Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 900 | página 33
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solidão decorrentes do protestantismo. Seu único consolo consistia em aguardar o período natalino, pois seus pais, de origem germânica, lhe tinham falado do Natal na Alemanha.

Charlotte de Mecklembourg-Strelitz, sua avó paterna, introduziu a árvore de Natal na corte e assumiu a distribuição de presentes após seu casamento com o rei Jorge III. A rainha Vitória de Saxe-Cobourg, pouco comunicativa mãe da isolada princesinha, também não deixava de montar pinheiros de Natal e oferecer cadeaux.

Com 13 anos, a princesinha não se continha, e no amanhecer de 24 de dezembro distribuía seus próprios presentes às suas domésticas. À noite, com lágrimas nos olhos, ela descrevia em seu Diário as árvores decoradas com velas, os ornamentos feitos com açúcar e todos os presentes em volta. Em 1836, Alexandrina viveu um Natal inesquecível no castelo de Claremont, pertencente ao seu tio Leopoldo, primeiro rei dos belgas. Este lhe ofereceu cartas autografadas de Luís XVI e Maria Antonieta. Naquele ano, a princesa foi a um acampamento de ciganos para distribuir objetos que suavizassem a miséria em que viviam. No ano seguinte ela subiu ao trono com o nome de rainha Vitória I, e em fevereiro de 1840 casou-se com o príncipe alemão Alberto de Saxe-Cobourg- -Gotha. Desde então, as comemorações do Natal nos castelos de Buckingham e Windsor ganharam outra dimensão.

Árvores de Natal da Duquesa de Kent e dos filhos reais em Windsor, em 1850, por James Roberts (Royal Collection Trust).

As tradições germânicas do Natal atingiram um desenvolvimento nunca antes visto. O príncipe Alberto descrevia a seu irmão, o príncipe Ernesto, como todo mundo estava “felizmente maravilhado” em volta de três magníficas árvores natalinas, e a seu pai a lembrança de seu entusiasmo de criança. A rainha ainda introduziu uma fanfarra de trompetes como na Alemanha.

As festas de Natal do castelo real de Windsor foram de uma importância capital para o bem-estar do reino. O rei Alberto as transformou em acontecimentos semipúblicos, cujos mínimos detalhes eram levados pelos jornais aos mais remotos confins do império colonial britânico.

A decoração de Windsor ficou aberta ao público; os jornais disputavam em descrever o menu real, e o Natal no estilo alemão foi logo copiado nos lares da classe média. Os viajantes descreviam o ambiente feérico no castelo e o Illustrated London News fazia questão de ilustrar em gravuras a árvore de Natal preparada para os principezinhos que acabavam de nascer.

Havia imensos pinheiros nos diferentes salões e outros menores nas salas dos domésticos. A rainha Vitória montava a árvore para seu marido e o rei Alberto arranjava o de sua esposa. A cada ano os enfeites se superavam. Em 1860, foram removidos os lustres para as árvores cintilantes de mil luzes subirem até os tetos.

A troca de presentes se fazia na noite da véspera de Natal. A rainha se esmerava em excogitar presentes-surpresa. Os filhos reais encontravam sobre uma mesa uma montanha de presentes, os quais se pareciam mais a uma caverna de Ali-babá, e pulavam e gritavam de alegria. O visconde de Torrington deixou um comovedor relato da mudança do am-