Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 879 | página 14-15
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Por que defendemos um Ocidente decadente

John Horvat (*) (*) O articulista é colaborador de Catolicismo, vice-presidente da TFP norte-americana e autor do best-seller “Return to Order”.

Um choque de proporções monumentais parece provável à medida em que a ordem liberal do pós-guerra se desmorona. Isto poderá acontecer se os atuais focos de conflito na Ucrânia, Israel, Coreia do Norte e Taiwan se expandirem e envolverem as grandes potências com suas respectivas esferas de influência. Assim, muitos analistas enquadram corretamente o envolvimento dos Estados Unidos nos conflitos de hoje como uma defesa do Ocidente. Os riscos são de fato elevados, uma vez que qualquer surto ameaça não apenas nações individuais, mas o estado atual do mundo.

Defesa do Ocidente

Contudo, certas correntes não veem a batalha desta forma. Questionam o objetivo de defender o Ocidente no seu atual estado de decadência. Podem até simpatizar com os aiatolás do Irã e outros adversários do Ocidente que veem os Estados Unidos como o “Grande Satã”, responsável pelos males do mundo. Na verdade, as nações ocidentais muito colaboraram para corromper o mundo com as suas redes globalizadas, modas imorais e culturas decadentes.

Um establishment dirigido por Davos promove as agendas woke e ecológicas por toda parte. Outras potências antiocidentais, como a Rússia e a China, afirmam representar culturas que se opõem a essas tendências alarmantes.

Lei Eterna e Natural: a base da Moral e da Lei

Assim, alguns afirmam erroneamente que não se deve defender o Ocidente por causa dessa decadência. Acham que é melhor recuar para o isolacionismo e deixar o sistema globalizado com as suas elites corruptas desmoronar-se. Tal atitude está errada. Não são considerados três pontos principais que colocam essa grande luta em perspectiva.

Uma revolução universal que afeta a todos

Um establishment dirigido por Davos promove as agendas woke e ecológicas por toda parte.

O primeiro ponto é que uma crise mundial universal aflige o mundo inteiro. Nem o Oriente nem o Ocidente estão isentos do seu domínio. Ataca, em vários graus, todos os estados, culturas e sistemas.

O pensador e homem de ação brasileiro, Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, chamou essa crise de Revolução, um processo histórico que começou com a Revolução Protestante e avançou com as Revoluções Francesa e Comunista. Hoje, manifesta-se na Revolução Cultural. Seu objetivo é extinguir todos os vestígios do Cristianismo.

Essa profunda crise moral na alma do homem moderno é impulsionada por movimentos de orgulho e sensualidade. É uma revolta contra Deus que afeta a todos. As redes globalizadas de hoje facilitam a sua propagação em todo o mundo, não deixando ninguém intocado.

Afirmar que algumas regiões como a Rússia, a China ou o Irã estão isentas da sua influência é uma ilusão. Na verdade, o flagelo moral do aborto provocado, da pornografia e da promiscuidade encontra-se nesses lugares e em vários outros. A irreligião, o igualitarismo e o niilismo são neles igualmente galopantes.

Assim, esta luta deve ser vista neste contexto, em que ambos os lados estão infectados com o mesmo germe dessa Revolução, embora manifestada de forma diferente.

A Revolução não é o Ocidente

Nem o Oriente nem o Ocidente estão isentos do domínio da Revolução Cultural.

Em segundo lugar, essa Revolução não pode ser equiparada ao Ocidente. Pelo contrário, seu principal alvo é a civilização cristã ocidental. Incorpora-se nas estruturas ocidentais que dominam o mundo e, tal como um tumor cancerígeno, seus germes ideológicos contaminam e deitam metástases em todo o mundo.

Assim, a verdadeira crise está muito mais dentro dessas estruturas ocidentais do que num choque entre o Oriente e o Ocidente. O que o mundo está a testemunhar é a destruição causada pelas filosofias do século XIX, como o socialismo, o liberalismo e o hegelianismo, que

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