desastrosa. Aldo Maria Valli, que se recusou a publicar a imagem, comentou: “No momento em que se torna Pedro, não pode pisotear essa dignidade. João Paulo II esteve doente por muito tempo, mas nunca apareceu em público sem salvaguardar a dignidade de Pedro”.
Apenas algumas horas após as celebrações pascais, às 9h45 de 21 de abril, a sala de imprensa convocou uma transmissão extraordinária. Pelos semblantes dos quatro prelados, percebeu-se imediatamente qual seria o anúncio: o Papa Francisco havia morrido.
Balanço negativo de um pontificado desastroso
Entre os primeiros a deplorar o falecimento do Papa Francisco esteve a Gran Loggia d’Italia, para a qual sua obra “se caracterizou por uma profunda ressonância com os princípios da Maçonaria”, sobretudo pela “encíclica Fratelli tutti [que] representa um manifesto” dos valores de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Também significativa foi a homenagem de Marianne Duddy-Burke, diretora executiva da Dignity USA, que escreveu na The Advocate: “Durante o pontificado de Francisco, as pessoas LGBTQ+, nossas preocupações, necessidades e dons passaram a fazer parte da corrente principal da Igreja. Este é o legado duradouro de Francisco para nossa comunidade.”
Em contraste, diversos nomes destacados do mundo católico sublinharam aspectos negativos dos 12 anos do primeiro papa jesuíta. Para o Prof. Roberto de Mattei, a característica mais revolucionária de seu pontificado foi a sucessão de palavras e ações que transformaram a percepção pública do Primado de Pedro, secularizando-o e enfraquecendo-o: “O Papa Francisco substituiu o simbolismo sagrado por um simbolismo midiático. Alguns dizem que ‘humanizou’ o Papado, mas na realidade ele o banalizou e secularizou. A instituição do
Papado é o que foi degradado por esses e inúmeros outros gestos”. Dom Georg Gänswein, ex-Prefeito da Casa Pontifícia, lamentou seu estilo autoritário: “A confusão dos últimos anos precisa ser superada. As instituições da Igreja não são uma lepra nem uma ameaça ao Papa. Percebo certo alívio generalizado. A era da arbitrariedade acabou”. Outros analistas apontaram contradições internas do pontificado. O historiador Giovanni Maria Gian, ex-diretor do Osservatore Romano, destacou que o Papa Francisco “tem sido um papa contraditório, disse coisas muito diferentes, levando o absolutismo papal ao extremo”. Quanto aos abusos, acrescentou: “Por um lado ele abraçou o legado de Bento XVI, mas por outro lado houve casos como o [do abusador jesuíta Pe. Marko] Rupnick, o que demonstra que o Papa Francisco não tem sido consistente”.
Numa palestra em Cambridge, intitulada “A Revolução da Misericórdia do Papa Francisco: Amoris Laetitia como um Novo Paradigma da Catolicidade”, o Cardeal Blaise Cupich afirmou que dita exortação inaugurou um “novo paradigma” na compreensão e no exercício do ministério eclesial, sobretudo na pastoral familiar. Nesse modelo, o acompanhamento misericordioso substitui a apresentação de um “conjunto abstrato de verdades”, constituindo uma mudança profunda — até “revolucionária” — pela qual a práxis pastoral orienta o desenvolvimento doutrinal, reinterpretando o matrimônio à luz da experiência dos casais e da misericórdia divina, erigida à condição de chave hermenêutica do estilo de catolicidade proposto por Francisco.
Com efeito, a misericórdia foi o núcleo do pontificado do Papa jesuíta, apresentada como centro de sua teologia e de suas reformas. Essa ênfase, porém, reduziu