Articulação Brasil Revista Catolicismo e acervo
Visão da Edição Catolicismo nº 879 | página 16-17
| DESTAQUE | (continuação)

deterioraram as almas de todas as nações, do Oriente e do Ocidente. O niilismo e as ideias woke estão visando e destruindo as narrativas ocidentais, as noções de identidade e as estruturas sociais onde quer que sejam encontradas.

Essa mesma Revolução também incita outras culturas a atacarem o Ocidente. Elas são instadas a não destruir a Revolução (o que seria uma coisa muito boa), mas sim a civilização cristã que o Ocidente outrora representou de forma tão vibrante.

Se quisermos que o mundo volte à ordem, devemos todos atacar o inimigo comum, que é essa Revolução moral. Para isso, a verdadeira luta é identificar e opor-se às suas manifestações mais radicais que levam adiante o seu processo destrutivo.

Defendendo o Ocidente – ou o que sobrou dele

O ponto de unidade dinâmica do Ocidente foi a Cristandade sob a orientação da Igreja Católica. Essas nações se uniram em torno da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e, com o Seu Evangelho, transformaram o mundo.

É por isso que os Estados Unidos devem defender o Ocidente — ou melhor, o que resta dele. Enquanto o Ocidente existir como ideal, ele ameaçará essa Revolução.

O Ocidente, como ideal, representa aquela família de nações, especialmente na Europa, que foram influenciadas pela moral e pelas crenças cristãs. O ponto de unidade dinâmica do Ocidente foi a Cristandade sob a orientação da Igreja Católica. Essas nações se uniram em torno da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e, com o Seu Evangelho, transformaram o mundo.

Esse mesmo Ocidente gerou instituições cristãs, filosofias, artes, cultura e modos de ser que ainda sobrevivem incorporados na vida quotidiana. O estado atual da Revolução procura destruir tudo isso. Essas estruturas sociais são muito mais alvo da hostilidade russa, chinesa e iraniana do que da decadência moral — justamente condenável — que também encontra grande oposição por parte dos ativistas no Ocidente.

Por esta razão, as nações ocidentais estão em melhores condições para combater a Revolução com os seus remanescentes da civilização cristã do que os países antiocidentais que suprimiriam todos esses remanescentes juntamente com o Ocidente. Além disso, o Ocidente ainda encontra almas dispostas a lutar por esses ideais, e a opor-se à Revolução e implorar a ajuda da graça de Deus.

A aliança do comunismo chinês, do Islã político do Irã e da mística “Quarta Teoria Política” da Rússia representa um avanço no processo revolucionário. O seu triunfo sombrio comprometeria seriamente uma resposta contra-revolucionária.

É por isso que os Estados Unidos devem defender esse vago ideal cristão do Ocidente, mesmo no seu atual estado de decadência. O Ocidente continua a ser a plataforma sobre a qual a resistência, com a ajuda da graça de Deus, ainda pode ser despertada e alimentada.

Enquanto existirem algumas brasas da civilização cristã, uma Contra-Revolução poderá alimentá-las de volta a um fogo violento, privando a Revolução de todas as condições para prevalecer e garantindo assim o regresso à ordem.


| POR QUE NOSSA SENHORA CHORA |

A Virgem e o Menino calcam o ídolo pagão

Paulo Henrique Américo de Araújo Hernán Cortés e seus homens transformaram a imagem da “Virgen de los Remedios” na bandeira da evangelização do México. A escultura de madeira entalhada, atualmente é venerada na Basílica dos Remédios, em Naucalpan, Estado de México.

Quando os espanhóis, liderados por Hernán Cortés, desembarcaram no México em 1519, iniciando sua famosa conquista, eles encontraram altares com estátuas de divindades pagãs em todas as tribos. Após conquistar os indígenas pela astúcia, pela diplomacia ou pelo uso legítimo da força, Cortés mandava derrubar e destruir os ídolos e os substituía por uma imagem de Nossa Senhora com seu Divino Filho nos braços. “Bravo!”, dizemos nós, católicos.

Contudo, alguém influenciado pela “legenda negra” sobre a conquista da América1 poderia qualificar a atitude do conquistador espanhol como hipocrisia ridícula. “Que diferença faz trocar uma estátua por outra? Tudo não passa de superstição!”, diria tal crítico.

Encontrei uma resposta bastante sagaz a essa acusação no livro Hernán Cortés, de Salvador de Madariaga2. Diz o autor que até mesmo os incontáveis céticos e descrentes de nossos dias teriam que reconhecer a utilidade pedagógica daquela substituição de imagens feita pelos conquistadores. Não há necessidade de crer na religião católica para chegar a tal conclusão. Os sacrifícios humanos oferecidos aos ídolos figuravam como prática corriqueira entre os habitantes da América Central no início do século XVI. A estátua do deus violento, ávido de sangue, cedeu lugar à imagem de ternura da mãe pelo

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