Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 183 | página 08

TFP PROMOVE O LANÇAMENTO PÚBLICO DO LIVRO

"BALDEAÇÃO IDEOLOGICA INADVERTIDA E DIALOGO"

A. A. Borelli Machado

A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade promoveu, no dia 6 de fevereiro p.p., em São Paulo, o lançamento público do novo ensaio do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, "Baldeação ideológica inadvertida e diálogo". Esse trabalho, dado a lume em primeira mão por "Catolicismo", em seu n° 178-179, de outubro-novembro de 1965, foi agora publicado em forma de livro pela Editora Vera Cruz, numa tiragem de 5 mil exemplares.

Participaram do ato sócios e militantes da TFP da capital paulista e dos Estados do Ceará, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Guanabara, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, além de representantes dos núcleos de várias cidades do interior do Estado de São Paulo e da Secção do Distrito Federal. Em número de quase duzentos, esses jovens se tinham reunido em São Paulo para assistir a um tríduo de estudos intensivos na sede central da Sociedade.

17 estandartes em praça pública

A venda inaugural da obra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira realizou-se em dois importantes logradouros daquela cidade, nos cruzamentos da Avenida Brasil com a Avenida Rebouças e com a Rua Colômbia. Nessas duas praças foram erguidos os já tradicionais estandartes da TFP, em pano vermelho com o leão dourado: desta vez eram sete estandartes de grande tamanho e dez menores. Os duzentos sócios e propagandistas da TFP apresentavam-se com o emblema respectivo na lapela.

As Praças Portugal e Nossa Senhora do Brasil assumiam, assim, naquela manhã de domingo, um aspecto festivo. Alto-falantes chamavam a atenção dos transeuntes para a campanha.

Aproveitando a parada forçada dos automóveis, ao se fecharem os sinais luminosos de trânsito, os jovens da TFP se aproximavam e ofereciam exemplares da obra do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Outros embarcavam nos ônibus que passavam pelo local, e vendiam o livro aos passageiros.

1352 livros vendidos numa manhã

A receptividade foi das melhores. 1352 exemplares de "Baldeação ideológica inadvertida e diálogo" foram vendidos nessa manhã, o que demonstra, por um lado, a grande atualidade do tema, e, de outro, o largo prestígio de que goza o autor. É de se assinalar que um bom número de pessoas não regatearam aplausos às campanhas de esclarecimento doutrinário da população brasileira que vêm sendo promovidas pela TFP. Um transeunte chegou mesmo a dizer — e neste ponto interpretava uma opinião que se vai generalizando, cada vez mais, em largos setores da opinião pública — que no dia em que a Tradição, Família e Propriedade interrompesse as suas campanhas, o comunismo tomaria conta do Brasil. Compreende-se perfeitamente, diante disso, que elementos comunistas e progressistas de todo matiz não tenham ocultado a sua antipatia, e até mesmo o seu ódio, quando lhes era oferecido um exemplar do livro.

Desfile assinala o encerramento

Por volta das 13 horas, momento marcado para o encerramento da campanha, os sócios e militantes da TFP que atuavam na Praça Nossa Senhora do Brasil aproximaram-se da Praça Portugal, percorrendo em formação a distância que separa ambos os logradouros.

Nesse momento ali chegava também o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, acompanhado de outros membros do Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.

Reunidos os propagandistas num ângulo da Praça Portugal, desfilaram todos em torno dela, arvorando os estandartes auri-rubros. Por fim entoaram o Hino Nacional, dando por encerrada a campanha.

O lançamento público do novo estudo do Presidente do Conselho Nacional da TFP constituiu-se, desse modo, num êxito marcante, que desde já o classifica como autêntico "best seller", ao lado do consagrado livro "A liberdade da Igreja no Estado comunista". Já está no prelo a 2a edição de "Baldeação ideológica inadvertida e diálogo", com 7 mil exemplares.

Publicado na Argentina e no Chile

• O novo ensaio do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira foi traduzido para o espanhol e publicado simultaneamente, em edições especiais, pelas revistas "Cruzada" e "Fiducia", nossos confrades de Buenos Aires e Santiago do Chile.

• A venda inaugural de "Baldeação ideológica inadvertida e diálogo" foi noticiada com grande destaque pelos vespertinos paulistas "Diário da Noite" e "A Gazeta", nas respectivas edições de 7 de fevereiro p. p.

• No domingo anterior, 30 de janeiro, outros sócios e militantes da TFP, que haviam acorrido a São Paulo, dos mais diversos pontos do Brasil (cumpre fazer menção especial de uma caravana de 39 estudantes de Fortaleza), para um primeiro tríduo de estudos, promoveram, em união com os propagandistas da capital paulista, uma grande venda pública de "A liberdade da Igreja no Estado comunista", tendo-se escoado, na ocasião, 1546 exemplares.


VERDADES ESQUECIDAS

As cripto-heresias existem, e são perigosas...

Do Revmo. Pe. Karl Rahner, teólogo contemporâneo afamado e perito do Concílio, muito festejado nos meios progressistas internacionais, este depoimento que — sem nos solidarizarmos com todas as suas afirmações — nos parece conveniente divulgar pelo que tem de insuspeito na matéria:

Para o homem médio de hoje, particularmente o da Europa Central, só existem "teorias e opiniões", como uma "aproximação à realidade". (...) A opinião se funda numa estranha interioridade subjetiva; a realidade está fora; só o "pensamento" está dentro, e não é o essencial. (...) O homem de hoje vive num espaço existencial (...) determinado por atitudes, doutrinas, tendências que devem ser qualificadas como heréticas, contrastantes com a doutrina evangélica. Não sucede que toda esta massa herética, pela qual é influenciado o espaço existencial de cada homem, chegue necessariamente a objetivar-se em proposições teoréticas. Semelhante cripto-heresia é viva também na Igreja (...). Este tipo de heresia (que não tem necessidade, para existir, de ser tematicamente explícito) pode-se encontrar em todos os membros (da Igreja), inclusive nos representantes da direção hierárquica. Com efeito, não existe princípio na Igreja que torne impossível, mesmo entre estes últimos, a presença, ainda que oculta e inconfessada, de não crentes (...). O caráter implícito da heresia latente entre os próprios membros da Igreja encontra um estranho aliado no homem de hoje: na sua hesitação diante da precisação conceptual dos problemas religiosos (...). Os motivos deste estranho fenômeno, ao menos na Europa Central, podem ser múltiplos: a ausência de Deus, revelada — e não apenas no linguajar em moda — pelos filósofos de hoje (...). A tática da cripto-heresia é bastante variada, para se manter latente. Com frequência, consiste apenas numa atitude de desconfiança e ressentimento para com a Autoridade Eclesiástica, numa sensação muito difusa de ser controlado com suspeição e mesquinhez, nas próprias pesquisas e doutrinas, pelo magistério da Igreja, com a ideia de que não se pode nem mesmo dizer aquilo que se pensa e que, em boa consciência, a pessoa se sente autorizada a pensar. — ("Was ist haeresie", trad. Italiana, p. 11 ss., apud "Diritto della religione non vera?", de Mons. Giuseppe Di Meglio, Roma, 1964, pro manuscripto, pp. 92-93).