unilateralmente Jesus Cristo a símbolo de compaixão e inclusão, obscurecendo sua pregação da Verdade que cura por meio de uma conversão dos corações. A misericórdia é descrita como inteiramente gratuita, sem sublinhar a necessidade da resposta humana — em contraste com o ensinamento agostiniano “Quem te criou sem ti, não te salvará sem ti” — e, de outro lado, dá prioridade ao atendimento de misérias materiais, enquanto o pecado, ruptura com Deus, quase desaparece de sua pregação. Essa misericórdia unilateral tornou-se ainda princípio ecumênico, em nome de uma fraternidade comum a outras religiões, deslocando o cristianismo de “Verdade que salva” para mero espaço de “diálogo voltado à paz”.
A prioridade na missão da Igreja deixou de ser a salvação eterna para tornar-se a transformação socioeconômica e cultural da humanidade. Assim a doutrina perdeu estabilidade, convertendo-se em inspiração flexível: Francisco repetia que a doutrina não deve ser “pedras a serem atiradas” da cátedra sobre os pecadores. Essa caricatura da misericórdia encontrou seu ápice na Fiducia Supplicans, que legitimou bênçãos supostamente não rituais de pseudo-casais do mesmo sexo.
Interpelado por dois conjuntos sucessivos de dubia — relativos aos documentos Amoris Laetitia e Fiducia Supplicans —, o Papa Francisco evitou responder, pois isso evidenciaria que pontos centrais de sua doutrina se afastam do Magistério perene. Após o primeiro dubium, 62 acadêmicos publicaram uma Correctio filialis de erroribus propagatis, evocando uma suspeita de heresia em sete questões capitais, como: a negação de que a graça seja sempre suficiente para evitar o pecado grave; a suposta liceidade de violar conscientemente uma lei divina; e a afirmação de que a lei divina e natural não proíbe absolutamente certos atos objetivamente graves.
outras atitudes chocantes, Dom Athanasius Schneider publicou uma Profissão de Fé, reafirmando que não se pode ensinar que todas as religiões sejam caminhos para Deus; nem que sua diversidade seja vontade do Criador, em contraste com o texto conjunto católico-muçulmano assinado em Abu Dhabi com o reitor da Universidade do
Nenhum pontífice recebeu tanta condescendência da mídia e dos “grandes” deste mundo quanto o Papa Francisco, cuja agenda revolucionária foi amplamente apoiada, apesar de escândalos como a proteção ao bispo argentino Gustavo Zanchetta e ao sacerdote artista Marko Rupnik. Esse respaldo assegurou-lhe o apoio da esquerda laica e da minoria progressista da Igreja, mas não conquistou a maioria dos católicos, especialmente os mais praticantes. São eloquentes os dados divulgados pela Casa Pontifícia dois dias após o funeral: a participação dos fiéis em eventos papais despencou durante o pontificado. Em 2013, mais de 7,3 milhões de pessoas foram a Roma para vê-lo; em 2014 o número caiu para 5,9 milhões; e em 2015, para 3,2 milhões. Após um breve respiro em 2016, a queda continuou até 2019, quando ficou abaixo de 2,5 milhões. Depois da pandemia, retomou esse nível reduzido. Em 2024, só 1,6 milhão em audiências, liturgias e Angelus — quase 6 milhões a menos do que no início do pontificado, revelando forte perda de interesse do rebanho por seu estilo pastoral.
Esse afastamento refletiu-se dramaticamente nas finanças do Vaticano, com queda acentuada de doadores e do volume das doações. Antes de ser hospitalizado, Francisco reuniu cardeais para tentar impor cortes na Cúria e buscar empréstimos externos, o que levou à
Para dissipar a confusão criada por esses textos e
Cairo, assim como as declarações que fez em Cingapura.
Foi Francisco um Papa realmente popular?
Dom Athanasius Schneider