dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo. [...] Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: Apartai- -vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para os seus anjos” (Mt 25, 31-34 e 41)
A segunda razão é que os corpos ressuscitados devem unir-se a almas já inteiramente purificadas.
Eis o que ensina o Catecismo da Igreja Católica a respeito da ressurreição da carne, no Fim do Mundo: “A ressurreição de todos os mortos, ‘dos justos e dos pecadores’ (At 24,15), precederá o Juízo final. Esta será a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; os que tiverem feito o mal, para a ressurreição do julgamento’ (Jo 5,28-29)” (CIC, §1038).
Note-se, porém, a diferença que haverá entre os corpos ressuscitados. Santo Tomás de Aquino, em sua Suma Teológica (Suplemento, q. 86, a. 2), explica que os corpos dos condenados ressuscitarão incorruptíveis, ou seja, incapazes de morrer novamente, mas não gloriosos. Serão preservados, por uma impassibilidade negativa, para sofrer eternamente, em união com a alma, sem que a dor os destrua. Enquanto os santos terão os quatro dotes do corpo glorioso: impassibilidade, agilidade, sutileza e clareza.
Pois, nesse momento, dar-se-á neles a conclusão da obra de Cristo iniciada na Terra. Como São Paulo
escreveu aos Filipenses: “Aquele, que começou em vós a boa obra, a completará até ao dia (da vinda) de Jesus Cristo” (Fil 1,6).
Dirigindo-se aos Coríntios, São Paulo é ainda mais explícito:
“Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará) os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos mudados. Importa que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, que este corpo mortal se revista da imortalidade. Quando, pois, este corpo corruptível se tiver revestido da incorruptibilidade e este corpo mortal se tiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Cor 15, 52-54).
Ora, seria incongruente que, nessa hora suprema da vitória de Cristo sobre a morte, ainda houvesse escórias do pecado nas almas. Além do mais, seria contraditório que enquanto os corpos ressuscitados dos justos estiverem gozando da impassibilidade — ou seja, a incapacidade de sofrer — as almas a eles unidos ainda continuassem atormentadas por dores purificadoras.
Antecipar a passagem para o Céu das almas do Purgatório
Fica assim demonstrado que, com a ressurreição dos corpos e o Juízo Final que lhe seguirá, o Purgatório deixará de existir por ter cumprido plenamente sua finalidade temporal. Como diz Santo Agostinho: “Punições temporárias são sofridas por alguns apenas nesta vida, por outros após a morte, por outros tanto agora quanto depois;
mas todas elas antes daquele último e mais rigoroso julgamento”. (Cidade de Deus, XXI.13, 16).
O que acontecerá então com os que estiverem vivos na Segunda Vinda de Jesus e com os que estiverem no Purgatório sem estar ainda plenamente purificados e com “alguns vinténs a pagar”, como diria o amigo do nosso consulente?
Eles serão purificados completa e instantaneamente, com a intensidade suprindo qualquer falta de duração, de maneira mais provável no próprio ato do encontro com Nosso Senhor. Tratar-se-á de uma purificação instantânea pelo fato de a alma se ver completamente à luz