erros, ou então que — ao contrário do que afirma o "Vade-mécum" — a Autoridade Eclesiástica pode impor um catecismo que não esteja de acordo com a Fé. Creio que ele não abordou estas duas questões simplesmente porque, neste ponto (que é o fundamental), não tinha nada a dizer. Este exemplo bem mostra a má fé com que S. Revma. agiu no assunto, ao mesmo tempo que lança descrédito sobre uma revista — a "Civiltà Cattolica" — antes considerada como serena e científica (suposto, sempre, que a REB a tenha traduzido bem).

"Tem afirmações disciplinar e doutrinariamente insustentáveis"

A segunda crítica se afigura mais grave do que a primeira: "algumas de suas afirmações [do "Vade-mécum"] não parecem muito sustentáveis no plano doutrinal como no disciplinar" (p. 940).

Novos EXEMPLOS DO PE. CAPRILE

O Pe. Giovanni Caprile entra logo nos exemplos.

■ 1.° EXEMPLO. - Assim se exprime S. Revma. para começar: "eis o que se escreve [no "Vade-mécum"] a respeito da comunhão: "Comungai sempre de joelhos. Evitai as igrejas onde vos obrigariam, talvez brutalmente, a comungar de pé. Se porventura fôsseis colhidos de surpresa, oferecei então o sacrifício desta comunhão e supri com a espiritual: o Senhor vos recompensará com abundantes graças" (p. 7). Antes de mais nada, parte-se da suposição gratuita e ofensiva, tanto em relação a quem a pratica como também, mais uma vez, em relação à autoridade eclesiástica que a permite, que receber a comunhão em pé representa uma coisa gravemente má, a tal ponto que se deva preferir abster-se da comunhão sacramental. Mas se então se diz que não é isto que se está afirmando, não se compreende como justificar a afirmação implícita no conselho dado: melhor nem comungar, privando-se dos numerosos benefícios da comunhão sacramental, que não se podem equiparar aos da comunhão espiritual, do que sacrificar uma posição do corpo para adotar uma outra!" (p. 941).

Aqui, mais uma vez, o Religioso italiano transcreve palavras que NÃO CORRESPONDEM ao original francês do "Vade-mécum", e não se encontram na edição da Diocese de Campos. Um pouco mais de respeito pela reputação alheia pediria uma informação mais exata, antes de asserções tão categóricas.

Para que nossos leitores julguem, transcrevemos a respeito deste ponto, textualmente, as palavras do "Vade-mécum":

"É preciso reagir contra esse "espírito pós conciliar" denunciado por Paulo VI, que tende a suprimir toda a adoração exterior (e, posteriormente, interior) e que desonra a Deus. Para isso: — ponde-vos, habitualmente, de joelhos para comungar. Isso exigirá, muitas vezes, verdadeiro heroísmo; mas, sobretudo se sois muitos a fazê-lo, vossa coragem produzirá seus frutos. Se, então, a comunhão vos for recusada, oferecei a Deus esse grande sacrifício e a humilhação que ele vos trará. Nosso Senhor, em compensação, vos concederá graças abundantes. Ou, ainda, levantai-vos para comungar, mas fazei, em seguida, a genuflexão; — se não quiserdes proceder assim, deveis fazer a genuflexão antes e depois, sem receio de incomodar a quem quer que seja" (p. 6).

Como se vê, mais uma vez o Pe. Caprile sofisma para lançar a Autoridade Eclesiástica contra o "Vade-mécum do Católico Fiel". Se, como ele mesmo afirma, essa Autoridade Eclesiástica permite a comunhão em pé, é evidente que não proíbe recebê-la também de joelhos. Aconselhar a comunhão de joelhos, ainda que isto exija sacrifícios, equivale a opor-se a arbitrariedades de certos Sacerdotes, que amiúde interpretam mal as determinações dos Bispos. Ora, a nenhum fiel, dentro da Igreja, se impõe ser joguete de arbitrariedades de ninguém. Os fiéis têm uma dignidade própria e não devem ser tratados como tolos.

Quanto à alternativa atribuída ao "Vade-mécum" pelo Revmo. Jesuíta — com base em uma versão que desconhecemos — segundo a qual, entre comungar de pé e não comungar, é melhor não comungar, a leitura do texto autêntico a desfaz completamente (ali se diz, inclusive: "ou, ainda, levantai-vos para comungar"). O livro apenas previne que há um risco de o fiel ver-lhe negarem, algumas vezes, a comunhão, por causa de sua atitude. Mas este fato é consequência não desta atitude, mas da arbitrariedade do Sacerdote que administra o Sacramento.

■ 2.° EXEMPLO. - O Pe. Caprile continua com seus "exemplos": "Ainda a respeito da comunhão [escreve o "Vade-mécum"] : "Por nenhum preço e em nenhuma circunstância

Página seguinte